Neste offpost: situações que prejudicam a autoestima, na condição de ômega JPBF frequentando um curso elitizado.
# Ir de bicicleta para a aula.
Pedalar é saudável, mas em rua livre de um condomínio fechado.
No trânsito, no meio dos carros, é uma situação cuckoldizante: tenho que guiar com uma direção defensiva, quando chega ali no entrucamento de viaduto, pistas de acesso à escola particular e rotatória da universidade, tendo que ficar sempre atento se os carros imbecis dão ou não a preferência.
O percurso é de 45 min. Sempre chego suado no departamento de biociências. Nem o sol das seis horas da manhã consegue evitar.
Ainda tem que ver se não tem colegas de turma chegando de carro ao mesmo tempo, fresquinho no ar-condicionado, para não dar vergonha. Mesma coisa quando vai pegar a bike - tem que ser na surdina.
Sou o único que anda de bicicleta na universidade? Não. Mas sou um dos poucos com bicicleta de pedreiro, com pintura descascando. Quando eu comprar uma bicicleta Gonew de marcha, o vexame se reduzirá pela metade, mas nada supera ter um carro, em fase universitário. Mesmo que seja um popular.
# Não morar em apartamento
Apartamentolets são puro lulz. Um dia de chuva comfy deve ser observado da janela de um edifício. Alto, com vista para a cidade. Como moro num barraco, sem fogão, geladeira, máquina de lavar roupa, as atividades domésticas dão um pouco mais de trabalho. Alimentação é fora, no geral, porque não tem como conservar.
Outro dia, à noite, eu estava voltando de bicicleta, passei ali num edifício que é perto de uma afiliada da Globo. Na cabine do porteiro, iam entrando uma Stacy JB 1,80m, uns quinze anos, mas vestida como puta paty. Ao lado, um alfinha barba lenhador, ao que parecia ser o irmão.
Realizo que, sendo manlet, é muito difícil que seja aceito no rol dessas pessoas, ainda que ganhe muito dinheiro. Na classe média, é muito comum as mulheres ultrapassarem os 1,70m. Quanto mais essa nova geração atual, cuja prole será o meu alvo.
# Não ter carro
Cena comum: termina a aula, saio do CB e já passo de frente a CT pra pegar minha bicicleta. O CT é lotado de playboys classe média/alta. Logo ao lado, vejo dois, três playboys com altura boa, voz grossa e potente, se dirigindo ao carro, falando de academia e bucetas, marcando rolês ou sei lá o quê. É um contraste torturante, todo dia, saber isso.
De repente, eu me imagino tendo essas rotinas: sair da aula, dirigir carro, apartamento comfy, ambiente familiar, meu próprio quarto, comida de qualidade na geladeira para fazer lanches variados, saudáveis e saborosos... tudo isso dá muita elevação na autoestima. Com essa vida plss.. fica muito fácil ter ânimo para estudar.
# Presenciar colegas putinhas distribuindo carona
Um dia da semana temos aula em outro departamento, cujo estacionamento fica bem de frente. Eu sempre dou um tempo no banheiro, quando termina a aula, ou faço qualquer coisa, que é pros putinhos e patys irem embora na frente. Mas eles sempre ficam se passando, distribuindo as vagas de carona e demoram pra sair dali.
Como se tivessem prazer em serem vistos.
Obviamente, quando as patys, em seus carros, dão carona para as outras emergentes e betas, elas se tornam centros sociais de micropanelinhas, e isso é tudo! Atenção social, grupinhos, rotina de "malhação". É claro que elas vão prolongar o momento.
Um certo dia, já ligado no esquema, me demorei uns 10 minutos no banheiro depois da aula. Quando volto pra fora, calmamente, ainda estão os putos saindo nos carros, em grupos, caronas, etc, fazendo o auê de um carro para o outro... Uma merda.
Há uma putinha gamer patricinha emergente de uma cidadezinha que tem o carro mais acabado da sala. Mas agora, já está de carro novo. Um celta branco brilhante. Vidros abaixados, fez hangloose pra outra patricinha que ia dirigindo outro carro na saída, e disse qualquer merda, ao qual identifiquei a ação de adrenalina e noradrenalina liberadas na corrente sanguínea (tom de voz maior) e ocitocina (olhos levantados).
Era a pura elevação da autoestima.
O up no ego é ainda maior quando tem platéia. Eu, que tive que passar no meio dos carros, na rua.
Deve ter dado um gostinho a mais para elas.. PQP!
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"Tá, mas e daí, FA, o que tem a ver tudo isso?"
Em primeiro lugar, um déficit na autoestima provoca um desânimo total para estudar por fora, e até mesmo, comparecer as aulas. Para anestesiar a vida sofrida de ômega, às vezes acabo escolhendo ficar no laboratório, assistindo anime ou série.
Em segundo lugar, é um sentimento de perdas e danos. Se eu for parar pra pensar: praticamente todos da turma, sem exceção,
se juntando nos carros fora das aulas, tirando brincadeira um grupo com o outro, e
conversas dentro dos carros em si. Me faz pensar que os faz uní-los cada
vez mais (no sentindo de ficarem a vontade, entre si) e me
isolando/separando ainda mais. Sou como um elemento estranho no recinto.
Sempre.
Nesse semestre, duas novas alunas que chegaram da estadual, já estão mais entrosadas do que eu. Rolando abraço depois da prova prática (na minha frente), e tendo toda essa vivência jovem, e a experiência de ser aceito, sentimento de importância, resenhar junto, irem pros lugares, e coisa e tal.
É torturante. Eles estão vivendo.
Obs: No Resumo de Março, um anon veio hatear que "esse blog é um lixo, por não dar dicas e posts voltados para o beta".
E é isso mesmo. Eu não faço posts voltados para "betas". Este blog é um
diário da rotina e jornada de um ômega (abaixo de beta) em medicina,
sob a ótica da minha experiência pessoal.
Em
suma, não faço posts do que não "testei" pessoalmente. Por exemplo, eu
poderia ensinar como comprar minoxidil da Kirckland, conforme eu li em
grupos da internet. Não o faço, porque ainda não o comprei, ou seja, não
"testei" a experiência por mim mesmo.
Se você quer saber de minoxidil, e outros hacks para seu desenvolvimento pessoal, procure na internet. Como todo mundo.
Abraço do Futuro Alfa,
Até a próxima