sexta-feira, 28 de junho de 2019

Resumo de Junho 2019


Apesar do aperto financeiro, minha mãe depositou cem reais esse mês. 

Mousse | Concursos | Karma?

Começo falando do negócio. O professor Afonso tem um vídeo na qual fala assim: "não adianta você conseguir dinheiro de formas ilícitas, porque o karma do universo, depois, tende a te criar gastos desnecessários, porque aquele dinheiro ali não era seu".

Vou postar o link: https://www.youtube.com/watch?v=o_E6rAEeT3k&t=329s

Da minha parte, eu acho isso uma abobrinha. Mas é bom ficar atento. Aquele dia lá, quando sai pra vender mousse no RU (e era feriado), o pneu furou e tive que trocar a câmara de ar (15,00). Na volta, tirando a caixa térmica do bagageiro, pra guardar de volta na geladeira, o elástico enrolou no aro e entortou-se da forma mais estúpida (mais 5,00).

Coincidência?
Eu me pergunto se os políticos acabam tendo gastos desnecessários depois de roubar o dinheiro público. Não. A quantidade de dinheiro que eles desviam é tanta, que gasto nenhum depois importa.

E o contrário? Você compra uma marmita e oferece de livre vontade para quem precisa. Depois de quanto tempo, essa boa ação voltará para você, em forma de dinheiro? Depois de muitos dias? 

Estamos entrando no recesso de julho. Decidi vender mousse na lotérica mesmo. Na volta às aulas, conversei com meu primo para alugar a geladeira, por 40 mangos, já que ele mora perto da UF, e pode facilitar pra que eu venda ali no RU. Como o filho dele nasceu, 40 mangos é muito bem-vindo pela necessidade.

Parece uma boa, fabricar para revenda. 

Junho 2019
AlimentaçãoR$ 282,55
TransporteR$ 28,30
CréditosR$ 12,00
OutrosR$ 59,15
Despesas do MêsR$ 358,00
Saldo poupançaR$ 214,42

Proventos de 599,00. 

Agora sobre os concursos, eu, novamente, decidi não fazer. Não tinha como arcar com a inscrição.
  
(((Eles))) | Visita domicilar | Suspensão a posteriori.

De todos os antigos e aceitos, a (vou chamar aqui de) Ds é a que mais está vivendo o sonho. É formada em Radiologia, mas trabalha como agente de turismo. Mandou bem.
Uma conhecida, da RHM, caloura de farmácia, conclui o primeiro semestre e aproveita o recesso com suas novas amizades. Interessante. De certa forma, gostaria de ter tido isso.

O beta social está namorando, mas não me encontrei mais com ele. Acho que se mudou.


Db no ginasial, com um grupo de amigos fixos. Muito bom isso. Seu namorado passou na marinha e agora é aprendiz de marinheiro, assim como outros da RHM. De repente, teria sido melhor eu ter feito concursos militares na marinha, quando tava na idade. 

Outro dia, os vi dançando quadrilha na rua do colégio com outros colegas do Bradesco. Penso que aquele momento se parecia com uma vivência de anime slice of life. É estranho, pensando agora, como aquela cena ficou na minha mente algum tempo.
A irmã dela, Is, também tem vivência e suas amizades.
Chamado para a entrevista social na Reitoria, fui explicar o motivo das faltas e etc. É um departamento que trata de ações de permanência. A reitoria estava ocupada. Muitos esquerdistas do naipe de humanas. Alguns que nunca vi na UF. 

No relatório da entrevista ficou acertado d'eu fazer a suspensão a posteriori. Posso fazer eu mesmo, quando abrir a opção no sistema. Isso deve apagar as reprovações do meu histórico. É como se eu não tivesse cursado o semestre.

De lá, tomamos um carro e seguimos para a visita à residência do HU. Uma vila de casas, bem tranquila, com guarita. Importa dizer que o piso é azulejado. Tem TV, geladeira, computador. São dois ou três alunos por casa.
A lavanderia e a cozinha são compartilhadas com a casa delas, formando um complexo (cada duas casas forma um complexo, dentro da vila).
Eu não visitei a residência do campus central, mas a princípio, a única vantagem, olhando de fora, parece ser a "vista" de "apartamento", que pode nem ser tão boa assim. Fora isso, a residência do HU é melhor. 

Tudo indica que o FA vai ter moradia digna. Não parei pra pensar no quanto o meu potencial acadêmico vai ser aproveitado agora. Vamos ver o que vem por aí. Não dá para saber ainda.
De volta pra UF, almocei no RU. À tarde, a assistente social chamou novamente para adiantar o requerimento especial do auxílio moradia. Por algum motivo, me deu uma quantia em espécie para passar o mês, e recontemplou o jantar na minha bolsa alimentação.

Obviamente, tratei de imprimir e pagar o boleto do RU no mesmo instante. Na agência do BB, me encontrei com um amigo, e ele me deu, também, 10 reais.

Queria ser responsivo para saber como agir nessas situações.

De volta em casa, vesti a roupa (de medicina), a bolsa, botei o jaleco dentro, e pouso numa confeitaria ali do bairro. Mentalizei o momento por alguns minutos, como algo simbólico, como a espera de uma nova fase. Foi o que de positivo aconteceu nesse mês.

Abraço do Futuro Alfa,
Até a próxima.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Aprendizado e pré-vendas

A semana.

Tomei café da manhã, no café do trabalhador, à 0,50 centavos, pela primeira vez. Depois, decidi deixar pra vender os mousses pra manhã. Então vim pro RU, almoçar e lurkar na net.

Hoje, vamos falar de negócios.

Primeira produção: 12. Segunda produção: 19. Diminui o volume, e obtive essa quantidade  com um investimento de cerca de 10 reais. A precificação normal fica à 1,50 para valer a pena.

Convém fazer um preço de acordo com a clientela para o qual se vai vender. 

É bem mais recomendado vender bolo no pote e refeições que tem maior apelo. E de fato, esta é a intenção. Quero estudar pela EduK. Mas por enquanto, não tenho cozinha em casa (fogão e geladeira).

O meu primo tem uma casa perto da UF. Pode ajudar num negócio de entrega por encomenda, o qual posso fazê-lo à noite.

A primeira venda, fiz na estação, e logo recebi pedido para revenda.

Sexta, depois de ter recebido o pedido, me mexi para fazer mais mousses. Pai deu 100 reais, e pude fazer dois trades para coletar os ingredientes. Ainda fiz umas compras soltas, no total de 26,97. Depois eu compenso isso.

Terceira produção: 47 mousses de cinco sabores. Com os ingredientes que sobraram, dá pra fazer mais. Calculo que o lucro chegue a 80, e ainda sobra ingredientes pra não precisar comprar na próxima.

O investido, ao todo, foi algo próximo de 70,33 reais. É ok pra dar um bônus nos trades.
Eu já tenho noção de que cada litro de creme de leite + leite condensado e sabor dá algo entre 8 e 12 unidades. O que eleva o bônus para 46 reais por trade. Mais do que o esperado.
Ainda na sexta, imprimi um novo cartaz pra pessoa que ia revender meus mousses, e emplastifiquei o meu. À noite, conferi um sabor que precisa ser mudado a receita.

No sábado, tirei a folga. Fiz gelo à tarde, e fui comer um salgado com refri. O almoço.

Esse negócio de empreender realmente traz satisfação. Algo como estar ali produzindo, depois ver o resultado. Vender e ganhar dinheiro. E também os elogios no sabor de algo que você fez. Deve ser assim que se sente as duas confeitarias aqui da periferia. Uma delas, é de um rapaz. Teve apoio do pai para empreender.
O pai, cabeleireiro de um desses salões dois irmãos de subúrbio, abre uma confeitaria para o filho começar. A questão da loja própria fornecer um ambiente de status pra tirarem selfies, permite que se cobre caro. 
A quem tem, mais lhe será dado. 

O domingo, passei o dia praticamente sem comer e comprei um bolo recheado à tarde. Felizmente, não fiz maiores gastos. Me controlei. Antes, fui de bicicleta na casa do primo perguntar a viabilidade de guardar os mousses ali. Disse, "vamos ver aí". Ofereci 40 mangos. Deve cair como uma boa, agora que nasceu o filho.

Vamos ver.

De volta em casa, faço algumas anotações e abro o instagram. 
Abro o instagram, e realizo que todos estão curtindo. Caloura de farmácia, da RHM, tá se forçando em panelinhas no condomínio alheio e postando stories. Será que o FA, um dia, também vai poder fazer parte de uma panelinha?
E quanto a mim? Será que poderei fazer parte de uma panelinha? Viver a vida universitária TM? Tem uma questão estética. É bom cultivar uma barba. Hidratar o cabelo, ao invés de cortar, coisa que ainda não estou fazendo. É luxo. E tem a questão do celular, recuperar meu android.

Enquanto isso, o beta social namora uma de 18 anos. Quinta, quando fui deixar os mousses pra gelar na casa de parente, eis que vejo Db, da RHM, dançando quadrilha coladinho com o paixão, agora aprendiz de marinheiro, e outros colegas do bradesco. Falarei mais no balanço do mês. 

Eles estão vivendo.

Estou a fim de voltar com todas as matérias no 2019.2 mas já vi que vou gastar com xerox, se ainda não tiver comprado o android até lá. Tem alguns conhecidos nessa turma, me reunirei com eles. O objetivo-mor continua sendo os 8k reais, para poder viver a vida universitária TM, nem que seja por um mês. Apartamento, lazer em turma after prova, roleplay nos stories, academia. Essas coisas.
Segunda-feira. Hoje tomei banho e me preparei para vender na UF. Fui pegar os mousses, e verifico que vendi mais 10 para parentes. Quando fui no caminho, noto que o pneu traseiro estava furado. 15,00 para trocar. O aro também andou amassando uma vez, mas tô segurando com umas marteladinhas. Espero que não dê, problemas.

Sigo pro RU, basicamente com dois sabores de mousse. Mas vale a pena, mesmo que pra testar guardar no congelador do CA e fazer a marca conhecida. Cresça e apareça.

Só que hoje era feriado.
Feriado. Eu devia saber. Sendo assim, apenas esperei pra almoçar e ir pra casa.
No caminho, parei na biblioteca: aquela que estudei para medicina, nos idos de 2016. Aproveitei pra economizar o dinheiro que seria gasto na lan house.


Abraço do Futuro Alfa, em protocolo cem.
Até a próxima.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

O plano continua

A semana.

Dia chuvoso. Fui de ônibus para o RU e gastei uma nota preta com passagens. Depois do almoço, lurkar no lab. Fiz o post. Vi uns vídeos, assisti ao novo filme de x-men. 15hs dei uma pausa e fui na cantina lanchar. Café, bolo de cenoura, empada doce. É difícil continuar a fazer gastos como esse. Não é como se tivesse dinheiro para fazê-lo todo dia. A grana tá encurtando.

Sexta-feira. Hoje é o quarto dia consecutivo em que está chovendo direto. Nuvens pesadas. Mas não chove em torrencial. Só por isso, o barraco não está tão alagado.

Comprei dois salgados e um refri para o almoço. E fiquei lurkando no pebinha. Além da chuva, teve essa greve, portanto não fui pro RU.
À noite tem o último encontro de uma optativa que pago. Um arraiá num condomínio. 15 reais a entrada. Eu ia depositar o dinheiro, mas desisti na hora. Ia ficar só com 40 reais. Não dá pra aceitar ficar nessas condições.

Dessa forma, provavelmente não vai dar para fazer suspensão a posteriori, se eu for reprovado nessa optativa. O que pode comprometer a bolsa alimentação no próximo semestre (e deixar meu histórico uma merda). Mas não importa. Tenho interesse em matricular apenas uma matéria no 2019.2. Vou ter que desembolsar 100 reais por mês com alimentação. Provavelmente.

Só vou voltar a sério na grade curricular quando comprar meu android e um notebook. 

Para isso, preciso fazer trades.
De tarde, boto o pebinha para carregar e vou dar um passeio de metrô. Pra passar o tempo. 

Pra lá, pra cá. E pra lá de novo. Nisso, eu vi novamente aquelas duas lésbicas. Uma sem peito, brinco argola, cabelo curto, estilo tomboy (o tom de pele e os traços ainda eram femininos). A outra, cabelo pintado de ruiva, também magérrima. Ambas com piercing bufalo no nariz. Attwhores. 

Lembro que já tinha visto as duas noutro dia que tinha ido almoçar no RU. Na ocasião, a água de salsicha estava acompanhada da mãe (pelo menos, eu acho que era). Uma senhora estereótipo dessas aposentadas de subúrbio, que frequenta alguma igreja pentecostal. Dava pra notar que estava sem jeito, pela orientação da menina. Mesmo assim, conivente. Bancando a tintura, o piercing, a tatuagem. Imagino que seja isso, porque é similar ao que acontece com minha mãe e meu irmão lá na capital. 

Enquanto a tomboy mexia num samsung, notei que a água de salsicha tinha em si um olhar inseguro. Conversando qualquer coisa pra desviar e reparar em quem estava olhando. De forma que não me senti intimidado. Então achei que as duas eram mesmo suburbanas emergentes.
Mas então, eis que hoje, o metrô para lá na outra cidade, e vi quando as duas desceram na estação. Entraram em um Cruze LT vermelho, que já estava as esperando.

Disapointed, but not surprised. É claro, eu devia saber. 

Por que eu estou contando isso? Por nada, nada em especial. Por que sou lurker.
Desço de volta na estação. A tarde estava nublada, mas só voltou a chover pela noite. Voltei para casa e esperei dar 18hs para fazer um trade. Deu 14,43, então é um lucro de 10 reais. Farei mais mousses para vender também, quando voltar a ensolarar.

Preciso comprar meu android o quanto antes. Não faz sentido voltar com todas as matérias em 2019.2 sem ter no mínimo um smartphone. Smartphone + notebook seria o ideal.

Pois agora eu vejo, olhando para toda essa miséria, os cupins na parede, o piso cheio de lama, as teias de aranha na janela, e todo o lixão que é o quintal.. percebo que a maior necessidade agora é ter uma moradia digna. 8 mil reais. Apenas 8 mil reais e já poderei pagar alguns meses de aluguel. É o tempo que dá para vender bolo no pote e outros lanches a fim de manter isso.
Este sempre foi o plano, não sei porque vendi o android. Dava pra manter-se nos estudos. Ou melhor, não dava não. Na época, eu tava sem um tostão pras passagens. Indo de bicicleta. Suando no sol quente. Pardando. E isolado nos grupos do HU e da UBS.

Foi uma decisão acertada. No fim das contas, mesmo minha turma original vai se formar em 2023.2.

Não importa que tenho repetido um ou dois semestres. No que interessa, vou estar sempre como é pra ser.

Bem, por hoje é isso.

Abraço do Futuro Alfa, em protocolo cem.
Até a próxima. 

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Venda de mousses

A semana.

Quinta iniciei a venda de mousses. Guardei na geladeira de parentes, e eles compraram alguns. Eu estou a fim de fazer sabores premium, mais elaborados, o que vai custar mais tempo e algumas aquisições. Por enquanto, devo continuar nos clássicos. É o dinheiro de lucrar para o concurso.

Sim, pois decidi fazer mesmo o concurso. Tem um mês para estudar e dez dias para pagar a inscrição. Como estou muito de bobeira, sem nada melhor para fazer, creio que vale a pena fazer um esforço. Cada mousse vendido, é dez páginas impressas da apostila.

Só que tem que pagar a inscrição antes.

Vale o investimento porque preciso de uma renda, de mil por mês. Pagar 80 e mais 80 aparenta ser um desperdício, mas pode ser que continue recebendo cem reais em cada mês. Tem como recuperar.
Depois, à noite, gastei 7 reais em tapioca e guaraná. Não devia ter feito isso. 7 reais são 70 páginas impressas de apostila. Restrição e compromisso. Lembre-se: limitar-se ao protocolo cem. 

Domingo dei uma olhada no quarto e verifico que os cupins já fizeram uma listra de parede a parede. Desgosto. Essa é nova. Tem um foco atrás do guarda-roupa. Não sei como me livro disso. Talvez raspar e tocar fogo. Devo chamar a dedetização?

Logo pela manhã, saio para comprar um salgado e refri, no mercado. Também um abacate. Como previsto, sábado e domingo são dias que mais tem gastos.

Na volta, passo em frente à uma assembléia. É aquela dos escoteiros. Ouço barulho de bola quicando no chão, no terreno atrás. São 8hs e percebo que a manhã está com uma temperatura agradável. Me bate um sentimento de falta. São jovens adolescentes, ranço-girls, que estavam ali. Em grupo, curtindo. Queria ter essa sensação de pertencimento, mas mesmo agora ou nos meus quinze anos, não acho que seria incluído (como não fui). Eu sou feio bem diferente.
A Is que teve e tem isso. É uma ranço girl da RHM. Também frequenta a mocidade da Assembléia, atrás de betas para orbitá-la. Afinal, é uma attwhore. Certa vez, viajou com amigos para um show cristão numa cidadezinha de Minas, e foram muitas fotos na estrada. No caminho. Lady, hear me tonight.

Que feels. Isso faz falta. Parece uma coisa que nunca terei. Digo, por causa dessa expectativa de concretização da INWO.

Será que teremos um Nesara agora em Julho? O que eu entendo por Nesara? Sumir com todo dinheiro da sua conta. Sumir com suas dívidas. Um Mr. Robot happening. Se for, é uma bad. Não tem como se preparar a tempo. As coisas estão acontecendo mais rápido do que o esperado, pelo visto. 
Eu não vou voltar a cursar medicina à serio. Apenas me matricular em algumas matérias, para manter o RU. Não porque eu não queira, que fique claro. Mas porque é um investimento de mais cinco anos. E os tempos estão mudando muito.

O objetivo é fazer concurso, dar entrada em um carro. Com um carro, poderei dar trades, ou pelo menos enquanto não implementam a automação 4.0 na totalidade dos supermercados. Também poderei trampar de Uber, e empreender honestamente. É a meta.

Abraço do Futuro Alfa, em protocolo cem.
Até a próxima.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Lidando com a depressão

A semana.

Alguns gastos saíram ainda no mês de maio. Por ligação, minha mãe já disse que não depositaria cem reais em junho. Então tive que liquidar a posição nos trades. É uma pena, contava com esse dinheiro para pagar a inscrição e estudar a apostila no lab-info. Eu me dedicaria ao máximo e tenho certeza que em setembro, já estaria empossado, tal a minha dedicação.

Mas não. Em vez disso, ela prefere pagar 200,00 no curso aux. admin. pro meu irmão. Não concordou em atrasar uma parcela, ao menos. E também anda procurando emprego.

Já que é assim, tudo bem. Não posso fazer nada.

No lugar de concurso, continuarei juntando dinheiro para recuperar meu android.
Domingo amanheceu tranquilo e comfy. Acordei 8hs, e o quintal estava silencioso. Mas depois, vi que o paraíba não foi trabalhar, e logo previ que ligaria o som em breve. Dito e feito. Um sertanejo 1 2 3, pior que universitário. O paraíba incoveniente consegue estragar o meu domingo. 

É sempre assim. Para não ficar ouvindo, sai de casa. Dei um tempo pelas ruas. É inacreditável, não poder ficar sossegado dentro da própria casa, por ter quintal compartilhado. 
A primeira posição de trade que liquidei foi na sexta. Deu 72 reais. E a segunda no sábado, dia de champions. Nesta oportunidade, tive que ir pro shopping, e gastei uma grana preta com passagens. Eu ainda não fiz a nova carteira. E também estou devendo um boleto do RU.

Antes de ir pro shopping, eu estava lidando bem com a depressão. Havia construído um mundo particular para fugir da realidade medíocre. Chamo de fuga psíquica. Estava indo bem. Mas ver beckys e ranço girls no Mc'Donalds me fez ver como estou desperdiçando minha juventude. Não estou vivendo.
Uma ruiva 1,60m classe média, tatuagem no braço, caminha na calçada sombreada de uma avenida nobre. Na mão, um milkshake do Bobs. Confere o instagram, despreocupada. Diva e plena, retorna para seu condomínio. 
Naquele sábado eu fiz compras pela manhã, para ajeitar os mousses. Em breve estarei vendendo. À noite, pousei na lanchonete. Tapioca e guaraná do amazonas foi meu jantar, observando a rua e refletindo. Vi dois namoradinhos: um moleque de quinze anos, e uma becky magra causasiana. Ambos +1,70. Lembro que ele era menor do que ela, mas já está crescendo um pouco mais.

De relance, vi o olhar do moleque. Abraçadinho com a menina ranço, cheio de brincadeiras, tinha em si, um olhar autoconfiante, meio boçal, hunter eyes se formando. Mas era apenas um magrelo, então "pergunta". De onde veio essa autoestima? Sim. Uma adolescência vivida na fase correta. A primeira namorada, uma becky magrinha inexperiente. Ambos se descobrindo. Momentos fundamentais para a formação da autoconfiança.
O olhar de incel e o olhar de autoconfiança é farejado de longe. Por todas as pessoas. Não tem como emular ser autoconfiante. É necessário viver as experiências.
Parece que vou passar o mês com cem reais, apenas. Lucro dos trades. Precisa cair a ficha de que não posso jantar na lanchonete toda noite. Durante a semana, farei apenas uma refeição por dia, no RU. Sábados e domingos é um pouco mais complicado. É necessário gastar. Podia almoçar no RU, mas estou com um boleto atrasado. Devo pagar antes de por mais créditos.

No domingo, ao voltar da caminhada, fiquei lurkando na net, naquele Wi-Fi Net Claro com propaganda. O severino parou com o som alto, mas depois voltou de novo, entre intervalos. Realizo a pobreza e miséria que é esse lugar. Olho para os meus pés, criando casco e rachadura e me assusto. Não com a cena, mas por, pela primeira vez, realizar que posso nunca sair desse mar de lama.
FA realiza, pela primeira vez, que talvez possa nunca sair da pobreza, perpetuando esse ciclo de miséria.
Se ao menos, eu já tivesse um carro, saberia o que fazer.

Domingo a noite, ponho o pebinha para carregar e vou jantar na lanchonete. Duas tapiocas recheadas e guaraná do amazonas. Em um determinado momento, passa o filho do vizinho, e sua irmã. O primeiro, está bem crescido, mais de 1,80m, e desejável aos olhos. A irmã também mais alta. Um pouco gordinha, e cara de sono ou de sonsa.

Eles seriam emergentes em um bairro classe média. Mas se destacam ali na periferia. O pai deles é dono de concessionária. Levam uma vida com muita estabilidade, em meio aos passa-fome locais. Certamente, o que contribuiu para os filhos ficarem soberbos. Com o ar da classe média.
O moleque jogava bola conosco, quando pequeno. Tímido, não dava um pio. Hoje, escuto a voz dele, quando briga com as irmãs, ou a mãe, na parede do quintal. Voz bem boçal, característica de quem se criou em colégio particular. Sim, ter se criado sem nenhuma privação molda a personalidade.

Volto pra casa com esse pensamento em mente. Não há solução para a depressão. Apenas ter e usar o dinheiro para forçar experiências é possível resgatar um pouco da autoestima.


Abraço do Futuro Alfa, em protocolo cem.
Até a próxima.