domingo, 25 de dezembro de 2016

Série Balanço do ano ─ O Natal de um pobretão JPBF

Particularmente, eu nem sinto mais o clima dessa data. Mesmo nas caras dos trabalhadores assalariados do sistema, parece que não estão comemorando tanto quanto antes. É incrível, algumas máscaras estão caindo, ainda que descortinando pouco a pouco. Na infância, lembro de cenas onde havia um clima natalino maior, onde programações na TV aberta faziam a alegria de crianças pobres que nem conheciam outras opções de entretenimento. Episódios especiais de Natal de Cocoricó (PQP) e filmes de cinema que nunca passariam na grade das emissoras durante o ano normal eram meu ópio que entorpecia as mentes e não as deixava enxergar o monte de merda em que estão afundadas. Enfim, épocas mais simples, e você pode perceber que na infância é diferente: não precisa de muita coisa para ser feliz.

Esse post inaugura a série sobre o balanço do ano. Os projetos que fiz para mim desde o início do ano, a expectativa, o andamento, a força que coloquei neles e, enfim, o que deu certo e o que falhou miseravelmente. Acompanhe-me nessa saga de retrospectiva de sonhos e frustrações, sem palavras difíceis e sem falar bonito (como se eu soubesse… sou tanso até para falar “carboidratos racêmicos”). Simplesmente um blog de desabafos reais de um JPBF entre milhares de pobretões Brasil adentro/afora com suas dores e dilemas semelhantes, e eu nem vou falar de como é o Natal e fim de ano de um alfa genético e de famílias planejadas ─ depois vocês vão saber o porquê.

Mas esse post “merdalino” eu estou incluindo na série balanço do ano simplesmente porque ele também faz parte de um dos projetos. Não dá para falar todos de uma vez, porque ficaria muito longo. Então dividi nessa série, contando aos poucos o planejamento das bibocas, a expectativa de desenvolvimento social e de outras áreas, a mudança que ocorreu no meio do ano e et cetera, sendo que se pode perceber que todos eles estão mais ou menos interligados.

Está tudo anotado nos cadernos de rotina e detalhado à rodo. Projetos que escrevi precisamente no dia 30 de Janeiro, no meu Evernote.

- Video motivacional de fim de ano 
- Cruzeiro marítimo nas férias

Na verdade, o cruzeiro marítimo, eu tenho quase certeza que já havia baixado às expectativas à essa altura e empurrado para 2017. Inclusive eu devo ter escrito alguma coisa nas notas do Evernote também. Mas vale a pena rever o devaneio.

Primeiro, tenho que explicar algumas linhas breves. De onde viria o patrocínio de tudo isso? Do lucro de bibocas imundas, às quais já falei aqui que havia abandonado quando comecei a estudar para medicina, e também pelas dificuldades que encontrei no caminho. No papel era muito simples, eu começaria com um pequeno investimento, e todo mês, com o próprio lucro das bibocas, investiria em outras e colocaria conhecidos de vista desempregados ou atrás de bicos para vender por mim. E aí tinha umas especificações do suporte: eu tiraria a CNH quando tivesse um montante, compraria uma moto equipada com trailer e lona para transportar as bibocas com agilidade, e se precisasse alugaria uma casa próximo aos pontos de venda, em ruas de bairros comerciais. Eu me encarregaria do preparo, do transporte ida e volta, da pausa do almoço dos meus trabalhadores, e do fluxo de caixa, sendo que eles só precisavam comparecer ao local para vender, e ia ser o bixo!, eu pensava. Em quatro meses já juntaria cerca de 20k e dentro de dez meses já comandaria uma rede de umas quinze bibocas, me garantindo um lucro limpo maior de 6k mensais.
Isso no papel. Na prática eu comecei a lidar com o envilecimento do trabalho. O que é envilecimento do trabalho? É quando o trabalho ambulante (trabalha para si mesmo, e ter seu próprio faturamento) é visto como atividade inferior pelas pessoas. E o faturamento? Muito minguado, eu esperava 5k por mês, trabalhando em pontos estratégicos, mas se desse meio salário mínimo já era pra glorificar de pé. Na verdade, percebi que os únicos pontos estratégicos que dão lucro é nas portas de universidades, e nesses locais já são muito disputados, de dia e de noite.

Eu esperava fazer muita coisa com esses lucros supostos, que só separando 2,5k dava para fazer muitos ups sociais (clareamento, hidratação, depilação, peeling, limpeza de pele; aulas de violão e guitarra; aulas de natação, esportes e artes marciais; peças de roupas importadas legais no esquema shipping; e uma dieta hipercalórica nutritiva com foco no ganho de massa magra) que gerariam muitas fotos no facebook, em locais estratégicos, capitalizando valor social. A partir desse apoio, eu começaria a ter uma rotina, mas uma rotina interessante, uma rotina alfa que só de pensar já libera oxitocinas e dopaminhas no organismo. Começaria a aprender a mexer com edição de vídeo para o projeto, e infiltraria com sucesso em vários círculos sociais integrados, demonstrando ser um cara de alto valor social e hobbys interessantes, inclusive bancando algumas saidinhas burguesas para meninas tirarem fotos e postarem nas redes, a fim de criar dependência. A partir disso que entraria com esse projeto de vídeo de fim de ano.
Ok. Se tudo mais der errado, nóis arruma um pé de meia e bora pros States
Seguindo a ideia de campanhas de marcas conhecidas que fazem aqueles vídeos inspiração (nike, adidas) e promos de smartphones (Sony, Microsoft) eu juntaria com esse pessoal para em conjunto elaborar uma redação com uma mensagem, pautada em encontros nas praças de shopping, que seria narrada durante a gravação das cenas do vídeo, em vários pontos da cidade. Imagine como seria a excitação de tudo isso: reuniões resenhas pagando de turma cool no shopping, engajamento em um projeto de criação para tirá-los de suas realidades medíocres, até a esperada exibição na hora do amigo secreto, sentindo a satisfação de apresentar uma novidade maior, criada em grupo, e que ninguém nunca tinha feito antes! Trabalho em grupo e recompesandor em forma de satisfação e aumentando mais meu VS nesse mesmo micro-universo social.

Fracasso miserável! Não deu nem para o começo da ideia, visto que um projeto assim precisa de um suporte financeiro preparado, material, pessoal e uma personalidade alfa liderante que ainda teria que ser desenvolvida. Taí mais uma ideia que não pôde ser colocada em prática pelas limitações de uma vida sofrida de um morto-de-fome imundo qualquer, que vieram para ensinar uma verdade: mesmo nós JPBFs pensando em formas de sair do ostracismo social e ter uma qualidade mais interessante, não podemos sair das nossas realidades de merda pelo simples fato das limitações e sequelas dos fracassos betísticos acumulados ao longo desses anos todos.
Dizem que o que não te mata te torna mais forte. Mentira. Cada bordoada da vida JPBF só te coloca mais para baixo, prejudica sua autoestima, autoconfiança e consequentemente você vai fazendo concessões, baixando as expectativas, até aceitar o destino imundo miserável inevitável para todo ômega e até beta que não se cuide. Como o beta mental não tem coragem de cometer suicídio, ele sabe que viverá uma vida de merda sem dignidade e voltada apenas para as necessidades básicas se não procurar se desenvolver para ser menos merda. Veja bem, eu disse “menos merda”: um beta pode se desenvolver mas nunca será alfa. É claro que muitos ainda sonham que serão alfas e darão a volta por cima um dia, mas a cada fracasso, a cada falha, a vida vai te colocando no lugar, e você começa a fazer concessões, ou seja, vai diminuindo as expectativas cada dia até que passa a aceitar o mínimo de dignidade aceitável para uma vida, como símbolo de vitória. É por isso que eu nem me comparo com alfa mais, temos que ser pé no chão e parar de sentir desgosto quando vemos um ator global, playboy filho de empresário ou jogador de nível mundial passando as férias em Ibiza comendo LCRs. É importante estar bem consigo mesmo e com os escapismo que se tem disponíveis no seu quarto, para não viver amargurado, invejoso e reativo.

Feliz Natal, chimpas. Paz.

2 comentários:

  1. Como vai confrade? Realmente este ano foi difícil em vários aspectos principalmente para nós Betas. Nós nunca seremos alfas mas o nosso desenvolvimento é a mola precursora de nossa existência, infelizmente ainda existem muitos que caem na ilusão de que serão alfas algum dia. Este ano para você foi de muito idéias não é mesmo? Que pena que algumas não deram muito certo. Vamos com tudo para 2017. Abraços.

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    1. Fala Jovem mediano beleza Pura? Cara em 2017 vou começar a malhar quero ter um shape legal, espero conseguir.

      Abs

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