sábado, 31 de dezembro de 2016

Serie balanço do ano - 100k de aporte [SQN] e demais projetos

Foi assim minha virada do ano de 2016. Socado em casa, ouvindo música de balada numa rádio, acho que Marinha FM. A TV ligada no show da virada da globo, que eu nem presto atenção.

Por pouco e eu não ia para essa vigília de final de ano, de uma igreja. Tem uma garota lá que gostaria de me ver, mas não vai rolar agora não. 

Vejo na TV as tomadas pelas capitais do litoral. Gostaria de saber como é nas cidadezinhas.


Faltam vinte dias para o SISU. Eu já tô de olho nas cotas e quais documentos serão necessários para pedir a L1 ou a L3, no caso (escolas públicas e baixa renda). Ano que vem minha mãe viaja para a capital, com meu irmão, e eu volto para o antigo barraco. É um barraco destruído, de dois cômodos, e não tem luz elétrica. Amanhã vou adiantar a mudança.

Ano novo. 

Minha melhor opção para poder me dedicar ao curso de medicina é concorrer as vagas de residência no campus. 

Eu sempre quis ter essa experiência de república, tipo filme americano. 

Se eu puder acumular duas bolsas, essa da residência e outra de iniciação científica, vou ficar mais folgado. 

FA
Vamos fazer o balanço de 2017.

Macro-projetos

Aprovação medicina 2017.1 (em aberto)
Video motivacional de fim de ano (fracasso)
Habilidade média no violão e canto (fracasso)
Natação, voley e taekwondo (fracasso)
CNH A, B (para expansão das bibocas) (fracasso) 
100k de aporte (fracasso miserável)

Mini objetivos

treinamento dicção e projeção vocal (Não)
imagem ordeira (necas)

Eu fico abaixando minhas expectativas pro futuro e penso seriamente em um concurso de cidadezinha nível fundamental, para viver isolado da sociedade, num modo semi hikikomori à parte da sociedade.

Numa cidadezinha eu seria feliz. Gente simples. Ruas simples. Emprego simples. Casa simples, alugada. Eu viveria meus dias entre aportes minguados, lendo livros e escrevendo fanfics toda noite. Os aportes não seriam grande coisa, mas quem sabe no fim daria pra juntar 100k e aplicá-los numa Selic ou tesouro direto, e ter uma renda livre de 700,00 de aposentadoria. 

Se eu tivesse 100k agora, já largaria tudo pro ar e viveria à parte da sociedade. Com desgosto velado, mas conformado, e observando-a pela janela.

Forte abraço.

Serie balanço do ano - 100k de aporte [SQN] e demais projetos do ano

Assim tem sido minha virada do ano de 2016. Socado em casa, ouvindo música de balada numa rádio, acho que Marinha FM, a TV ligada no show da virada da globo, que eu nem presto atenção, só fico vendo quando aparece as tomadas dos shows pelas capitais brasileiras. Corajosos esses jornalistas, tendo que estar trabalhando na virada do ano. Mas é só um dia como qualquer outro, e eles ganham bem, o suficiente para aproveitar as férias com o estilo da classe A+. Por pouco e eu não pensava em ir para essa vigília de final de ano, aí dessas igrejas neo-pentecostais. Tem uma mediana ajeitadinha lá que gostaria de me ver, mas não vai rolar agora não, pelo menos não hoje. Sei lá, acho muito demagogia barata o papo desses pastores. "Sua vida vai mudar, vai deixar o sofrimento, os vícios, num sei lá mais o quê" para trás. Sério que alguém ainda acredita nisso? 2017 vai ser arrochado para as massas trabalhadoras, quem era amador em se fuder vai ser profissional, e quem era profissional vai ser especialista. Agradeçam a corja de políticos (preciso dizer?).

Aí eu falei que via a TV apenas para ver as massas festejando nas demais capitais do país, certo? É que eu queria saber como é a situação nas cidadezinhas adentro dos estados. Conheço uma branquinha ajeitadinha de óculos, que certa vez veio à capital para o mesmo curso de IC que eu fazia, e confessou que queria me namorar. É claro que eu não aproveitei a chance, mas nem era o caso. Tem outra aqui do RS que fica me chamando pra papinho na web. Mas eu sei que só penso em ambas, na imaginação, mais do que realmente é na realidade, apenas para suprir a carência, que eu nem quero que seja suprida. Por quê? Porque mulher não é indicativo de alfismo não, eu já falei aqui várias vezes. Poderia ser o pirocudo-mor comedor de vaginas e ainda me achar um lixo se não melhorar em outras áreas, se não cumprir meus objetivos para ascender de classe, como por exemplo, passar em medicina.

Por falar em passar em medicina, faltam vinte dias para a porra do SISU, cambada. Eu já tô de olho nas cotas e quais documentos serão necessários para pedir a L1 ou a L3, no caso (escolas públicas e baixa renda). Eu só não gostaria de ter de usar a baixa renda por conta que tem que arrumar os contra-cheques e extratos do meu pai, e nós não somos do tipo que se fala. Ano que vem minha mãe viaja para Fortaleza, com meu irmão, e eu volto para o barraco lá, na medida do possível, basicamente para não dormir na rua à noite. É um barraco destruído (acredito que eu tenha falado o porquê, não lembro direito) e um outro tio chimpa já está querendo ocupar lá. E não tem luz elétrica. Amanhã mesmo vou limpar as coisas lá, lavar e deixar umas trampos pensando em adiantar a mudança, até para dizer que já está ocupado. Mesmo assim, minha melhor opção para poder me dedicar ao curso de medicina é concorrer as vagas de residência no campus. Antes eu queria pedir o auxílio em dinheiro, porque aí eu compraria de livros também. O jaleco, as camisas. Mas é muito melhor morar mesmo nas residências, eu sempre quis ter essa experiência de república, tipo filme americano. E de quebra, se eu puder acumular duas bolsas, essa da residência e outra de iniciação científica, pelo menos, eu vou ficar mais folgado. Quer dizer, vai ser muito melhor para mim, ter espaço adequado e tranquilidade para estudar como maníaco, e marcar as melhores notas da turma, já pensando em uma futura residência.

Aliás, outro fator que eu espero que não mas... é o seguinte: para ser da turma do primeiro semestre, tem que passar nos primeiros seis lugares para a sua cota; Se eu ver que passei de sexto na cota L3, serei obrigado a passar pra L1, porque eu quero a turma 2017.1, preferencialmente. Mas eu espero que L3 já dê pro gasto.
Futuro alfa, bostudo bostão, depois que passar em medicina e pagar de gatão com a o jaleco do curso. Aquela mediana ajeitadinha vai ver só... ah

E agora, vamos falar do outros projetos do ano e fechar esse balanço, finalmente.

Macro-projetos

Aprovação medicina 2017.1 (em aberto)
Video motivacional de fim de ano (fracasso)
Habilidade média no violão e canto (fracasso)
Natação, voley e taekwondo (fracasso)
CNH A, B (para expansão das bibocas) (fracasso) 
100k de aporte (fracasso miserável)

Mini objetivos

treinamento dicção e projeção vocal (Não)
imagem ordeira (necas)

Adendo: a promessa de 1 mês de nofap, esse de dezembro, eu cai no quinto dia, ou seja, também fracasso. Mas depois eu só voltei a bater depois de uma semana, depois o intervalo aumentou, sendo que já não havia mais o gosto nem fetiche da coisa. Punheta pra mim se tornou uma coisa depressiva, em que eu sinto e vejo todo o ridículo que é o sexo, torço pra gozar logo e agradeço por não ter feito com uma mulher na realidade. Seria ainda mais desagradável se arrepender com isso.

Porra. Essa merda de ano, só realidades duras. Eu fico abaixando tanto minhas expectativas pro futuro, que penso seriamente em um concurso xexelento de prefeitura de cidadezinha nível fundamental, para viver isolado da sociedade, num modo semi-zumbi. Numa cidadezinha eu seria feliz, gente simples, ruas simples, emprego simples. Casa simples, alugada (foda é que o aluguel tá caro) mas eu viveria meus dias entre aportes minguados, lendo livros e escrevendo fanfics toda noite. Os aportes não seriam grande coisa, mas quem sabe no fim daria pra juntar 100k e aplicá-los numa Selic ou tesouro direto, e ter uma renda livre de 1k de aposentadoria. Quem dera eu tivesse 100k agora, já largaria tudo pro ar e viveria à parte da sociedade. Com desgosto velado da sociedade, mas conformado, e observando-a da janela.

Forte abraço chimpas. Que 2017 seja de menos fracassos e possa reservar alguma alegria singela de cada vez.
(Continuo vendo aqui as festas pela TV, pqp o Rio, rsrs)

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Série Balanço do ano ─ O fracasso em implantar a rotina social

Além do vídeo motivacional de fim de ano e o cruzeiro marítimo no início de 2017, havia também uma expectativa muito grande em implantar a esperada rotina interessante 1. 

A rotina envolvia o aprendizado de habilidades média no violão e o treinamento de dicção e projeção vocal. Tinha também o projeto de imagem ordeira.

Imagem ordeira 

Se tivesse praticado mais esportes na fase de crescimento, hoje seria um beta comum.
Compensação de danos.
- Imagem ordeira (limpeza, hidratação, etc) 
- Habilidade média no violão e canto

Há quem abra o espelho do banheiro e encontre dezenas de cremes, esfoliantes, hidratantes, tônicos, tudo receitado por dermatologistas de primeira, e de mês em mês façam limpeza de pele. Nem tudo é pura genética.


Eu pretendia fazer cuidados estéticos com produtos naturais. Esfoliação com açúcar, hidratação com mamão, e começar a tomar colágeno hidrolisado. 

É importante termos hábitos saudáveis desde cedo, suplementar com multivitamínicos e colágeno hidrolisado.

Antes de ter recursos para começar a primeira biboca, eu passei dois anos e meio apenas mentalizando. Só consegui o dinheiro porque servi 1 ano no exército.


Esse estilo de vida de ficar curtindo shows culturais grátis ou baratinhos quando acontecem na cidade, é o que um amigo meu do fundamental colocou em prática. Você não gasta nada e aparentar ter mais valor.

Na prática, os devaneios de implantar uma rotina social foram um fracasso miserável. Mais um.

Depois desse fracasso, recolhi os cacos e desencanei. 

Até a pŕoxima.

Série Balanço do ano ─ O fracasso em implantar a rotina social

E não é só o vídeo motivacional de fim de ano e o cruzeiro marítimo no início de 2017. Havia também, em meus projetos para 2016, uma expectativa muito grande em implantar a esperada rotina interessante 1. Ela envolvia entre outros, o aprendizado de habilidades média no violão e o treinamento de dicção e projeção vocal, que seriam usadas para ser o centro de rodinhas sociais aborrescentes. E tinha também o projeto de imagem ordeira, ao qual vou explicar agora.

Acredito que uma das maiores dores betísticas compartilhadas por todos os JPBFs seja a da baixa autoestima, resultado derradeiro de humilhações psicológicas sádicas, exclusões no mercado sócio-sexual de todo tipo, perpetradas por merdalheres e pela sociedade eugenista de maneira geral. Muitas vezes crescemos com déficits de nutrientes essenciais na infância, além de já nascermos com uma genética lixo, que fazem muita diferença na fase adulta. Basta uma rápida caminhada por centros urbanos, como shoppings e ruas de lojas comerciais, que reúnem todos os naipes de classes sociais, para poder ver a posição que você ocupa na pirâmide social da cidade em que você mora. Aqui eu sou um ômega, mesmo nos bairros de classe emergente, embora seja um beta mediano nas periferias imundas. Se tivesse praticado mais esportes na fase de crescimento, hoje seria um beta comum. Triste.

É por causa disso que me vem umas ideias de compensação de danos, típica de betas mentais lixos. Lembro que, quando ia para a escola no ensino médio, eu preferia sentar lá no fundão no ônibus, mesmo quando estava vago. Isso por ter uma auto-estima baixíssima. Ainda pior: na volta para casa, a fobia social me levava a fazer baldeação, para não pegar o ônibus lotado, nem esperar em pontos de aglomerações. E o que isso tem a ver com compensar danos? Sim, pois revendo os cadernos de rotina, reli uma passagem em que esperava, em algum momento, apenas pegar o busão num sábado à tarde  (isso depois de feitos as checagens de uma imagem ordeira, claro) só pela sensação de pegar o ônibus sendo o mais bonito. Livre de bloqueios sociais, livre de timidez, travas sociais, e com o sex appeal lá em cima. Passaria a roleta e sentaria na frente, sem ser a janela, para ficar visível para os passageiros que forem entrando, e ir desfilando gostosinho quando na hora de pedir parada.

- Imagem ordeira (limpeza, hidratação, etc) 
- Habilidade média no violão e canto

Como dizia o pobretão, “não existe gente feia, existem pessoas sem dinheiro”. É incrível tudo o que vi nos anos de ensino médio, e vira e mexe, na universidade - nos dias que passava por lá. Loirinhas com pele de seda, alfas playboys que parecem que não suava, enquanto eu, por qualquer coisinha, como sair de uma sala com ar-condicionada ou andar nas ruas, já fico com o rosto ensebado, imundo. Isso já foi motivo de neura para mim, ainda mais para um pobretão que não conhece o mundo de cosméticos usados pela classe média. Mas hoje eu sei que são cuidados estéticos: uns porras desses abrem o espelho do banheiro e deve ter dezenas de cremes, esfoliantes, hidratantes, tônicos, tudo receitado por dermatologistas de primeira, e de mês em mês fazem limpeza de pele. Não dá para dizer que já nasceram assim. Nem tudo é pura genética.
Enfim, de qualquer jeito eu pretendia fazer cuidados estéticos com produtos naturais: esfoliação com açúcar, hidratação com mamão, e começar a tomar colágeno hidrolisado. É importante a gente ter hábitos saudáveis desde cedo, suplementar com multivitamínicos, et cetera, para estender mais um pouco os anos de alfismo que tem os homens após os trinta anos (a idade mágica dos realistas, não é? Pois bem, se o cara não cometer tanta cagada, pode não ser alfa financeiro, mas também não passará fome). Pena que não tenho um tostão agora para isso.

É bem legal o que eu esperava ter de rotina interessante 1, ainda este ano. Coisas aqui escritas que dão picos de dopamina só de ler ─ sei porque eu ficava imaginando quase todo dia, esse cotidiano não digo de “alfa”, mas um cotidiano satisfatório. Domingo, por exemplo. Levantaria bem cedo para preparar as bibocas, colocando um ou dois no máximo, para levantar um troco só pela manhã ─ afinal, é um domingo ─ enquanto depois eu iria para o círculo antigo e aceito, de bicicleta, passando por uma pracinha arborizada aqui do bairro, e com uma das muitas peças de roupa Arbercrombie, Hollister, Aeropostale, que eu haveria de ter importado no esquema shipping. Long sleeve, hodies, docksiders, sabe, playbozando mesmo (para a realidade de uma periferia, digo).

Na saída faria um lanche no supermercado em frente. Quem sabe um suco e unma tapioca? Nem faria diferença no bolso, recuperei as bibocas e vi que meus “sócios” levantaram um troco que cobriram os gastos e ainda sobrou para almoçar fora. Restaurante chinês, frequentado por putinhas da classe média que se acha elite, e casados com ranhentos mimados de smartphone da moda. Pego a agenda, já marco com duas medianas apresentáveis e mais um colega para balancear o grupo. Nos encontramos no local, e eu vou acompanhando da mais gata, de busão mesmo. Deixo que eles tirem as fotos para pagar de descolados no face (ora, se não querem) e não preciso nem dar a ideia.
Na sequência, passo no shopping, levo o notebook para a livraria e fico pesquisando assuntos de interesse no wi-fi. Videos tutoriais com foco em importação, métricas de violão; ou gravações e edição de vídeo, já pensando em guardar um trocado para bancar os materiais de audio-visual. Olho no relógio, deu 15hs. Peço um croissant na cafeteria da livraria cultura, antes de ir para a praia. Vou pedalando, sentindo o ar fresco, sem nenhuma preocupação betística travando meu comportamento ou conversa. Tomo um delicioso banho de mar, meto uns sprints de natação, e barras no calçadão da via costeira, tudo em uma hora ou menos, voltando a tempo de aterrisar de volta no círculo antigo e aceito, no por do sol, para mais uma com os jovens. Violão, conversa fora, vou aumentando mais meu sex apeal e VS nesse micro-universo social, já preparando terreno para levar uma de cada vez, toda vez que surgir um show de graça, desses culturais na cidade.

Como já falei em outro post, esse estilo de vida de ficar curtindo shows culturais grátis ou baratinhos quando acontecem na cidade, é o que um amigo meu do fundamental colocou em prática. E deu certo, mesmo sem gastar muito você consegue frequentar diversos programas sociais e aparentar ter mais valor do que realmente tem, nas redes sociais ─ o que também pode ser usado para catapultar outras saidinhas (se pegar o contato delas). Esse meu amigo do fundamental estudou com umas integrantes de uma banda daqui que ficou nacionalmente conhecida no Superstar ─ assim como eu também estudei na mesma sala que uma delas ─ e é deveras antenado nos eventos de âmbito regional que rolam na cidade, o qual eu pretendia começar a frequentar durante esse ano ainda, primeiramente sozinho, sabendo os esquemas, e depois levando umas pervas em 2017.

Fracasso miserável. Mais um.

O interessante é que, agora, recolhendo os cacos, vejo que isso não me interessa mais. Tô fechadão com o modo rica, e acho que não tem muitas expectativas para um JPBF ômega querer se tornar um alfa social falastrão/gostosão, porque isso é bastante improvável de acontecer. O máximo que podemos esperar é frequentar uns nichos mais podres do que a nossa condição, e se sentir menos lixo com umas experiências simulacros. Disse certa vez o pobreta: “a vida é só uma arena em que o que realmente importa é estar melhor que os outros”. O resto é pura hipocrisia.

E quem sou eu pra discordar?

Até a pŕoxima, chimpas.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Série Balanço do ano ─ O Natal de um JPBF


Então é Natal. Particularmente, eu nem sinto mais o clima dessa data. 

Mesmo as pessoas parecem que não estão comemorando tanto quanto antes. É incrível como algumas máscaras estão caindo, pouco a pouco. 

Na infância, lembro de cenas onde havia um clima natalino maior, onde programações na TV aberta faziam a alegria de crianças pobres que nem conheciam outras opções de entretenimento. Episódios especiais de Natal de Cocoricó.

Eram épocas mais simples.

Vamos começar a série sobre o balanço do ano. Os projetos que fiz para mim desde o início do ano. A expectativa, o andamento, a força que coloquei neles. O que deu certo e o que falhou.
O planejamento das bibocas, a expectativa de desenvolvimento social e o vídeo motivacional de fim de ano. Está tudo anotado e detalhado nos cadernos de rotina. Projetos que escrevi precisamente no dia 30 de Janeiro, no evernote.

De onde viria o patrocínio de tudo isso? Do lucro de bibocas, às quais  eu já havia abandonado quando comecei a estudar para medicina. E também pelas dificuldades que encontrei no caminho. 

No papel era muito simples. Eu começaria com um pequeno investimento, e todo mês, com o próprio lucro das bibocas, investiria em outras.

Tiraria a CNH quando tivesse um montante, compraria uma moto equipada com trailer e lona para transportar as bibocas com agilidade. 

Alugaria uma casa próximo aos pontos de venda, em ruas de bairros comerciais. 

E me encarregaria do preparo, do transporte ida e volta, da pausa do almoço dos meus vendedores, e do fluxo de caixa. Eles, todavia, só precisariam comparecer ao local para vender. 

Ia ser o bixo!, eu pensava. No papel, em quatro meses me garantiria um lucro limpo maior do que 6k mensais.

Na prática eu comecei a lidar com o envilecimento do trabalho. 

Envilecimento do trabalho é quando o trabalho ambulante é visto como atividade inferior pelas pessoas. 

O faturamento foi muito minguado. Depois de um mês comandando a biboca, realizei que se desse meio salário mínimo já era pra glorificar. 

Percebi que os únicos pontos estratégicos que dão lucro é nas portas de universidades, e esses locais já são muito disputados, de dia e de noite.

A rotina interessante.

Eu esperava fazer muita coisa com esses lucros supostos. Separando 2,5k dava para fazer muitos ups sociais: clareamento, hidratação, depilação, peeling, limpeza de pele; aulas de violão e guitarra; aulas de natação, esportes e artes marciais; importação shipping de roupas; e uma dieta hipercalórica nutritiva com foco no ganho de massa magra. 

É o que constitui a rotina interessante, capitalizadora de valor.


Interessava também aprender a edição de vídeo, influencer digital.

A partir disso, reuniria todas em torno de um projeto de vídeo de fim de ano, seguindo a ideia de publicidade inspiração, de marcas conhecidas.

Euforia, trabalho de criação e satisfação da exibição. Fortalecimento de laços sociais. Aumento de valor.


Todos esses projetos foram um fracasso miserável! 

Não deu nem para o começo da ideia. Um projeto assim precisa de um suporte financeiro preparado, material, pessoal e uma personalidade pró-ativa liderante que ainda teria que ser desenvolvida. 

Mais uma ideia que não pôde ser colocada em prática pelas limitações de um JPBF.

A verdade é que a limitação financeira impede de sair do ostracismo. Os fracassos se retroalimentam numa espiral viciosa.

Dizem que o que não te mata te torna mais forte. Mas eu penso que cada bordoada só te coloca mais para baixo. Prejudica sua autoestima, mina sua autoconfiança. 

Consequentemente você vai fazendo concessões, baixando as expectativas. Até aceitar que não é possível. 

Um ômega pode procurar se desenvolver para ser “menos merda”. Por mais que se desenvolva.

É importante estar bem consigo mesmo e com os escapismo que se tem disponíveis, para não viver amargurado, invejoso e reativo.
Feliz Natal.

Série Balanço do ano ─ O Natal de um pobretão JPBF

Particularmente, eu nem sinto mais o clima dessa data. Mesmo nas caras dos trabalhadores assalariados do sistema, parece que não estão comemorando tanto quanto antes. É incrível, algumas máscaras estão caindo, ainda que descortinando pouco a pouco. Na infância, lembro de cenas onde havia um clima natalino maior, onde programações na TV aberta faziam a alegria de crianças pobres que nem conheciam outras opções de entretenimento. Episódios especiais de Natal de Cocoricó (PQP) e filmes de cinema que nunca passariam na grade das emissoras durante o ano normal eram meu ópio que entorpecia as mentes e não as deixava enxergar o monte de merda em que estão afundadas. Enfim, épocas mais simples, e você pode perceber que na infância é diferente: não precisa de muita coisa para ser feliz.

Esse post inaugura a série sobre o balanço do ano. Os projetos que fiz para mim desde o início do ano, a expectativa, o andamento, a força que coloquei neles e, enfim, o que deu certo e o que falhou miseravelmente. Acompanhe-me nessa saga de retrospectiva de sonhos e frustrações, sem palavras difíceis e sem falar bonito (como se eu soubesse… sou tanso até para falar “carboidratos racêmicos”). Simplesmente um blog de desabafos reais de um JPBF entre milhares de pobretões Brasil adentro/afora com suas dores e dilemas semelhantes, e eu nem vou falar de como é o Natal e fim de ano de um alfa genético e de famílias planejadas ─ depois vocês vão saber o porquê.

Mas esse post “merdalino” eu estou incluindo na série balanço do ano simplesmente porque ele também faz parte de um dos projetos. Não dá para falar todos de uma vez, porque ficaria muito longo. Então dividi nessa série, contando aos poucos o planejamento das bibocas, a expectativa de desenvolvimento social e de outras áreas, a mudança que ocorreu no meio do ano e et cetera, sendo que se pode perceber que todos eles estão mais ou menos interligados.

Está tudo anotado nos cadernos de rotina e detalhado à rodo. Projetos que escrevi precisamente no dia 30 de Janeiro, no meu Evernote.

- Video motivacional de fim de ano 
- Cruzeiro marítimo nas férias

Na verdade, o cruzeiro marítimo, eu tenho quase certeza que já havia baixado às expectativas à essa altura e empurrado para 2017. Inclusive eu devo ter escrito alguma coisa nas notas do Evernote também. Mas vale a pena rever o devaneio.

Primeiro, tenho que explicar algumas linhas breves. De onde viria o patrocínio de tudo isso? Do lucro de bibocas imundas, às quais já falei aqui que havia abandonado quando comecei a estudar para medicina, e também pelas dificuldades que encontrei no caminho. No papel era muito simples, eu começaria com um pequeno investimento, e todo mês, com o próprio lucro das bibocas, investiria em outras e colocaria conhecidos de vista desempregados ou atrás de bicos para vender por mim. E aí tinha umas especificações do suporte: eu tiraria a CNH quando tivesse um montante, compraria uma moto equipada com trailer e lona para transportar as bibocas com agilidade, e se precisasse alugaria uma casa próximo aos pontos de venda, em ruas de bairros comerciais. Eu me encarregaria do preparo, do transporte ida e volta, da pausa do almoço dos meus trabalhadores, e do fluxo de caixa, sendo que eles só precisavam comparecer ao local para vender, e ia ser o bixo!, eu pensava. Em quatro meses já juntaria cerca de 20k e dentro de dez meses já comandaria uma rede de umas quinze bibocas, me garantindo um lucro limpo maior de 6k mensais.
Isso no papel. Na prática eu comecei a lidar com o envilecimento do trabalho. O que é envilecimento do trabalho? É quando o trabalho ambulante (trabalha para si mesmo, e ter seu próprio faturamento) é visto como atividade inferior pelas pessoas. E o faturamento? Muito minguado, eu esperava 5k por mês, trabalhando em pontos estratégicos, mas se desse meio salário mínimo já era pra glorificar de pé. Na verdade, percebi que os únicos pontos estratégicos que dão lucro é nas portas de universidades, e nesses locais já são muito disputados, de dia e de noite.

Eu esperava fazer muita coisa com esses lucros supostos, que só separando 2,5k dava para fazer muitos ups sociais (clareamento, hidratação, depilação, peeling, limpeza de pele; aulas de violão e guitarra; aulas de natação, esportes e artes marciais; peças de roupas importadas legais no esquema shipping; e uma dieta hipercalórica nutritiva com foco no ganho de massa magra) que gerariam muitas fotos no facebook, em locais estratégicos, capitalizando valor social. A partir desse apoio, eu começaria a ter uma rotina, mas uma rotina interessante, uma rotina alfa que só de pensar já libera oxitocinas e dopaminhas no organismo. Começaria a aprender a mexer com edição de vídeo para o projeto, e infiltraria com sucesso em vários círculos sociais integrados, demonstrando ser um cara de alto valor social e hobbys interessantes, inclusive bancando algumas saidinhas burguesas para meninas tirarem fotos e postarem nas redes, a fim de criar dependência. A partir disso que entraria com esse projeto de vídeo de fim de ano.
Ok. Se tudo mais der errado, nóis arruma um pé de meia e bora pros States
Seguindo a ideia de campanhas de marcas conhecidas que fazem aqueles vídeos inspiração (nike, adidas) e promos de smartphones (Sony, Microsoft) eu juntaria com esse pessoal para em conjunto elaborar uma redação com uma mensagem, pautada em encontros nas praças de shopping, que seria narrada durante a gravação das cenas do vídeo, em vários pontos da cidade. Imagine como seria a excitação de tudo isso: reuniões resenhas pagando de turma cool no shopping, engajamento em um projeto de criação para tirá-los de suas realidades medíocres, até a esperada exibição na hora do amigo secreto, sentindo a satisfação de apresentar uma novidade maior, criada em grupo, e que ninguém nunca tinha feito antes! Trabalho em grupo e recompesandor em forma de satisfação e aumentando mais meu VS nesse mesmo micro-universo social.

Fracasso miserável! Não deu nem para o começo da ideia, visto que um projeto assim precisa de um suporte financeiro preparado, material, pessoal e uma personalidade alfa liderante que ainda teria que ser desenvolvida. Taí mais uma ideia que não pôde ser colocada em prática pelas limitações de uma vida sofrida de um morto-de-fome imundo qualquer, que vieram para ensinar uma verdade: mesmo nós JPBFs pensando em formas de sair do ostracismo social e ter uma qualidade mais interessante, não podemos sair das nossas realidades de merda pelo simples fato das limitações e sequelas dos fracassos betísticos acumulados ao longo desses anos todos.
Dizem que o que não te mata te torna mais forte. Mentira. Cada bordoada da vida JPBF só te coloca mais para baixo, prejudica sua autoestima, autoconfiança e consequentemente você vai fazendo concessões, baixando as expectativas, até aceitar o destino imundo miserável inevitável para todo ômega e até beta que não se cuide. Como o beta mental não tem coragem de cometer suicídio, ele sabe que viverá uma vida de merda sem dignidade e voltada apenas para as necessidades básicas se não procurar se desenvolver para ser menos merda. Veja bem, eu disse “menos merda”: um beta pode se desenvolver mas nunca será alfa. É claro que muitos ainda sonham que serão alfas e darão a volta por cima um dia, mas a cada fracasso, a cada falha, a vida vai te colocando no lugar, e você começa a fazer concessões, ou seja, vai diminuindo as expectativas cada dia até que passa a aceitar o mínimo de dignidade aceitável para uma vida, como símbolo de vitória. É por isso que eu nem me comparo com alfa mais, temos que ser pé no chão e parar de sentir desgosto quando vemos um ator global, playboy filho de empresário ou jogador de nível mundial passando as férias em Ibiza comendo LCRs. É importante estar bem consigo mesmo e com os escapismo que se tem disponíveis no seu quarto, para não viver amargurado, invejoso e reativo.

Feliz Natal, chimpas. Paz.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Pobre de direita é foda!

Dando seguimento ao monte de devaneios, ego esburacado e controle de danos que é este blog (ao qual já falei tantas vezes que você não deve seguir, nem concordar, afinal sou apenas um beta mental tanso bostejando) hoje quero dar destaque especial à uma figura famigerada que acredito que muitos aqui já foram um dia. O pobre de direita.

Mas não posso falar nesse assunto sem tocar antes em um episódio chave que parece ter sido o estouro onde começou a se reproduzir essa massa de capitalistas sem capital como ratos em esgoto. O impeachment da presidanta, que inclusive até escrevi um post aqui em meados de agosto. A cobertura dessa porra pelos meios de comunicação foi algo descomunal, como nunca visto antes. Teve Tognolli e Professor Villa metendo o pau no PT com requintes de sensacionalismo, mas um sensacionalismo “sabido” ─ desses que entram na sua casa, respaldado por um português “canudo de universidade”, meio que querendo enterrar de vez a reputação do partido dos trabalhadores e tudo que se ligue ao socialismo/esquerdismo, para adotar, no lugar, o trabalho meritocrático como modelo de desenvolvimento para o Brasil. E o migué deu certo.

Deu certo até demais, na verdade. Hoje, olhando para trás, é evidente que tudo teve uma pegada clara de manipulação ideológica e jogada política (pra variar). Eles quase me enganaram…
Não estou defendendo o PT, não estou defendendo porra de partido político nenhum. Pra mim são tudo uns canalhas, ganham super-salários pra fazer porra nenhuma. Pior que eu não participo dessa farra, por isso odeio duas vezes. A questão não é escolher lado, mas apenas usar as facilidades criadas que mais convém enquanto idiotas-úteis ficam de conversinha mole no facecú, entrando em debates boças “Ah, Luladrão. Bolsonaro2018”. Não está claro que todos eles roubam? Porra, não tem político santo que se salve. O próprio salário dessa corja e toda a gama de benefícios é uma jeba negróide no cu do trabalhador comum. O mais patético é quando tem uns pobre de direita defendendo liberalismo econômico, livre mercado, “privatizatudo”, sendo que nenhum deles tem nem empresa e a maioria vai bater cartão no outro dia. É tipo uma gama de tansos que juntam o salário de peão para ficar pagando de patrão no camarote e se achando os tais, sendo que mal comerão mulher paty, e no outro dia precisarão acordar cedo, voltar pra senzala, e gerar riqueza ─ afinal o próximo cruzeiro do patrão, com whiskys de 120 paus e putas de luxo, não se paga sozinho.
Pode ser que armaram o golpe que tirou o PT do poder porque o trabalhador comum estava começando a galgar as classes sociais, ao mesmo tempo em que o espólio monstro da elite foi barrado um por cento. Não sei. Mas já falei uma certeza: a manutenção da miséria e pobreza no Brasil é intencional: significa garantia de mão de obra farta e barata. Agora com Temer alinhado com o congresso e com as próximas jogadas acordadas que virão, o arrocho será maior ainda para quem está na base da pirâmide. Uma delícia: já está sendo difícil ascender agora, imagina depois como vai ser exótico esse país. Mais do que já é. A sociedade brasileira (que não dá para mudar, então aceite como é) se assemelha à classe média confortável dando carteirada em classe média baixa, que, por sua vez, dá carteirada em classe baixa. Nisso, todo mundo comendo lavagem, menos a elite (verdadeira elite, não micro-empresário bostudo que tem acesso ao consumo e se acha capitalista). Acho que é o caso você procurar não ficar na parte rasa do sistema, à qualquer custo (isso vale em dobro para mim).

Acredito que eu tenha passado a mensagem.
Forte abraço!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Pequena atualização do andamento das coisas

Esses dias uns veteranos (na verdade, alunos 2016.2 que mal estão à seis meses no curso) criaram um grupo no facebook que é o precursor das futuras turmas 2017.1 e 2017.2 de medicina. Eu logo entrei no grupo para ficar antenado nos macetes de bolsas, auxílios moradia e detalhes a mais importantes para o calouro, além de relatos de quem já está dentro.

Beleza, mal criaram o grupo e as semi-calouras (essas de 2016.2) já estão dando chilique sobre o futuro churras de recepção dos calouros. Mas sabe o que me deixa puto? Essas merdalheres acharem que é tudo curtição e social. Afinal elas adoram alimentar o ego com fotinhas no instaxota, mas nós sabemos que dentro desses churras universitários, os betões ômegas JPBFs medianos são totalmente ostracizados ─ só recebem um “olá” de educação ─ enquanto alfas playboys, mauricinhos de condomínio monopolizam a porra toda. Cachaçadas, farras, boquetes no banheiro com dois minutos de conversa.. porra? E o pior é que a gente tem que participar de tudo isso para não ficar com fama de anti-social e depois não ficar que nem um estranho dentro da sala. TNC, já coloca aí gastos com aquela caneca adesivada ridícula, isso se não tiver vaquinhas para o condomínio (carnes, bebidas, etc.). A camisa, pelo menos, a camisa eu concordo ─ é com ela que vou dar carteirada nos antigos e aceitos logo mais daqui à uns meses.
Por falar em camisa, minha preocupação agora. Senhores, se eu tivesse feito o ENEM 2015, que estava super-fácil como já comentei em posts antigos que eu quase gabaritei essa prova, eu já estaria na turma 2016 ─ primeiro ou segundo semestre, não importa. O segundo semestre, porém, fizeram uma camisa linda, top mesmo! No padrão. Tenho até as fotos salvas aqui, é basicamente um camisa azul ou branca, onde coloca-se o símbolo da OMS verde e o esculápio (aquela cobra) branco/preto ou verde, com o nome Medicina e a instituição circulando a bola. Nem sempre eles repetem o modelo, mas é com essa camisa que eu quero dar carteirada. Compraria todas elas, quatro modelos, um para cada dia da semana. Inclusive é a essa a camisa que, num post antigo, eu falei de uma caloura que estava usando na biblioteca, e parecia que tava gozando quando as pessoas olhavam pro nome do curso no uniforme dela, lembram? É essa mesmo.

Assim que subdividirem o grupo entre 2017.1 e 2017.2 eu vou logo dar a ideia de fazerem esse modelo. Pode variar a cor da camisa, mas azul e branco (principalmente o branco) são encorajados. Como eu sou betoso e cagão, nunca tive a experiência de ficar encarregado de recolher o dinheiro das camisas e coordenar a criação numa gráfica, vou apresentar a ideia à alguém que se responsabilize pela coisa, cuidando apenas de ter um encontro pessoalmente para tratar dos detalhes. Vamos ver se a maioria simpatizará com o modelo da camisa.

Ponto dois: os resultados individuais saem em janeiro. Precisamente 19 de janeiro, segundo do MEC, e os cadastros começam no dia 23. Mas os “veteranos” semi-calouros do grupo já estão compilando uma lista de número de acertos e nota da redação com que pleitearam vaga, e isso vai ser um parâmetro para ter uma noção desde já se eu passei ou não, nas cotas, com margem de confiança próxima de 100%.

Mas o problema: minha mãe realmente está para largar o emprego e viajar para Fortaleza, onde tomará conta da aposentadoria da avó. Isso era esperado, mulher nunca gosta de sustentar a família, vocês sabem que esse peso só é colocado nos homens. Mas meu irmão é vagabundo, não trabalha nem procura arrumar subemprego (diz que tá “estudando”) um típico chimpa acomodado. A verdade é que essa gente é fraca, estão destinados ao fracasso mesmo, não adianta convencê-los a me dar apoio nessa chance de ouro. Apesar da dificuldade momentânea, o retorno é dado como certo, mas eles querem o que é cômodo desde já, bastando para isso, racionalizar um pouco os motivos. Eu verifiquei se era o caso de ir junto, pelo menos não teríamos contas de aluguel no orçamento. Mas o bairro lá está à uns bons 14km do HU Walter Cantídio, onde creio que as aulas são aplicadas. Além disso, Fortaleza é uma cidade grande e complicada, no Google Maps é cada BR e avenida larga de mão-dupla, que o tempo de deslocamento casa-universidade supera fácil uma hora e meia. Também por esse fator de simplicidade, eu optei por ficar aqui mesmo. E voltar a morar com o pai alcóolatra e vizinhos chimpas ─ uma casa vergonhosa de ser visto entrando nela, como citei outra vez, e que agora é só um teto, isso se já não vieram outros chimpas da família ocupar o barraco.
Apesar dos atritos que essa mudança poderia gerar, é uma opção intermediária, se eu conseguir o auxílio-moradia, e com isso poder morar nas residências do Hospital Universitário. Lá deveriam morar apenas os alunos de medicina, mas pelo alto número de alunos atendidos, há alguns que são de outros cursos. Além desta opção, cabe a mim também a bolsa de IC e uma outra, ao qual terei como lançar candidatura ou apresentar os documentos em meados de fevereiro.

Até lá, e de qualquer forma, tenho obrigação maior ainda de seguir com a venda de geladinhos. Observe que terei gastos no ano que vem: principalmente a camisa do curso e o primeiro livro. Um que custa uns duzentos contos. Para isso, quero juntar pelo menos uns 0,7k~1k nos próximos setenta dias. Não é uma tarefa imposśivel, mas também não tão fácil, visto que, pelo que vi outro dia, estou tendo um lucro infame de vinte centavos por geladinho vendido. Se com 100 unidades por dia, mal chego à um salário mínimo, então com 50~70 que é uma média regular, o faturamento gira em torno de 300 mensais, que é desanimador, mas me dará uma sobrevida de esperança até cair a primeira parcela de uma possível bolsa conquistada.

Mal vejo a hora de ter a camisa em mãos e voltar a circular no micro-universo de antigos e aceitos, dando carteirada em velhos conhecidos. Mas vamos com calma, matando um leão por dia, um dia de cada vez.

Forte abraço

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

É hora de pensar em emigrar para os EUA?

Esse post não é falar das maravilhas de viver ilegal na terra do tio sam. Mesmo que você consiga ter um poder de compra maior até mesmo sendo entregador de pizza, eu desconfio seriamente que a maioria dos ilegais vivem lá como vagabundos latinos, e só um ou outro gato pingado gaiato consegue se dar bem. Mas não é a regra.

Há mil razões para querer imigrar para o EUA. Para fugir da pobreza, para fugir da violência, ou para viver num país nortista de primeiro mundo, com infraestrutura impecável, pessoas educadas e quatro estações bem definidas. Mesmo assim, até agora nunca tive o pensamento de querer sair do país. Por quê?

Mesmo podendo, porventura, convalidar o diploma e trabalhar na área de saúde no EUA, em alguma área específica, nunca me ocorreu de planejar-me para no futuro consolidar-me imigrante legal em algum estado americano. Conheci um colega, no antigo trabalho, estudante de engenharia, que só me falava de imigrar pros states. Eu dei valor à determinação dele, mas confessei que não tinha essa coragem. Mas na verdade, eu não contei o porquê. 
No fundo a razão é: para quê imigrar para uma terra onde, apesar de você ganhar bem e ter muita qualidade de vida, vai ser mais ômega ainda em relação à genética superior caucasiana americana? É o meu caso. Meus ridículos 1,68m e braços finos não impõem respeito aqui, quanto mais lá, onde os garotos tem uma criação voltada para a prática de esportes, alimentação de qualidade rica em proteínas e ácidos graxos nas fases de crescimento ósseo. Além do mais, as mulheres americanas tem uma personalidade independente, e é normal muitas delas mirarem naqueles caras que elas acham que tem ambição de conquistar. Não é o caso de um latino imundo qualquer que foi para a América, com um inglês mea-boca, para fugir da crise de seu país.

A verdade é que essas histórias de brasileiros que vão “malandrar” nos states não encaixa. Um ou outro pode se dar bem, um caso à parte. Uma exceção. Trabalhar no EUA sem visto é ilegal, os empresários sabem disso. Então porque se arriscam em empregar latinos mortos-de-fome, perigando se foder com as leis trabalhistas do governo? Não se iludam. Melhor falar em estratégias de trabalhar LEGAL por lá, e descolar uns dólares, que na real terão mais valor se montar um pé de meia e mandar para o Brasil, convertidos em reais.
Isso por que, como falei, não tem sentido ganhar razoável e ser ostracizado socialmente no país (o que com certeza será 99% da realidade dos imundos que vão para lá). “Ain, eu vi o malandragem comendo americana”, “ain, fiz um tinder e recebi dez matches de americanas receptivas”, ok ─ mas qualquer encontro de um fudido HUEBR com alguma delas teria que desembolsar dinheiro. O pouco dinheiro que um imigrante ilegal ganha ─ diga-se, em regime de exploração e barateação de mão-de-obra ─ que mal paga um quarto alugado na cidade de sua escolha.

Então, concluindo, admito que só mais recentemente eu comecei a considerar a possibilidade de ir para os EUA. O Brasil passa por uma crise político-econômico vergonhosa, e os arrochos na classe trabalhadora estão sendo aplicados com gosto pelos PSDB-PMDB. Haverá um post ainda detalhando a tara que a elite tem de explorar e manter a população pobre em extrema miséria e desigualdade (todos os políticos se alinham com esse pensamento, os tucanos então, nem se fala). Os EUA, porém, agora com Trump, parece ter um governo mais estável, prometendo investimentos em infraestrutura. A qualidade de vida lá dá gosto de ver, enche de vontade de emigrar, mas aí, fazendo umas rápidas pesquisas, pude ter esse choque de realidade, que não é bem assim o american dream dos malandros huezeiros. Quem quiser tentar a sorte na América, no entanto, torço para que se dê bem, claro, e possa relatar sucesso que mantenha a esperança de mais brasileiros na pindaíba. 
Por hora, a conclusão obtida diz que é melhor jogo reinar no chiqueiro do que servir na América, então temos mesmo que lidar com essas merdas, a corrupção, as pilantragens, etc. E tentar contornar as dificuldades, para um dia, quem sabe, estar do lado mais forte.

Forte abraço. Até a próxima

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Por que não arrumo um emprego?

Segundo os meus cálculos, estou obtendo um lucro líquido de vinte e dois centavos por gelinho vendido. Metade da previsão que eu havia estipulado antes, de quarenta centavos ─ sendo otimista ─ e ainda abaixo do que se poderia dizer regular, que é trinta centavos. Com o fantasma da inflação assombrando as prateleiras, essa perspectiva pode vir a ser pior. Cada aumento de impostos que o governo feladaputa impõe aos empresários, eles repassam para o consumidor. Por exemplo, foi só o diesel ter um reajuste de 8% para o preço do abacate aqui subir de 2,5 para 10 reais o quilo!

Porém, com algumas pequenas peripécias, acredito que eu consigo elevar o lucro para vinte nove, trinta centavos, o que seria aceitável. Assim, supondo uma saída de vendas de cinquenta gelinhos por dia ─ e ainda pegando leve ─  eu teria entre trezentos e quatrocentos reais por mês. O mínimo aceitável para aportar até março de 2017. É claro, descontando meus gastos fixos, a internet móvel e almoço no bandejão, que dão, precisamente 60 reais por mês. Eu bem poderia cortar a internet, mas não consigo eliminar esse extremo sensorial recreativo lixo que tem sido meu escapismo ─ o único aliás, para não gastar mais. Essa é a realidade de JPBF beta mental com o pouco de dignidade que é de direito.

Estou fazendo cada concessão nas metas, mas acredito que 0,7~1k até o primeiro dia de aula (considerando que eu passe em medicina) já me deixam com uma sobrevida no curso, na esperança de pegar uma bolsa-auxílio da faculdade, ou qualquer outra que seja. Mesmo nesse cenário, vale dizer, ainda não tenho tudo sob controle porque a mãe anda pensando em viajar para Fortaleza, onde sugaria a aposentadoria da avó. Em outra discussão que tivemos, disse para ela ir pra Fortaleza e depositar o dinheiro do aluguel, pelo menos, na minha conta poupança, assim que tomasse conta da aposentadoria da avó, mas também achou ruim. Depois tive a ideia de dividir o aluguel com alguém do curso, pois sabemos que muita gente vem de outros estados para estudar medicina nas capitais do nordeste, mas isso não vai rolar.
Eu acho que é o caso de arrumar um subemprego e acredito que isso seria oportuno. É claro, eu teria agora apenas dois meses de salário nessa alternativa, fora o tempo de espalhar currículo e torcer para ser chamado ─ o que é outra perda de tempo. Fico pensando como é bom ser filho planejado de pais poderosos e influentes, ou judeus classe média, onde basta uma ligada para um contato amigo de uma das empresas, para indicar um emprego de recepcionista só pró-forma pro filho de fulano. Aí em dois tempos eu estaria trabalhando de roupa social, todo aprumado, e sendo intocável dentro do ambiente de trabalho, sem cobranças, sem horários e sem chateações de patrão chato. Um delicioso cargo no maior Q.I la famiglia como é de banca da classe alta, só para dizer que tem o próprio salário.

Mas logo a realidade bate a porta e eu sou obrigado a pousar de novo no chão, aceitar a realidade medíocre de ter nascido numa família de pais fracassados e chimpas, que mais fazem cobrar dos filhos para que arrumem trampo, sendo que o momento agora é de dar-lhes apoio nos estudos, a fim de terem uma carreira decente no futuro.

Enfim, se por um lado, hipoteticamente eu teria uma vantagem a mais com o salário-mínimo garantido no fim do mês, eu teria também a desvantagem de voltar a cumprir horários e obedecer chefe-tetinha ─ ou chefe mulher, que é duas vezes pior do que tetinhas. Mulheres no comando costumam ser mandonas e complexadas, não raro inferiorizando seus funcionários para se sentir “alta sociedade por cima da ralé”. De qualquer jeito, acordar a hora que quiser, fazer o próprio faturamento e ter tempo para si mesmo é uma liberdade que pesa na hora da escolha. E, depois, de 400 para 750 não é muito, sendo que com mais trabalho e persistência é possível diminuir ainda mais essa diferença.
Portanto, não. Não deveria pensar em arrumar subemprego, logo agora. Com doze milhões de desempregados, e até estudante de direito se estapeando por vaga de repositor de supermercado ─ como pude comprovar certa vez, numa dinâmica escrota inventada por RH inútil, numa seletiva aí de hiper-papelaria ─ eu só perderia mais tempo e passaria por avaliações humilhantes de recepcionistas que recebem ali seu currículo com uma cara de cu, e dizendo “sim, se aparecer uma vaga a gente liga”, sendo que mal você dás as costas, elas amassam e jogam seu papel no lixo. Sem falar que é mais provável elas mesmas darem indicação de conhecidas e conhecidos para preencher as vagas que aparecem, o famoso “quem ta dentro puxa o outro”. 

Também lembro de uma entrevista, certa vez, que fiz no McDonalds, e depois de duas horas de espera, o gerente tetinha (uau, que surpresa) acabou escolhendo uma merdalher loira que era a menos feia para ocupar a vaga (atendente, com rodízios de funções). Ou seja, tem isso também ─ a manginagem dos gerentes tetinhas. Esses gordos adoram se rodear de mulher quando estão numa posição de poder, só para se sentirem mais machos. Outros colocam mulheres para aquela vaga de “assistente administrativo” também para se sentirem servidos por uma mulher, e, com isso, se sentirem mais “alfas”. Não tem jeito, o pobre JPBF ômega comum, nasceu numa sinuca de bico em que, para todo lado que olhe, só tenha obstáculos e concorrentes diretos com mais barganha físico-estética-xerética para roubar sua possível vaga no mercado de trabalho ou subemprego. Assim, ele se vê acuado. Ou se mata ou vai ter que lutar com suas próprias forças 10x mais, procurando meios de escapar do destino quase certo de fracasso e vida medíocre.  

Incertezas tem resumido essa angústia pré-Sisu em janeiro, mas sigo em frente pois é o que há. Forte abraço. Até a próxima. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Como "As Sete Leis Espirituais do Sucesso" tem me ajudado com o futuro incerto em medicina

Apesar desse mês de dezembro ter me ocorrido pouco tema para posts, eu vou dar seguimento ao blog. Tem sido como uma terapia escrever aqui, e um dos poucos momentos “escapistas” que geram satisfação (isto é, fora as fanfics que ando escrevendo, em tempo livre). Eu poderia só ficar nos animes e filmes, mas só assistir não me traz satisfação (leia aqui a diferença entre prazer gratuito vs satisfação). Tecnicamente ainda tenho muito para falar d’alguns devaneios de âmbito social (lá daqueles cadernos de rotina), mas agora não tenho tesão para isso. Então vamos dizer apenas que os citarei por alto, no balanço do ano. E, eventualmente poderei escrever um post à parte para aprofundar no assunto, sem alongar a retrospectiva 2016 ─ mais um ano aí dessa minha odisseia JPFBosta rumo ao sucesso (ou ao fracasso, vai saber).

Então, vocês sabem como está até aqui: estou esperando o resultado do SISU de janeiro. Estou esperando passar nas cotas; esperando obter alguma bolsa-auxílio (mas com o governo apertando tudo no país ─ exceto as regalias dos políticos ─ ainda é incerto); esperando para lançar a candidatura para a bolsa de um instituto privado aí; e, em último caso, exigir a bolsa de pesquisa CNPQ-IC, que envolve cálculo e matérias nada a ver com a área de saúde. Com todo esse quadro cínico, eu nem tenho certeza de que terei como permanecer de boa no curso (se passar), e, com isso, ter (no futuro, claro) minha vingança beta para cima dessa sociedade exótica. Mas o impressionante é que isso não me afeta nem um pouco. Terei sublimado de vez o desejo de aprovação social, aceitando o fracasso inevitável destinado aos ômegas? Preocupante (depois explico).

Nesse ínterim, achei na biblioteca um livro (As sete leis espirituais do sucesso) e baixei no LeLivros para ler. Infelizmente o epub que baixei é uma versão resumida, mas dá para o gasto. 

As sete leis bla bla… trata-se de um livro de auto-ajuda que assim pode ser resumido: se deu ruim hoje, não lute contra, mas aceite o fracasso, o universo tem um motivo e sentido para tudo. É claro que na linguagem de Deepak Chopra é diferente (e mais confortável, também) e é exatamente por isso que tenho lido. Ao menos, tem servido para acalmar uma nebulosa de sentimentos negativos acumulados dentro de mim. É quase como um mecanismo de esperança anti-suicídio, bem dizer (a propósito, ideia que venho romantizando recentemente, por ver que tudo nessa vida é vazio como correr atrás do vento).

(Em tempo: exceto, talvez, o ato de criar).

Enfim, para saberem um resumo das leis, recomendo uma pesquisa rápida no Google. Aqui eu vou só dar exemplos de como as tenho aplicado na minha rotina. Vamos lá.

A primeira lei é a lei da unidade, e assim tenho aplicado-a: cada dia, reservo alguns minutos do dia para aquietar os pensamentos e anseios sobre minha jornada para galgar classes nesse país de macacos. Agora por exemplo, a noite, ao me envolver no ato de escrever fanfic ─ que é um um mundo escapista ─ posso também meditar e me transportar para um mundo à parte. Com isso, esqueço as cenas sobre envilecimento do trabalho, e os olhares julgadores que, mulheres principalmente, nos reservam a nós ômegas por sermos pobres, sem dinheiro e sem alfismo facial e físico das novelas da Globo. 
(Nota: tento ignorar também o olhar complexado que vejo no “povão”, quando saio aí nas ruas. Sabe, quando como você vê as caras abatidas de assalariados nos pontos de ônibus na volta para casa? É meio triste porque embora eu consiga me desconectar por um momento das emoções negativas de estar na base da pirâmide social, ao mesmo tempo, me faz pensar que muitas pessoas aí também estão em situação de aperto e dificuldades financeiras, e não podem lidar com isso. É claro que tal não me faz sentir melhor, mas eu fico decepcionado porque nosso país, infelizmente, tem essa cultura de aparentar, de manter a pose (mesmo vivendo no chiqueiro comendo lavagem). E, consequentemente, portanto, uma cultura de achar bom passar a perna em todo mundo. Olha, eu não sonho com uma utopia, mas e a educação dos japoneses? E a união dos judeus nos negócios, não mostram nada? Sim, mostram que somos mesmo macacos selvagem de instintos bem chimpentos…)

Enfim, esses minutos praticando a meditação para se esvair de preocupações também servem para esvair de julgamentos e comparações (comparação com alfa, com fulanos) que muitas vezes fazemos. Quando nos desprendemos dos julgamentos, nos desprendemos do mundo manifesto material e ficamos conectados à nossa potencialidade pura (no que entendi, é a consciência sem forma, sem mundo exterior, que ficou encoberta por nossas experiências, condicionamentos, ego, etc.).

Então, a primeira lei: lei da unidade, se conectar à potencialidade pura do eu interior.

Para aplicar a segunda lei, a lei da dádiva, é necessário desenvolver vibrações positivas. Eu tenho feito assim: presenteando por instantânea vontade um geladinho à quem não tem nem trocado para comprar, ou liberando um pensamento positivo de prosperidade com boa intenção para alguém. 

Exemplo interessante: recentemente, meu primo quase teve o carro apreendido pelos fiscais urbanos por vender açai e sorvete numa rua comercial movimentada do centro. Fiquei sabendo que ele desembolsou 150 na hora para não guincharem o carro, e mesmo assim levaram todos os produtos dele, assim como os de outros(as) ambulantes. E olha que são todos trabalhadores que precisam se virar para pagar as contas e comer precariamente enquanto pagam seus impostos para serem desviados por políticos corruptos. É revoltante como a política se tornou um mal enraizado no Brasil. Altos impostos são perdoados para grandes empresas, altas verbas são desviadas para financiar a “putaria monstro” dos homens de terno, e todo aumento de taxas para os ricos são repassados para os pobres, que sofrem com a inflação. Não é de se admirar que mulheres no auge da beleza e juventude se comportem como putas para homens que demonstram ter alguma condição. Falta quanto para o Brasil se tornar uma Índia ou um Vietnã?

Observe que em situações como essa relatada, no mínimo nós podemos direcionar solidariedade, ou pensamentos de força para o sofredor ambulante superar tal situação, correto? Mas onde que você já viu isso? Eu nem duvido que naquela situação, as pessoas só se reuniram para apreciar o espetáculo como urubus espreitando carniça. Lembra daquele filme de um nerd que enfrenta um valentão de soco inglês e até o diretor apanha? E no final a classe se reúne para comprar papéis no final, para reembolsar o dinheiro roubado na papelaria? Onde que veremos uma cena assim no Brasil? Nem em comercial de Natal da coca-cola. É comum aqui comemorarmos a desgraça alheia.

Segunda lei: lei da dádiva. Dai e dar-se-vos-á, é dando que se recebe.

Cada escolha tem uma consequência na mesma proporção, assim como a terceira lei de Newton (ação e reação). Essa é a terceira lei espiritual do sucesso. Com ela, aprendi a não fazer escolhas baseadas em meus próprios preconceitos e a não ter reações baseadas em minhas próprias memórias condicionadas. 

Ou seja, muitas vezes quando vou lá com o isopor e dou de cara com mulheres no ponto de ônibus, antes eu nem perguntava porque sabemos que merdalheres muito provavelmente recusariam fazendo cara de nojinho para o pobre trabalhador JPBF, por puro sadismo, não é verdade? Eu pensava assim, e deixava de abordar possíveis clientes. Sinto dizer que meu “preconceito” algumas vezes está certo, e outras vezes, acontece das pessoas acordarem de bom humor e dar certo. Vai saber, são possibilidades infinitas, o segredo é policiar suas próprias escolhas para decidir sem se deixar influenciar por seus medos e anseios pré-concebidos. Se por um lado levarmos um não com olhar de desprezo, a gente fica calejado, e emocionalmente mais forte para abordar todo mundo mesmo. Por outro lado, se for um sim, eu fico mais perto de juntar pelo menos o dinheiro para comprar o jaleco, o estetoscópio, a camisa do curso e o primeiro livro que será usado no curso.
Terceira lei: lei da causa e efeito, cada escolha tem uma consequência. “As escolhas que geram desconforto e sentimentos negativos lhe trarão efeitos semelhantes. Em contrapartida, a escolha pela paz lhe trará mais situações de paz, e a escolha pela prosperidade lhe fará próspero.”

A quarta lei é a mais interessante. A lei do menor esforço é composta pela aceitação e distanciamento. Eu entendi que é a aceitação dos fatos como eles são e não como você gostaria que fosse. Podemos sim desejar um futuro específico, mas não podemos nos frustrar com o momento presente porque ele não pode ser mudado. Então, ao invés de gastar energias se remoendo à toa, tente não se culpar, não culpar ninguém pelo, por ventura, fracasso de hoje. 

Esse tipo de distanciamento com as situações cria paz, e você passa a ver as coisas pelo lado otimista. Cada problema, pelo menos, veio para ensinar alguma coisa. Sei que posso estar errado, eu sei que tem playboys que nasceram sem ter nenhuma preocupação com o que vão comer ou o que vão vestir, e isso é muito injusto com nós JPBFs, mas não podemos fazer nada, a não ser aplicar a primeira lei: silenciar os julgamentos e comparações desnecessárias, para viver em paz consigo mesmo. Afinal, não tenho nada que provar para ninguém.

E é aplicando a primeira lei que abro espaço para criar vibrações positivas da minha pura intenção e desejo, a fim de influenciar as vibrações de energia ao meu redor. A quinta lei é a lei da intenção e do desejo. Ela diz que podemos criar nossa realidade com nossos pensamentos, desejos, crenças… e se você pensa de forma negativa, ressentida e amarga, só acaba atraindo mais quadros de preocupação e vibrações baixas. Por outro lado, semear pensamentos de sucesso e prosperidade, é o começo do uso do nosso próprio poder co-criador. Depois é confiar que essa mesma semente germinará no tempo certo.

A quinta lei é parecida com o que se usa em sigilos ou amuletos em magia, até mesmo um hábito simples de anotar num papel como você deseja que seja o dia, desprendido de qualquer expectativa, abre espaço para o plano cósmico agir de forma harmoniosa com as infinitas possibilidades.

Agora vamos entrar no campo do budismo. A sexta lei é a lei do desprendimento. Deepak ensina que devemos confiar na incerteza do futuro. A gente se prende tanto em planos certos que fazemos na mente, que ficamos restritos. Restritos porque o universo tem um conjunto de infinitas possibilidades criativas de se resolver um mesmo problema. Aí, por exemplo, agora eu vi que minha ideia é fixa em medicina, e em vender geladinhos para arrumar dinheiro para se manter no curso. Mas aí os amigos do blog deram ideias de dar aula de reforço, correto? É uma possibilidade que merece uma chance. Ao menos desprendidas de expectativas, ao invés de ter uma mente fechada para aquilo que você acha que é o mais pé no chão.

Sinto que se eu conseguir aplicar com sucesso a sexta lei, da incerteza, posso dar oportunidade de viver livre de anseios, mas aproveitando cada segundo do presente como parte de uma incerteza criadora e perfeita. 

Viajando demais? O ego diz que sim, mas o ego é muito apegado na segurança de algo que não existe Agora. E aceitar a incerteza significa a libertação do ego.

Finalmente a sétima lei é quase uma utopia. Para Deepak a finalidade da vida, o darma, é descobrir o nosso eu superior e o talento que cada um tem para usar na sua própria satisfação e no bem da humanidade. Como seria diferente esse Brasil se cada um tivesse essa intenção de ajudar o próximo. Mas, infelizmente, em nosso país temos o preconceito, os olhares julgadores e tudo mais, como uma coisa natural. Lembrando mais uma vez os políticos: a concentração de renda e exploração ao máximo da classe trabalhadora é um projeto colocado em prática, não é por acaso não. A classe média, como já falei noutro post, é unicamente voltada para exibir seu status e se sentir superior com isso. Outra vez, voltando pra casa à noite, eu pensei comigo mesmo “poxa, tem gente tão classe alta, que não custaria nada para eles comprar uma casa popular e dar um teto à um mendigo, não é mesmo? Mas e aí?”. Por outro lado, eu tenho ciência que muitos sem tetos já estão quase tão complexados por causa do sofrimento e marginalização da sociedade, que daí você já tem uma noção do que sucederia. Mas eu estou falando basicamente de não negar um conforto, uma melhoria à quem não tem nada e não de mudá-los no interior, ou transformá-los em santos.

Certa vez fiz o meu mapa astral, e ele dizia que eu (aquário) estava mesmo voltado para ajudar o próximo. Acredito que eu já tenho citado num post antes (não lembro qual), mas agora meu eu é meio dividido entre ajudar outros que tenham um projeto, ou algum objetivo, eventualmente, e contemplar essa distorção histórica brasileira de desigualdade. A novidade é que não tenho a ilusão de ser um agente especial da mudança, até porque não vamos mudar as coisas como elas são no Brasil. Mas isso não significa ignorar pequenas ações “contundentes”, como ignora a burguesia cínica tupiniquim.

Leiam o livro, betas. É muito recomendado como uma filosofia entry-level. Noutro post contarei as mudanças de pensamentos que estou tendo com ele. Forte abraço. Até a próxima.