Histórias de JPBF empreendedor.
Série Rotina Zero - parte 1;
Leia-o com a voz de Dr. Watson na introdução de Sherlock Holmes 2 - A game of shadows
Era o ano de 2015. Pensamentos de empreendedorismo pairavam na minha cabeça. Eu já tinha levado o tapa ("O dia em que levei um tapa...") e me tornado a piada dentre o grupo jovem da igreja. Agora estudava uma forma de cortar contato com eles e só voltar quando tivesse adquirido sucesso. Só assim para demonstrar meu potencial. Que na verdade eu sempre soube. Seria minha maneira de dizer, para todas as meninas que me tiraram por escória social, algo como: "tão vendo? Vocês deviam ter apostado em mim".
Eu havia planejado este projeto - de desenvolvimento social - antes do tapa. Já alimentava alguns esboços, anos atrás. Porém, foi depois do episódio com a pseudo patricinha de subúrbio que a coisa desandou e tomou força de vez. Eu percebi que minha reputação, ali naquele círculo social, estava manchada. Não dava mais para se desenvolver apenas um passo por vez, estando entre eles.
Precisava ser uma mudança radical para fazer efeito.
Em tempo: apenas o status de medicina não é uma grande coisa, se você continua pobre, magro morto-de-fome, não viajado, desinteressante, etc. No entanto, o mecanismo aqui é esconder o powerlevel. E usá-lo todo de uma vez, para observar a mudança de tratamento.
Havia um caderno onde eu costumava devanear nas tardes preguiçosas de domingo, sobre como seria meu dia-a-dia depois de ter começado a empreender. Escapismos de uma realidade medíocre.
Sonhar é mais que realidade? Então eu me deitava na rede e meditava sobre como seria minha rotina interessante pautada numa renda mensal de 2,5k reais (rotina 1). Os esportes, a alimentação regrada, os tratamentos estéticos, os hobbys sociais (aprender violão, guitarra), enfim. Tudo isso, e ainda encontrando tempo para comandar uma rede bibocas onde eu empregaria subordinados "sócios" e só apareceria no final da tarde para recolher o faturamento.
Mas é claro que antes de apostar nas bibocas imundas havia uma missão: juntar capital suficiente para começar o negócio.
Vindo de uma família pobre é claro que ninguém ia me bancar nessa aventura.
Passei alguns anos de marasmo, sabendo o que devia fazer, mas não tendo recursos.
Perto de jubilar no ensino médio (eu não comparecia às aulas), pensei em algumas possibilidades. Fiz curso de eletricista residencial, de pedreiro (este não cheguei a concluir) e ainda pensei em um de Logística pelo SISU-TEC. De fato, eu era otimista; não conhecia como era o selvagem mercado de trabalho. Não conhecia como era o Bostil.
Na hora do vamos ver, tomei um baque quando fiz uma seletiva de emprego para repositor de supermercado, disputando uma vaga com mais de quarenta marmanjos. Um deles era um formando de direito.
[Nota: naquela entrevista, acabou que nós todos fizemos uma dinâmica escrota lá, inventada pela vadia do RH, sentados no chão, e montando quebra cabeças em grupo. Pra depois ouvir a baboseira de sempre "nós ligamos depois para confirmar quem foi o escolhido, obrigado".]
Lembro que ainda fiz mais uma seletiva de emprego com um gerente tetinha do Giraffa's, num shopping da zona sul da cidade.
Depois daí, desisti: me toquei de que o desemprego assolava com força as massas do proletariado. Não é preciso ser muito esperto para entender que um empresário classe média coloca seu filho em alguma função de roupa social e ar-condicionado com uma mísera ligação.
Era hora de mudar a estratégia.
Mais ou menos no início de 2015, meu plano agora era cursar T.I na universidade e pegar a bolsa CNPQ de 400 reais, a que eu tinha direito. Minha ideia era juntar essa bolsa de 400 mangos, por um ano ou dois, largar a universidade e começar a empreender.
No entanto, antes de poder seguir com essa linha, fui pego para o serviço militar obrigatório, por um ano. Começava aí o que passei a chamar rotina zero - pois foi como que uma precursora da futura rotina interessante 1 (empreendedorismo com bibocas). Na rotina zero, eu só poderia mesmo abraçar o serviço militar, gostando ou não, e acumulando o soldo.
Mas o bom é que, para passar o tempo, eu me dediquei à assistir séries e animes nos dias de folga. Um bom exemplo de um modo rica, semi à parte da sociedade.
Nos próximos posts, pretendo dar sequência à essa história. Contar mais ou menos o que vale a pena lembrar daquilo.
Abraço do Futuro Alfa