terça-feira, 27 de setembro de 2016

Faltando 30 dias para o ENEM

Faltando um mês, eu percebi que o meu planejamento inicial estava mais ou menos errado, apesar de funcionar também, de certa forma. Por isso meu cronograma ficou bem atrasado (para completar todos os conteúdos programados). 

Mas aí eu achei as apostilas Bernoulli, e ficou bem mais simples, o andamento e o estudos dos assuntos principais voltados para o ENEM. Eu gostaria de ter começado com elas desde o início. Acredito que teria mais tempo de sobra para fazer todos as provas anteriores como simulado ─ as quais pretendo fazer ainda, até onde der.

Falando em simulados. O meu melhor resultado, quando fiz um simulado meados de setembro, foi 38 questões certas, de 45, de Ciências da Natureza. Isso é um resultado muito bom. 

Descobri esse mês, a biblioteca de um lugar aqui de funcionalismo público. Estou estudando, agora, numa sala reservada com uns 40m² climatizada, com cadeiras empresarias e vista panorâmica para a cidade. O legal é que fica do lado do bandejão onde estou almoçando. 

Eu chego pela manhã, vou para essa biblioteca, almoço e volto, e só à tarde, por volta das 16hs, com um sol mais ameno eu me prossigo para a universidade, ficando até mais ou menos 20hs da noite. Poderia até ficar um pouco mais, porém acho melhor não sobrecarrega. Não tem luz elétrica em casa. Estou fazendo uma refeição por dia.

Forte abraço

Faltando 30 dias para o ENEM, como anda a minha preparação? As quatro semanas mágicas

Faltando um mês para a grande prova, eu acabei percebendo, felizmente, que o meu planejamento inicial estava mais ou menos errado, apesar de funcionar também, de certa forma. Por isso meu cronograma ficou bem atrasado, para completar todos os conteúdos programados, o que gerou preocupação. Mas aí eu achei as apostilas Bernoulli, e ficou bem mais simples, o andamento e o estudos dos assuntos principais voltados para o ENEM. Eu gostaria de ter começado com elas desde o início, acredito que teria mais tempo de sobra para fazer todos as provas anteriores como simulado ─ as quais pretendo fazer ainda, até onde der.

Falando em simulados, como eu estou focado em área, faço mais a prova específica por vez, ao invés das noventa questões dentro de um tempo de quatro horas. O meu melhor resultado, quando fiz um simulado meados de setembro, foi 38 questões certas, de 45, de Ciências da Natureza. Isso é um resultado muito bom, está praticamente se igualando ao meu nível com a prova de Matemática, que é uma média de 40~45 acertos, meu ponto forte. De fato, se eu prestar mais atenção às pegadinhas, e dar um foco revisional na teórica de Combinações e probabilidade, além de ficar mais ligeiro, coordenando o uso do tempo, posso chegar a gabaritar as questões 136 à 180 de Matemática.

Tem gente que afirma que consegue fazer leitura dinâmica, e terminar a prova muito antes do tempo previsto. Eu acho besteira. Eu não faço leitura dinâmica, mas minha leitura é muito rápida também. E mesmo assim levo cerca de duas horas, em média, com cada caderno. As 38/45 de CN referidas anteriormente, foram em 1h40min. Não tem que se cobrar muito no tempo para quebrar recordes, a atenção deve ser para entender com clareza a questão. Mas é claro, você não pode exceder o tempo que é dado.

Descobri, também, esse mês, a biblioteca de um lugar aqui de funcionalismo público. É impressionante o luxo que se dão para quando é com politicagem e mamadas estatais. Estou estudando, agora, numa sala reservada com uns 40m² climatizada, com cadeiras empresarias e vista panorâmica para a cidade. O legal é que fica do lado do bandejão onde estou almoçando, dá para ir e voltar a pé. Ao que antes eu subia uma ladeira ferrenha no sol pela manhã e ao meio dia, agora eu chego pela manhã, vou para essa biblioteca, almoço e volto, e só à tarde, por volta das 16hs, com um sol mais ameno eu me prossigo para a universidade, ficando até mais ou menos 20hs da noite. Poderia até ficar um pouco mais, porém acho melhor não sobrecarregar, sendo que eu ficaria sentindo os efeitos no outro dia. Como já falei em outro post, não tem luz elétrica em casa. Estou fazendo uma refeição por dia.
Agora quero falar como pretendo seguir o esquema durante a prova do ENEM. É foda, a preparação já começa antes, por conta que playboys de cursinho terão uma alimentação regrada, com o fino das proteínas e da boa qualidade biodisponível de nutrientes variados. E é comprovado que uma boa alimentação vai influenciar muito no desempenho dos vestibulandos. Como não tenho tamanho suporte em âmbito familiar, já deixei um dinheiro reservado aqui para almoçar fora dias 5 e 6 de novembro. No entanto, ainda desconheço um bom restaurante variado. Tem um aqui perto de casa, comida caseira, empanados de peixe ou frango, e costela, em qualidade não se compara com o restaurante de um prédio novo da universidade, que vira e mexe eu uso, e que é preparado por um chefe, e tem várias opções bem feitas de saladas e pratos, problema é que não abre aos sábados e domingos. "Talvez seja melhor tascar no shopping", poderiam dizer, mas tenho receio dos self service à quilo que vão beirar os cinquenta mangos (se for o brasileirinho do Giraffas, nem vale o stress). Ouvi uma dica, não sei se na televisão, ou na internet, de levar trufas, chocolate, durante a prova, porque aumenta a glicose e o raciocínio cerebral, pode ser que seja. Há pessoas que pretendem consumir guaraná em pó também, sendo um macete maior.


Sim, a ordem de execução da prova. 1° dia, acho interessante começar por Ciências da Natureza e fechar com Ciências Humanas, que é um caderno mais tranquilo. No 2° dia, aí é que pega. Com a redação, tudo fica imprevisível, mas sabendo algum macete para escrever textos dissertativos ─ alguns modelos aos quais, estou trazendo para comentar aqui ─ é recomendado fazer as cinco questões de língua estrangeira, e ler a proposta de redação. Daí, então, focar em garantir o caderno de matemática enquanto maquina alguns dois ou três argumentos para desenvolver na redação. Dependendo do tempo que se levou em matemática, é bom prestar atenção, você decide se entrega uma redação boa, ou muito boa, mas nunca uma redação nas coxas. Basta você atentar para as cinco competências que são exigidas na correção, entre elas, coerência, coesão, gramática, interconectar conhecimentos de outras disciplinas e fazer uma proposta de intervenção detalhada. Inserir citações para enfeitar, muito pom-pom gosta de fazer. Se você souber alguma boa, que caiba no tema, joga lá, mas o segredo, eu acredito mesmo que seja a interconexão de conhecimentos de outras matérias, especialmente históricas. Na redação de imigração, acho que 2012, eu fiz isso e tirei 880.0, que poderia ser mais, eu diria, com uma proposta de intervenção mais específica (a bancada da correção gosta de uma coisa específica, não basta apenas dizer, "ah, o governo", tente responder: qual o ministério, qual o papel do cidadão, se há uma legislação vigente ou se é preciso criar uma nova do zero, etc).

E vocês, que técnicas pretendem usar?

Forte abraço

domingo, 25 de setembro de 2016

Redação ENEM: competências

Sua redação será avaliada em cinco competências, cada uma valendo 200 pontos.

Competência I – Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita 

É o domínio de gramática e estética textual. O candidato deve conhecer o uso da norma padrão da língua portuguesa e suas aplicações. Serão observados os conhecimentos sobre todas as regras gramaticais, levando em consideração critérios relacionados á ortografia, regência, concordância e semântica e até divisão silábica entre linhas. 

O que será avaliado? 

Diferença entre a modalidade oral e escrita; 
Atenção á ortografia e as regras gramaticais; 
Estética geral do texto, respeito ás margens e ao número de linhas; 
Ausência de marcas da oralidade; 
Precisão vocabular; 
Colocação das letras maiúsculas e minúsculas; 
Divisão silábica na mudança de linha (translineação). 

Competência II – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo 

É a compreensão da proposta. O candidato precisa entender o tema a ser desenvolvido, organizar as ideias e aplicá-las em um texto. Para isso é preciso ler o tema com bastante atenção, para conseguir relacionar outras áreas do conhecimento e provar que sabe o que é um texto dissertativo. 

O que será avaliado? 

✔ Compressão da proposta: evite ficar preso aos textos motivadores, não os copie, mas também não deve ignorá-los; 
✔ Conhecimento sobre outras áreas, insira, por exemplo, conhecimento sobre literatura, biologia, cinema, biotecnologia, entre outras; 
✔ Se o aluno sabe estruturar uma texto dissertativo. 


Competência III – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista 

É quando a argumentação do candidato é feita com base em fatos concretos para defender seu ponto de vista. Tudo que será escrito na Redação do Enem precisa estar fundamentado em algo verdadeiramente comprovado e real. Pode ser citação, dados estatísticos, analogias, metáforas (comparações), fatores com causa e consequência, enumerações, gráficos, pesquisas, questionários com dados estatísticos e citações com argumento de autoridade. Não pode: achismos, senso comum, anédotas nem fábulas conhecidas com ensinamento moral.

O que será avaliado? 

✔ Progressão qualitativa (relação de sentido entre as partes do texto); 
✔ Ordem lógica entre as ideias apresentadas; 
✔ Coerência: adequação entre o conteúdo do texto e o mundo real; 
✔ Encadeamento de ideias: cada parágrafo apresente informações novas, coerentes com o que foi apresentado anteriormente, sem repetições ou saltos temáticos. 

Competência IV – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação 

Será avaliado se o candidato sabe escrever um texto coeso. Como na redação do Enem é exigido um texto dissertativo-argumentativo, as ideias precisam, além de serem sólidas, estar bem articuladas e organizadas por meios de parágrafos bem elaborados. A utilização de conectores deve ser explícita, ligando os argumentos e parágrafos, evitando repetições. 

O que será avaliado? 

✔ Estruturação dos parágrafos: Em um texto dissertativo-argumentativo, o parágrafo é formado por uma ideia principal á qual se ligam as ideias secundárias; 
✔ Estruturação dos períodos: Os períodos de um texto dissertativo são, normalmente, estruturados de modo complexo, formados por duas ou mais orações, para que se possa expressar as ideias de causa-consequência, contradição, temporalidade, comparação, conclusão, entre outras. 
✔ Uso de referências: Os lugares, pessoas, coisas, dados, informações e fatos quem são introduzidos devem ser retomados, á medida que o texto vai progredindo. Referências podem ser expressas por meio de pronomes, advérbios, artigos e retomada por elipse.

Competência V – Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural 

A competência cinco é a mais importante, pois a elaboração de uma solução do problema proposto é a mais criteriosa entre os corretores e onde os alunos possuem mais dificuldade. 

O candidato deve ter levantado alguns aspectos voltados para uma problemática, para um fato passível de ser solucionado. Ao concluir seu texto, deve-se apresentar uma solução para o que foi discutido ao longo da redação. 

Sua proposta de intervenção deve ser ser detalhada de modo a permitir ao leitor o julgamento sobre sua exequibilidade, portanto, deve conter a exposição da intervenção sugerida e o detalhamento dos meios para realizá-la, com no mínimo três agentes. São exemplos de agentes: governo, ministérios específicos, ONGs, escolas, família, igreja, e consciência cidadã individual. Além disso, é preciso considerar os pontos abordados durante o desenvolvimento do texto e meter coerência com os argumentos utilizados, já que expressa a sua visão, como autor, das possíveis soluções para a questão discutida. 

O que será avaliado? 

✔ Presença de proposta; 
✔ Detalhamento dos meios para realização da solução proposta, com até três agentes; 
✔ Possibilidade de ser executada: A solução que eu apresento é viável? 
✔ Respeito aos Direitos Humanos: A intervenção não pode ferir valores como cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural.

Um plus que muitos cursinhos colocam é terminar o texto com uma citação filosófica que se encaixe precisamente com os pontos abordados nos seus parágrafos. São as chamadas citações coringas, segue os links.

https://geekiegames.geekie.com.br/blog/11-citacoes-e-ideias-para-redacao/ 
https://descomplica.com.br/blog/redacao/cliches-nao-citacoes-sim-11-citacoes-interessantes-para-argumentos-de-autoridade-que-deixarao-sua-tese-mega-consistente/

sábado, 24 de setembro de 2016

Modelo de Redação

Transcreverei a seguir um exemplar de redação nota mil, para base de reflexão sobre os cinco pilares de competências esperados do candidato na prova do ENEM.

Tema: Publicidade Infantil 

É comum vermos comerciais direcionados ao público infantil. Com a existência de personagens famosos, músicas para crianças e parques temáticos, a indústria de produtos destinados a essa faixa etária cresce de forma nunca vista antes. No entanto, tendo em vista a idade desse público, surge a pergunta: as crianças estariam preparadas para o bombardeio de consumo que as propagandas veiculam? 

Há quem duvide da capacidade de convencimento dos meios de comunicação. No entanto, tais artifícios já foram responsáveis por mudar o curso da História. A impressa, no século XVIII, disseminou as ideias iluministas e foi uma das causas da queda do absolutismo. Mas não é preciso ir tão longe: no Brasil democratizado, as propagandas políticas e os debates eleitorais são capazes de definir o resultado de eleições. É impossível negar o impacto provocado por um anúncio ou uma retórica bem estruturada. 

O problema surge quando tal discurso é direcionado ao público infantil. Comerciais para essa faixa etária seguem um certo padrão: enfeitados por músicas temáticas, as cenas mostram crianças, em grupo, utilizando o produto em questão. Tal manobra de "marketing" acaba transmitindo a mensagem de que a aceitação em seu grupo de amigos está condicionada ao fato dela possuir ou não os mesmos brinquedos que seus colegas. Uma estratégia como essa gera um ciclo interminável de consumo que abusa da pouca capacidade de discernimento infantil. 

Fica claro, portanto, a necessidade de uma ampliação da legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando a proibição de técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, é preciso focar na conscientização dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem da ingenuidade infantil.

Modelo de Redação

Transcreverei a seguir um exemplar de redação nota mil, para base de reflexão sobre os cinco pilares de competências esperados do candidato na prova do ENEM.

Tema: Publicidade Infantil 

É comum vermos comerciais direcionados ao público infantil. Com a existência de personagens famosos, músicas para crianças e parques temáticos, a indústria de produtos destinados a essa faixa etária cresce de forma nunca vista antes. No entanto, tendo em vista a idade desse público, surge a pergunta: as crianças estariam preparadas para o bombardeio de consumo que as propagandas veiculam? 

Há quem duvide da capacidade de convencimento dos meios de comunicação. No entanto, tais artifícios já foram responsáveis por mudar o curso da História. A impressa, no século XVIII, disseminou as ideias iluministas e foi uma das causas da queda do absolutismo. Mas não é preciso ir tão longe: no Brasil democratizado, as propagandas políticas e os debates eleitorais são capazes de definir o resultado de eleições. É impossível negar o impacto provocado por um anúncio ou uma retórica bem estruturada. 

O problema surge quando tal discurso é direcionado ao público infantil. Comerciais para essa faixa etária seguem um certo padrão: enfeitados por músicas temáticas, as cenas mostram crianças, em grupo, utilizando o produto em questão. Tal manobra de "marketing" acaba transmitindo a mensagem de que a aceitação em seu grupo de amigos está condicionada ao fato dela possuir ou não os mesmos brinquedos que seus colegas. Uma estratégia como essa gera um ciclo interminável de consumo que abusa da pouca capacidade de discernimento infantil. 

Fica claro, portanto, a necessidade de uma ampliação da legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando a proibição de técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, é preciso focar na conscientização dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem da ingenuidade infantil.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O problema da falta de renda

Eu já tinha esse costume de espairecer um pouco os pensamentos observando a rua, costume dos serviços no EB. 

Madrugada adentro/afora, sonhava com lucros nas bibocas. Mas o projeto não deu muito certo.

Agora, o que sobrou foram dois fardos de potes plásticos largados em cima do armário, o carrinho adesivado que me custou uma fortuna, e agora empoeira no canto da sala, e uma caixa de leite condensando e outra de farinha láctea. Coisas que vendo-as pela casa, me bate o arrependimento de que se eu botasse tudo na poupança eu teria 70 conto de juros todo mês e uma tranquilidade financeira legal agora. 

O segundo plano para não ver minhas parcas reservas se acabarem era vender din-din esporadicamente em alguns locais, só para manter os gastos fixos sem mexer no montante. Como eu tenho pouco agora, há a preocupação de manter a conservação de meus passivos.

Plano C ─ concurso público. 

É devido à estes fatores que estou induzido agora a apertar o cinto e controlar os gastos à conta gotas. 

Tenho o suficiente para permanecer daqui até dez meses (almoçando em bandejão, quase-jejum finais de semana), sendo que antes disso começam as aulas e eu vou tentar uma bolsa na graduação. 

Faltam menos de 200 dias, estou contando esse prazo dia a dia, para ver as condições melhorarem enfim. Minha primeira opção que estou de olho é a do PICME, por que tenho direito. A segunda opção é uma bolsa normal tutoria/monitoria.


Forte abraço.

O grande problema da falta de renda para um formando de medicina pobretão

Eu já tinha esse costume de espairecer um pouco os pensamentos observando a rua, costume herdado do antigo trabalho que eu tinha de vigilante, e que, madrugadas frias adentro/afora, foram traçados inúmeros planos de bibocagem imunda que me renderiam altas somas de lucro, coisa que já falei por aqui, mas não deu muito certo. Só que na época, o sonho era forte. Agora, o que sobrou foram dois fardos de potes plásticos largados em cima do armário, o carrinho adesivado que me custou uma fortuna, e agora empoeira no canto da sala, e uma caixa de leite condensando e outra de farinha láctea. Coisas que vendo-as pela casa, me bate o arrependimento de que se eu botasse tudo na poupança eu teria 70 conto de juros todo mês e uma tranquilidade financeira legal agora. Fazer o quê? A caixa de leite condensado e farinha vou tentar passar para algum desses ambulantes de rua, e o carrinho vou anunciar no mercado livre (é foda, porque eu não conheço nada de como é o esquema das transportadoras, mas vale a tentativa).

O segundo plano para não ver minhas parcas reservas se acabarem era vender din-din esporadicamente em alguns locais, só para manter os gastos fixos sem mexer no montante. Como eu tenho pouco agora, não raro há a preocupação de manter a conservação de meus passivos, devices e a bicicleta como meio de transporte ─ coisa que antes, com os dez mil, eu ficava mais tranquilo sabendo que poderia comprar outra novinha. Assim, se houvesse algum imprevisto a mais eu poderia contar de acumular um pouco de lucro dos geladinhos para cobrir o gasto a mais. Agora que a energia foi cortada, nem isso mais (se bem que eu poderia fazer, em último caso, alocando a geladeira de algum parente, mas nunca é boa ideia porque sempre vão querer pegar uns).

Plano C ─ concurso público, em devo dizer, antes que dou preferência por empregos burocráticos, ar condicionado, sentado, algum falso status que seja (por exemplo, aquelas aprendizes da Caixa que ficam organizando a fila da senha do banco) essas coisas, pra descontar a mamada do Estado nos nossos impostos. Abomino trabalho de repositor de supermercado ─ qualquer dia eu digo o porquê. Mesmo assim, para arrumar um emprego nessas condições, envolve muito quem indica, para saber onde abriram vagas e os esquemas para passar por quem coloca-os lá dentro, coisa que é difícil para JPBFs pois somos reservados e não costumamos nos expor muito. Então, resta o concurso público, que para mim, deve ser com total isenção da taxa de inscrição (nem sei se isso rola ainda) e pelas proximidades, ainda que não descarte o trabalho noutra cidade. O problema é o tempo para ser chamado, sendo que, dentro de quatro a seis meses, começa o curso na universidade, se eu não tiver começado a trabalhar dentro desse prazo, não vale nem a pena.
É devido à estes fatores que estou induzido agora a apertar o cinto e controlar os gastos à conta gotas. Tenho o suficiente para permanecer daqui até dez meses (almoçando em bandejão, quase-jejum finais de semana), sendo que antes disso começam as aulas e eu vou tentar uma bolsa na graduação. Faltam menos de 200 dias, estou contando esse prazo dia a dia, para ver as condições melhorarem enfim. Minha primeira opção que estou de olho é a do PICME, por que tenho direito, mas já fui desligado dela uma vez, espero que isso não pese contra agora. A segunda opção é uma bolsa normal tutoria/monitoria qualquer, e espero que nada conspire contra, e que possamos consegui-la enfim. Estamos todos contando com isso.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O ritual JPBF de contemplar a sociedade opressora


Pode ser que se pergunte acerca das razões que me fizeram vir aqui no ponto de ônibus, espairecer, refletir olhando o movimento da rua numa noite qualquer, semelhante turba de vizinhos perifentos que se colocam nas calçadas, a frente de suas casas, como se quisessem vigiar a vida uns dos outros. Não, o motivo evidente é o derrotismo que se apresenta o ambiente caseiro familiar (agora sem luz elétrica). Não se pode negar essa máxima de que muitos negos vão olhar a rua para esquecerem por um momento as suas realidades medíocres. Mas vamos colocar um adendo, sem negar este. Como já vimos, há pessoas de classes B e C emergentes também que se postam sentadas na frente de suas casas, aqui, no entanto, casas de verdade, na dignidade da palavra, não barracos sem reboco de periferia. Um grupo formado em sua maioria por aposentados e donas de casa, gente que passa maior tempo dentro de casa, provavelmente enjoados de olhar para as paredes. Parece sugerir que observar a rua é um costume tradicional bostileiro, não sei como é a realidade lá fora. Se for, porém, deve ser com mais elegância, pedigree e sem, er.. esse ar de inveja e complexo que você sente no Bostil ─ sim, pois aqui ninguém quer ver o outro por cima dele, motivo pelo qual não contamos nossos projetos a ninguém, a fim de não ouvir sabotagens.

Dito isto, retomemos o raciocínio. Eu dizia que iria colocar acima desta verdade anteriormente elocubrada, uma outra razão. Meio a meio, o que, vez ou outra, me leva ao ponto de ônibus aqui perto, olhar as pessoas, a rua, a sociedade decadente é um ritual de absorver inspiração como faz um escritor, exceto pelo ato de conversar com elas (escritor), eu só observo. Também me ajuda a colocar os pensamentos em ordem, para não perder o foco de meus objetivos. Assim, olhando essa periferia decadente, essas ruas brasileiras de asfalto esburacado, sem planejamento, que ganha pintada de cal em épocas de eleição, chimpas passando, vadias mirins passando (ali vai descendo um chimpa para a academia fuleira, levando água na garrafa gatorade e depois, se já não tomou, um whey lixo quando chegar em casa), eu meio que sinto o jogo da vida, onde, por você nascer numa família chimpa miserável, haverá muitas dificuldades que terão de serem superadas para romper as paredes sociais e viver no rol da classe A, B+, mesmo que nem tenha certeza se os déficits colocados desde o início possam ser apagados, o mínimo de conforto e tranquilidade financeira deve ser buscado. Aí você vê, então, que a realidade parece coisa de filme, e se sente parte de uma história. Mas você não é especial.