terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Chamada regular, e os desafios que vieram com ela

Sisu prorrogado. Vai ter parcial, não vai ter, vai ter só sábado, mó fuleiragem
O Enem desse ano foi o mais cheio de fuleiragem que teve. Não bastando o vazamento das provas e a segunda aplicação muito mais fácil em dezembro, tivemos o adiantamento do resultado, com mais dois dias de nota de corte, para desespero de quem estava caindo de posição dia após dia ─ meu caso, por exemplo. Na sexta de manhã, já fui para o centro de governo, chorando por dentro, aquela sensação de nervoso, embora aparentemente calmo. A biblioteca estava com cheiro de hospital (álcool). Será que era um sinal de sorte? Eu estava em 12° de 15 vagas para a cota L2, quando soube da notícia do adiantamento.

Prognóstico

Bem, minha nota de 751, por meio de cotas, dava para passar em qualquer curso de medicina nas universidades com folga até, como fiquei testando na segunda opção de curso. Só aqui no estado que deu uma decaída, por causa dos pesos, e além disso, estranhamente ficou mais concorrida em todas as modalidades. Eu fiquei puto cada vez que minha posição caía, será que só minha nota que ficou prejudicada e a de todos os outros ganharam um boost? PQP, o universo conspirando contra o pobre ômega JPBF lazarento, mais uma vez.

O resultado

No sábado, minha posição caiu um pouco mais, e no domingo se manteve. Mas na segunda, depois do meio dia (eu fiquei sabendo que saiu na fila do almoço) quando fui ver, deu aprovação, ali entre 10° e 15° digamos assim, na maldita cota L2 ─ pardo, escola pública e baixa renda ─ haja documentação de ações afirmativas, putz! Na moral, eu estava torcendo pra não ser aprovado, a essa altura do campeonato, e cursar matemática, a fim de pegar minhas bolsas ao qual tenho direito. 400 do PIC, podendo chegar a 1600, com boas chances de pegar a TIM OBMEP por causa da minha alta pontuação no ENEM e questionário socio-econômico. 

Mas, não saiu do jeito que eu esperava e tomei no cu grandão. Eu esperava era ficar no top sete, para ingresso no primeiro semestre, mas de repente, parece que todo mundo resolveu concorrer aqui e desandou meu projeto. Já perdi a chance de concorrer a bolsa TIM OBMEP, de 1200 reais, porque ela requer ingresso em 2017.1. E a PIC que tenho direito, também só posso demonstrar interesse, mas mesmo assim ela só começaria lá pra junho de 2018, pro meu caso. Como podem ver, se não rolar bolsa permanência em agosto, estarei completamente fudido, uma vez que não conto com nenhuma ajuda de custo, e a família é miserável ao extremo, além de pinguça e envolvida em dívidas.

Realocação?

Eu acho difícil, mas igualmente não acho boa ideia. Realocação demoraria uma, duas semanas, pelo menos, aí eu perderia alguns dias de aula. E tem a cerimônia do jaleco ainda, se bem que eu poderia participar da segunda cerimônia. O negócio é que, mesmo sendo realocado para o primeiro semestre, não daria para concorrer a bolsa TIM que fecha em 20 de fevereiro. Talvez a do PIC, que fecha em 1 de março, com sorte.

A turma

A maioria vindo do interior do estado, pelo que pude ver. Mas só conheci uma pequena amostra ainda, cerca de um terço. Os "veteranos" de 2016 (entre aspas mesmo, nego não tá nem há seis meses dentro e já se chama veterano, pqp), isto é, a turma dos descolados (playbas, patys, barzinhos, churras, pubs) já combinaram um encontro amanhã, num barzinho em frente à um shopping center da zona sul, frequentado pela classe A, em sua maioria. É claro que eu não penso em ir ─ não só por ser um pobretão, mas por não estar apresentável ainda. Tô num modo rica não sei nem há quanto tempo, cabelo e barba grande, duros feito arame, et cetera. Logo, logo vou ter que fazer uma higienização completa, tirar a sujeira das pernas (caso de ir para um churras de condomínio, de bermuda, não passar vergonha), cortar o cabelo e tal. Eu só tô segurando por um tempo porque me deu a ideia de ir ao cadastramento feito um mendigo che guevara dread, ver alguns da turma, trocar ideia e tal, para no dia seguinte ir ao churras totalmente asseado social militar, e causar um efeito "mudança radical". Besteira, mas sou cheio de devaneios estúpidos mesmo.

Outro dia um anon lá no blog do Pobre-Diabo deu a ideia de ser o churrasqueiro da turma, para conseguir vale-entrosa no grupo dos playbas e patys. Obviamente um magrelo baixo, braços finos, sem vivência internacional ou histórias interessantes para contar não se encaixa na panelinha de playbas com corpo e cara de homem, barba fechada, 38~40 de braço, oriundos de escolas particulares caríssimas e condomínios idem, além de baby face e alfas, para qual as mulheres do curso ficam se assanhando. É claro que eu não vou fornecer esses churras, óbvio, mas poderia fazer a gravação e edição de vídeo dessas festinhas, porque sei que eles (mulheres, principalmente) adoram se aparecer nas redes sociais. É uma forma de status. Pena que eu não tenho a filmadora HD, nem um PC pica com adobe, todo configurado, para mexer.

Então, acho que esse ano todo vai ser bem "parado" no quesito social. O que vier é lucro.

Círculo social antigo e aceito

Não rola, por hora. Meu projeto era voltar entre eles, a partir do ingresso no primeiro semestre, mas sem revelar tal conquista. Deixar agir naturalmente e relatar possíveis mudanças de tratamento que ocorressem assim que descobrissem por si só, stalkeando-me nas redes sociais, para efeitos de punhetação mental "mais do mesmo". Como as aulas só começam no meio do ano, não tem graça. E só voltaria ao círculo antigo talvez no S3, ou S4, deixar correr pelo menos dois anos de curso, criar uma áurea de veterano. Ocorreu-me o devaneio de infiltrar noutra denominação desses evangélicos, talvez a assembléia, ou rhema ─ onde mais tiver esses jovens que tocam violão ─ se aproximar de uma attwhore com PC em casa, e usá-la para fazer essas possíveis edições de vídeo. Mas é um projeto com CxB ruim pra mim, admito.

Como falei, esse ano parece que vai ser fraco no âmbito social, muito pela falta de recursos. Metas para 2017 (DoSol, culturais, etc) só poderei levar adiante se não comprometer o gasto necessário com os livros, nem que seja usados, rabiscados, do sebo virtual. No entanto, não deixarei de comparecer aos convites (penetra não) procurando aparecer ao menos em uma foto ─ ao qual reservo para publicar nas redes sociais no momento certo. Criarei outro perfil, óbvio, e separarei um para amigos do curso. Assim um não terá conhecimento do outro, e isso é importante para evitar que vaze o uso que estarei dando às fotos em devido tempo. Ou mesmo manter a discrição. O mesmo vale para o instagram.

Camisa do curso

Peça importante para dar carteirada no cidadão comum, além de identificar-se como calouro de medicina, a de 2016 foi a mais top que já fizeram, na minha opinião. Foi um complexo para mim não ter entrado em 2015, como já falei outra vez, mas não importa. Direcionarei a ideia de repetí-la para este ano, nos dois modelos, de forma estratégica e calculada, e vamos ver se dá resultado, depois relato aqui.
Parecida com essa aqui, só que nas cores azuis. Leva o esculápio e o símbolo da OMS que quase sempre esquecem

Residência

Dificilmente poderei pleitear. Como a primeira documentação que entregarei no cadastramento tem endereços dessa cidade, além da minha identidade ter sido expedida aqui, ficará bem óbvio no sistema que moro na cidade. Moro num barraco da cidade, com pouca diferença de morar na rua mesmo. Acho até que os sem teto estão melhor: não tem tanta perda de sono por causa da profusão de pernilongos malditos aqui, e pela poeira também, já impregnada. Todo dia me sentirei sujo e farei disso um TOC para acordar já metendo um super banho demorado, quase uma obsessão, antes de ir para a aula. Como baixa renda é provável que terei direito ao RU de graça, almoço e jantar, e nos finais de semana sobrevive-se à pão com ovo e suco de goiaba. Não gasto com transporte, mas me inscrevo no auxílio mesmo assim, para ter uma pequena renda suporte (assim espero que o auxílio seja em dinheiro ─ esse auxílio é meu último recurso).

Para concluir, quero dizer que esse ano parece (parece não, certeza) vai ser bem arrochado. Mas tentarei não deixar que as limitações financeiras isolem-me socialmente da turma, porque sei por experiência que sou beta mental para conseguir me "reaproximar", demonstrando uma personalidade nova, extrovertida, depois de ficar mais folgado, com o arrego das possíveis bolsas do segundo semestre e de 2018. Não falam por aí que se você fosse para uma cidade nova, aí sim conseguiria ser menos merda tímido e mais sociável? Pois é por aí a ideia. Até lá, a rotina mantém-se como está, com uma refeição por dia e finais de semana de tédio sufocante. Procurarei saber qual o primeiro livro e as disciplinas pagas no ciclo básico, para ir adiantado de forma autodidata na biblioteca de odonto, ou possivelmente na livraria mesmo, vezes esparsas.

Abraço do Futuro Alfa.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O resultado


Histórias JPBF

Cheguei em casa tropeçando nos móveis imundos largados no cômodo da frente sem piso. Quis tomar banho mas estava faltando água, então só recolhi os cacos e tomei um ar fresco até bater a sonolência. 

Esse é o primeiro dia morando sozinho. O primeiro dia é sempre o mais difícil. Só fiz uma refeição hoje (e pelo jeito será assim, até o começo das aulas) e a falta de glicose desencadeou uma dor de cabeça fudida. 

Coloquei automatic stop para tocar, grande música do The Strokes, com esse riff de guitarra que me acompanhou durante a reta final da preparação para o ENEM, quando batia a expectativa de chegar o grande dia. E também quando eu voltava pra casa, tarde da noite, refletindo sobre a burguesia enquanto passava por ruas mal iluminadas de posts quebrados.

A primeira vez que ouvi esse álbum foi nas colinas perto do campo de futebol da universidade, fim de tarde. Com uma vista espetacular, as nuvens em tons de cores, a luz batendo inclinada, a grama verdinha. Gatinhas de short elastano fazendo cooper na ciclovia e na pista azul de metros rasos. Faltava um mês para novembro. O astral estava bom, e o ar revigorante.

Vamos falar de negócios;

Depois que saiu o resultado do ENEM, estamos fazendo simulacros com tabelas nos grupos de SISU do facebook. Minha nota rendeu 750~738 pontos, portanto ando meio ressabiado. Tenho as cotas, mas preciso ingressar no primeiro semestre, por dois motivos. Um é o requerimento de uma bolsa que vou pleitear em breve, que requer ingresso para 2017.1. A outra é a certeza de que não vou aturar por muito tempo chegar em casa fim de tarde ou começo da noite, sob olhares desses chimpentos sem estar sendo pago para isso.

O melhor cenário para mim é conseguir uma vaga nas residências universitárias, mas se isso não der certo, quero no mínimo receber duas bolsas (a permanência e a de iniciação científica) além, claro, do auxílio alimentação.

O auxílio alimentação é obrigação receber. 

Conseguir uma vaga nas residências universitárias é um sonho. Resolveria o problema da alimentação, pois ela vem inclusa para residentes; café, almoço e janta, até mesmo sábados, domingos e feriados. Também resolve o fator deslocamento. Além disso me daria condições de poder estudar no quarto, de cabeça tranquila e sem aporrinhamento de vizinhança chimpa.



Até a próxima.

Resultados do ENEM, e mudanças no blog

Cheguei em casa tropeçando nos móveis imundos largados no cômodo da frente sem piso. Quis tomar banho mas estava faltando água, então só recolhi os cacos e tomei um ar fresco até bater a sonolência. Esse é o primeiro dia morando sozinho. O primeiro dia é sempre o mais difícil. Só fiz uma refeição hoje (e pelo jeito será assim, até o começo das aulas) e a falta de glicose desencadeou uma dor de cabeça fudida. Coloquei automatic stop para tocar, grande música do The Strokes, com esse riff de guitarra que me acompanhou durante a reta final da preparação para o ENEM, quando batia a expectativa de chegar o grande dia. E também quando eu voltava pra casa, tarde da noite, refletindo sobre a vida enquanto passava por ruas mal iluminadas de posts quebrados.

Lembro da primeira apreciada quando baixei esse álbum. Foi nas colinas perto do campo de futebol da universidade, fim de tarde. Com uma vista espetacular, as nuvens em tons de cores, a luz batendo inclinada, a grama verdinha. Gatinhas de short elastano fazendo cooper na ciclovia e na pista de metros rasos (aquela azul). Faltava um mês para novembro. O astral estava bom, e o ar revigorante.

O ar agora é de pobreza, bixo. Mas a gente se acostuma, como tudo nessa vida. Essa rua, logo ela, tem duas quadras de chimpas veiotes — aqueles coroas que ficam largados nas calçadas observando o movimento da rua, como bons bostileiros padrão. E quando é uma família de chimpas inteira que fica conversando na calçada, então (tem uma gostosinha 5/10 serelepe). A sensação que tenho é de pares de olhos observando com um sorriso de sastisfação, a miséria alheia, como é típico das classes sociais brasileiras. Todas, eu digo. "O bálsamo da desgraça alheia pousando fresco sobre nossas feridas" (op. cit). Os alemães tem um termo específico para isso, schandefreude (alegria do mal), (ver Mandrake: a bíblia e a bengala, ou até The joy of the pain: Schandefreude and the dark side of human nature) e notadamente, a alegria na ruína dos outros é motivada por comparação social.

Curiosamente um desses coroas construiu uma casa ampla (três andares, espaço para duas garanges e entrada) bem em frente, e agora deve se sentir reinando no lixão (casa comum da classe média, situada na periferia, o que confere destaque). Esse é um caso aparte para quem sabe um post, futuramente. Não vou criticar ou enaltecer por motivos óbvios.

Vamos falar de negócios;

Depois que saiu o resultado do ENEM, já estamos fazendo simulacros com tabelas nos grupos de SISU do facebook. Como minha nota rendeu 738 pontos com os pesos, ando meio ressabiado. Claro, tenho as cotas, mas preciso ingressar no primeiro semestre, por dois motivos. Um é o requerimento de uma bolsa que vou pleitear em breve, que requer ingresso para 2017.1. A outra é a certeza de que não vou aturar por muito tempo chegar em casa fim de tarde ou começo da noite, sob olhares desses chimpentos sem estar sendo pago para isso. Com todas as letras eu digo: o melhor cenário para mim é conseguir uma vaga nas residências universitárias, mas se isso não der certo, quero no mínimo receber duas bolsas (a permanência e a de iniciação científica) além, claro, do auxílio alimentação.

O auxílio alimentação, peraí né?, é obrigação receber. Tem nem conversa: baixa renda, cursando medicina — um curso integral — e não ser selecionado para gratuidade no RU, éseria um absurdo. Será que o universo maquinaria dessas para cima de um JPBF tanso lazarento? (lembrando que eu não consegui uma mísera iniciação profissional no ensino médio, sendo que calouras chegaram depois de mim, evidentemente com mais condições familiares socioeconômicas, e foram selecionadas na minha frente — me parece que isso virou um trauma psicológico inconsciente, desde então).

Enfim, conseguir uma vaga nas residências universitárias é um sonho. Resolveria de primeira o problema da alimentação (que vem inclusa para residentes, café, almoço e janta, até mesmo sábados, domingos e feriados) e o fator deslocamento. Além disso me daria condições de poder estudar no quarto, de cabeça tranquila e sem aporrinhamento (aqui tem vizinhos chimpas que bebem, criança chorando, ouvem música lixo no paredão, fecham churrasquinho na rua, etc. um inferno). Volta e meia falta água, e a luz é um puxadinho. Olhar pras paredes é desanimador e o deslocamento casa-escola necessita de uma banho logo ao chegar (além do desperdício de tempo). Como tenho endereços em dois estados, se eu conseguir a vaga agora no SISU 26 de janeiro, vou pleitear o auxílio moradia, porém vai depender do bom senso da coordenação da assistência social abrir uma exceção para mim, pois o edital diz "alunos cujas famílias morem em outras cidades", mas aqui parte da família "mora" nesta cidade. Se é que se pode chamar esse barraco de moradia.

Enfim, como falei anteriormente, preciso ficar no top five para L1 ou top seven para L4 ou L2. Essas duas últimas são cotas para autodeclarados pardos, não gosto de contar com elas, mas teve relatos nesse mesmo grupo das tabelas, de negos que passaram em 8/10 para L1 com 743 de média. Isso é preocupante, pois do sexto em diante é realocado para o segundo semestre. Quem acompanha o blog desde o início, sabe os porquês que me levaram a largar as bibocas e meter as caras no ENEM da noite pro dia. Pensei muito sobre isso e não vou admitir esperar um ano mais, então, vou ficar atento no SISU para até mesmo mudar de cotas para cota pardo, se for preciso. Em último caso, só em último caso, esgotadas as opções terei que optar pela UFC (o problema é que o SISU atualiza sua posição às 00hs, e sei lá se vai ter gente mudando de um lado pro outro, realocando geral as posições dos candidatos, bagunçado a merda toda...)




Mudanças no blog

Enfim, resumindo, estou fazendo uma refeição por dia, por enquanto, e tenho a reserva do jaleco mas pode ser que precise mexer um pouco, dependendo das economias que fizer até lá, e que permitam viver até 13 de fevereiro ou o começo da liberação do RU para os novos alunos. Quanto ao blog, as postagens diminuirão, porém vou tentar fixá-las na quarta e no domingo, homenagem ao pobreta, sempre que possível às 07hs.

Até a próxima.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Como patys e alfas estão curtindo o verão enquanto este pobretão ômega amarga a dura pindaíba

O título desse post também poderia ser "Como este ômega pobretão amarga a dura pindaíba enquanto patys e alfas estão curtindo o verão" sem grandes prejuízos de sentido. A não ser, talvez, apenas revelando algo a mais sobre traços de personalidade. Mas é uma situação típica na vida de ômega de merda, pobretão imundo. Isso aconteceu tanto ano passado, quanto ano retrasado e também agora esse ano. 2015, inclusive, eu lembro como se fosse ontem: tivemos a passagem de ano, aquela punhetação toda, e logo na entrada de janeiro as rádios programaram em peso a programação especial de verão. Os programas locais de utilidades e sugestões de lazer voltadas para a classe burguesa (e depois farei um post sobre isso, à respeito de um em especial) com toda aquela reformulação "cool for the summer". E tinha aquelas atividades especiais gratuitas na orla de uma praia badalada daqui, frequentada pela classe A, promovidas pela rádio Jovem Pan, como de costume no primeiro mês do ano.

Nessa época, eu lembro, ainda estava planejando a implementação das bibocas (e delirando com a expectativa de altos rendimentos que obteria com elas). Mas como não tinha dinheiro, e nem via meios de como ganhar dinheiro para tal investimento, a rotina era de puro marasmo. Quando você é pobre e vive uma rotina de marasmo, acontecem duas coisas básicas: ou você se conforma, aceita o fracasso inevitável (sabendo que o sucesso e curtição é para alfas) e abraça o modo rica para viver em paz consigo mesmo; ou você fica se deprimindo consigo mesmo, por achar que merece mais do que a dura realidade miserável do momento, o que também é muito prejudicial devido à insatisfação frequente. 

Foi por isso que eu fiquei meio cabreiro, naquele ano, imaginando como alfas, mulheres, boys e patys de condomínio estavam curtindo o verão nas praias badaladas do litoral, e et cetera, fechando combos de água de coco, surf, reggae pop estilo "No way no" e pôr-do-sol registrados no instagram. Queria tomar parte nisso também, impondo o status social à força, como é de costume da burguesia brasileira, mas eu sabia que não conseguiria penetrar nessas rodas. Pelo menos, não ainda. O engraçado é que eu tive a boa ideia de buscar no instagram da Pan, como haveria de ser esse "verão" e essas atividades que eles promovem na praia, e vi que era coisa bem bestinha. Não é impressionante como uma boa publicidade, um vídeo de encher os olhos, consegue nos fazer pensar que determinada coisa é sempre mais atraente e açucarada do que realmente é?
É claro que o verão de alfas financeiros, playboys, patys de famílias ricas e influentes está longe de ser a rotina vazia e entendiante de um JPBF pobretão de merda, mas também é até mesmo além do que podemos supor, porque não temos contato com essa realidade. Então não há muito o que falar, além de conjecturas inúteis.

Como não tenho saído de casa para saidinhas, amigos, ou micro-universos sociais de meus pares, a maior expectativa agora é o dia de abrir período de vagas do SISU e ver se eu me encaixo em algum curso por aqui. A família vai se mandar para Fortaleza terça agora e eu volto para o barraco, então vou ter que cozinhar agora as próprias refeições, e vou ver se passo o tempo xoxo fora de casa, para não ter que ficar olhando para as paredes sem reboco poeirentas. Sei lá, pontos de ônibus olhando o movimento da rua pode ser uma pedida. Aproveito para refletir.
Mais ou menos a sensação aqui de sair de uma residência alugada com portão e paredes azulejadas, para voltar ao mesmo barraco sem reboco de antes. 
Se eu conseguir uma vaga (em med), vou nuns churras aí que as alunas já estão combinando em peso nos grupos da turma. Mulher adora social, mas eu vejo como uma oportunidade de sondar essas "veteranas" (entraram em 2016.2, não tão nem à seis meses ainda; são semi-calouras, mas enfim) e ver quais são as primeiras matérias, um modelo de prova de bioquímica, e qual livro que usaremos no curso. Quanto as fotos, é verdade que antes eu pretendia usá-las para dar carteirada nas redes sociais e reaproximar do círculo conhecido e aceito, observando quais serão suas reações, testar suas receptividades. Mas agora estou meio sem vontade quanto à isso. Por hora, um dilema. 

A primeira semana de recepção dos calouros conta com a interação intra-turmas, e tem como objetivo informar sobre o funcionamento de algumas coisas da universidade e do curso. Permite, ainda, a visita às instalações do hospital universitário, onde é divulgado um cronograma com às atividades, mas é no sistema de apadrinhamento que terei como obter provas recentes do "semi-calouro" e me adaptar ao nível das questões, o que é cobrado saber, etc. Na sequência vem o tal cerimônia do jaleco e bla bla bla fotos, bla bla bla, instagram. Se eu tivesse o óculos spy do Chimpa Brasileiro, poderia ter como registrar completo toda a experiência, mas enfim. Aí vem depois o churrasco de cadastramento, e na sequência, a festa da calourada ("calourada de medicina"). Quer dizer, isso tudo, só estou repassando informações de terceiros, e não sei como vai rolar, mas sei de antemão que serei um mero coadjuvante no meio da baladinha perpetrada por mulheres calouras e os mais alfas sociais/físico/faciais dos calouros/veteranos, onde vale beber muito, dançar muito e beijar muito. Como não estou mais encucado com essa de alfa/beta, vou de boa só para registrar os pileques sociais, em que cada um cumpre seu papel pré-determinado pelo contexto em que se está inserido.

Assim tem sido o verão deste JPBF, no limiar da loucura.

Até a próxima.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Um JPBF pode ter uma banda musical? (E por que minha voz é horrível?)

A classe média tem a adorável mania de esconder o jogo. O modus operandi não vem apenas da hipocrisia latente, como também da certeza inconsciente de que informação é poder. Outro dia, num grupo de medicina da universidade aqui do estado, um dos "veterano" se prontificou a ajudar com as informações relevantes sobre o curso, para este aspirante a calouro, via inbox. Beleza, perguntei quanto custou o jaleco com os bordados. "Não, não. O preço eu não me lembro quanto foi, mas é que a galera em peso se reúne para fazer ali no shopping tal, ao lado do supermercado." Ok, dando o benefício da dúvida, trago esse caso para levantar uma suspeita que venho refletindo já faz uns tempos. O ser humano, no geral, é mesquinho, baixo e competitivo por natureza. Poderia ser que eles desmintam, escondam ou vistam a máscara que a sociedade considera "conveniente", mas que ela não seja, de fato, a verdade dentro de si?

Muitos desejam o bem ao seu próximo, mas não que estejam tão bem quanto eles mesmos. A hipócrita caridade da classe média, na semana do Natal, é só um lugar comum nesse mar de pretensões dentro da selva de pedra, às vezes, as próprias criadoras de suas personagens marginalizadas ─ estas que são exploradas nas narrativas incisivas da geração 90 e outros escritores atuais, atentos à todas essas coisas que são de direito.

Nesse interím, piadas como "o cara chato que toca Legião Urbana no churrasco" mascaram um recalque percebido e comprado por todos os que não tem dotes musicais para atrair a atenção de bucetas nas rodinhas sociais. Chavão aos conhecedores da real e sex appeal para os puazeiros, tocar violão e cantar qualquer merda nessas confraternizações de trabalho, igreja ou escola, é sim um chamariz de xavascas, uma ferramenta para trabalhar o alfismo social (VS no vocabulário PUA) e o primeiro passo para criar um grupinho em sua volta. E quando esse grupinho é de mulheres então, é que cria fissuras e recalques da macharada em volta, ressentidos por não serem o centro social. É o cérebro primata, paleolítico, competindo à todo instante pelo domínio das melhores fêmeas.
É sabendo disso que eu já tive projeções de aprender a tocar algum instrumento. Dois anos atrás, aspirava até compor uma banda. Entretanto, devido à miséria, nunca nem pude comprar um violão de segunda, até hoje. Vinte anos nas costas e nem mesmo um hobby comum, como cifras de violão.. puta que o pariu! Ser pobre é uma merda. Ser pobre e manjar a real é mais ainda. É como ser habilitado e não ter um carro.

A vida tá passando e eu não estou curtindo nada nas fases corretas.

Por que minha voz é horrível?

Sim, tem essa também. Além de comprar um violão e começar a arranhar essa merda, tenho que treinar a voz de taquara. E será que isso tem jeito? Geralmente voz de pobre é repulsiva porque sua autoestima é muito defasada. Assim como exploraram esse ponto, escritores como Rubem Fonseca e outros destaques atentos ao maquinário urbano (o próprio Felipe Pena, recentemente citado no blog). Como é mesmo o nome? Ah, é: "olhar subserviente". O pobre ômega JPBF inapto social tem um olhar subserviente. É aquela coisa meio esbugalhada, insegura, como que esperando uma ordem iminente para obedecer. Você passa de encontro à outras pessoas, em aglomerações frequentadas pela classe média (shopping, biblioteca universitária) e o olhar não se fixa na fronte do outro que vem em sentido contrário. Uma certeza inconsciente de que se é inferior.
De que não se está fazendo sucesso em nada, essa é a verdade. Veja, por exemplo, eu estudei na mesma sala que uma menina aí que agora integra uma banda que se apresentou no SuperStar. Na época eu nem sabia, já tinha ouvido falar dessa tal banda e nem procurei saber. Mas logo no dia seguinte que fiquei sabendo do tal fato, ligado os pontos, espraguejado porra! e depois me conformado, já me sentia meio underground e independente. "Ah, aquela banda tal? Mano, estudei com ela, bixo". Eu me achava menos lixo por ter esse assunto para falar, mas não queria parecer presunçoso, então ficava de boca fechada até que tocassem no assunto. E foram duas oportunidades que pude dizer isso, e mesmo ninguém dando a menor foda para mim (achando que era caô de um ômega pobretão tanso imundo sequelado) eu me surpreendi com a minha própria voz. Como se tivesse sido outra pessoa que tivesse falado por mim. Uma puta voz alfa, não de playboy, mas ainda assim voz de boy de condomínio classe A, estes que não tem preocupação nenhuma na vida, do que vai comer ou o que vai vestir, e que metem vários hobbys desde a infância, tipo natação e curso de teatro.

É estranho agora eu ter desistido de todas essas pretensões que agregam VS. Voz e violão, fotos em lugares estratégicos, gravação de covers pro facebook, et cetera. Pensar que eu tive 10k em mãos e hoje me vejo sem um tostão no bolso, deixa uma angústia amarga, uma sensação de desamparo bixo, que faz você espremer cada centavo a partir de agora. De fato, (op. cit. Ivan, de Bufo & Spalanzanni) "o rico acumula cada vez mais dinheiro, não por querer ficar mais rico, mas pelo medo de se ver pobre de novo". Então, mesmo supondo que eu ganhe uma bolsa na universidade (supondo que eu ganhe), nesse momento estou mais interessado em aportar tudo e meter em TD do que patrocinar-me esses hobbys, pelo menos por hora. E, cara, eu tô muito a fim.


Forte abraço. Até a próxima.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Metas para 2017

Em 30 de janeiro de 2016 eu escrevi entre as notas do caderno de rotina 1, no evernote, as metas 2016. 

Antes daquele tempo, alimentei, acordado sob a luz de estrelas por dois anos, expectativas com lucros no empreendedorismo de bibocas.

O ano veio e passou. O projeto de bibocas fracassou. Ficou uma certeza marcada.

Ficou muito claro que este país tropical não é fértil para empreendedorismo quando se começa de baixo. 

Investimento é tesouro direto e selic, e semelhantes que sejam certeza do dinheiro render (um pouco acima da inflação e só), é o que deve ser feito.

A partir desses aprendizados, passei a reconsiderar essas expectativas, para desejar coisas que eu considero pé no chão, ou seja, realistas. De acordo com a realidade.
A minha realidade, por sinal, é de se contentar se tiver o que comer no dia seguinte, então o que de bom vier, já é lucro. 

Mas fica o receio, porém, de não estar aproveitando a vida, em cada uma de suas fases corretas. 

Pois eu já tive experiências ruins com isso, como relatei no início, e acredito que é ponto comum. Ter crescido sem amizades, sem interações grupais elevadoras de auto-estima, é uma realidade geradora de prejuízos na personalidade para a vida toda. Você passa a remoer um passado perdido.
É por isso que eu não quero deixar de dar uma atenção especial nisto. Em 2017, até o fim do ano, são minhas metas:

1. Social. Começar a arranhar o violão e ter uma noção de canto. 

2. Social. Ir num festival de música.

3. Financeiro. Juntar pelo menos 4k até 2018.

4. Acadêmico. Obter melhores notas, pro boletim.

Bom, quanto à outras coisas, praticar o inglês, corpo/saúde, estética com naturais, acho que é de hábito. 

Baixei a bola. 

Dar um passo de cada vez. Apreciando a jornada.

Até a próxima

Metas para 2017

Em 30 de janeiro de 2016 eu escrevi entre as notas do caderno de rotina 1, no Evernote, as metas 2016. Antes daquele tempo, e como vocês sabem, já alimentava muitas expectativas, por quase dois anos. Inclusive madrugadas adentro/afora, quando no meu antigo trabalho, acordado sob a luz de estrelas, mentalizando que o empreendedorismo com bibocas ia ser o bixo! O ano veio, passou, e foi de muitas bordoadas, com fracassos em todos os projetos (ou a maioria)  e uma certeza que ficou marcada: o Brasil não é para amadores.

Ficou muito claro que este país tropical não é fértil para empreendedorismo, especialmente quando se começa de baixo. Aqui é só politicagem, bucetocard, QI/apadrinhamento, e quando muito, para o JPBF, é medicina ou concursos públicos. Investimento é tesouro direto e selic, e semelhantes que sejam certeza do dinheiro render (um pouco acima da inflação e só), enquanto você aprecia as massas sendo oprimidas nos acordões dos políticos safados.

Mas não quero falar sobre isso. Quero falar sim do ensinamento que a vida me deu, e que me fez baixar muito a bola quanto à essas expectativas de metas do ano, para desejar coisas que eu considero pé no chão, ou seja, realistas. De acordo com a sua realidade.
A minha realidade, por sinal, é de se contentar se tiver o que comer no dia seguinte, então o que de bom vier, já é lucro. Mas fica o receio, porém, de não estar aproveitando a vida, em cada uma de suas fases corretas. Quer dizer, eu já tive experiências ruins com isso, como relatei no início do blog, e acredito que é ponto comum à todo jovem, pobre, feio,  e beta de verdade. Ter crescido sem amizades, sem interações com o sexo oposto, ou situações grupais elevadoras de auto-estima, é uma realidade geradora de traumas para a vida toda. Você se pega em cenas, por exemplo, de stalkear o instagram 'dazinimigas', ouvindo The Cure, e ver fotos de formatura e ingresso na universidade comemoradas em grupos, em algum pub da cidade. Abraços, sorrisos, pintura na testa, enquanto que você, em seis anos de ensino médio, nunca teve nenhum causo para contar. Nem na piscina do colégio chegou a nadar.

É por isso que eu não quero deixar passar nem mais um ano, sem dar uma atenção especial nessa porra. Triste, mas é a realidade. Em 2017, até o fim do ano, quero, como metas:

1. Social. Começar a arranhar o violão e ter uma noção de canto. 

Quer goste, quer não goste, tocar violão e outras merdas é símbolo de alfismo social indiscutível, gerador de valor nas rodinhas. Você sabem disso. Então, eu pretendo gravar um vídeo tocando "Wonderwall" do Oasis [banda lixo insuportável], de preferência num cenário com uma piscina no plano de fundo. Talvez, por causa disso, eu gaste dinheiro com uma câmera, tripê e outros acessórios de studio, mas apenas se não comprometer muito os aportes. Fora isso, também quero saber desenrolar uns Legião Urbana no churras da turma, basicamente.

2. Social. Ir num show do festival DoSol, em novembro, acompanhado de uma turma.
A princípio, eu pensei em levar uma garota inapta social mas bonitinha, como forma de auto-validação e para impressionar a perva. Mas pensando melhor, sei que alunos da universidade comparecem em peso à esse festival, como já comprovei ano passado. Logo precisarei apenas sondar alguns com quem mais me identifico, ou me sinto à vontade, e acompanhá-los fazendo o papel de coadjuvante. Daí pego as fotos que eles irão tirar em grupo, e publico-as no instaxota.

3. Financeiro. 19 de janeiro agora sai o resultado do Sisu. Dias 23 à 26, abre-se a disputa de vagas, sendo que atualizam a posição do candidato por volta da meia noite. Eu já conferi nos editais que tenho que ficar no top 5 de L3, para garantir ingresso no primeiro semestre de 2017, o que me garante cumprir um dos requerimentos para pleitear uma bolsa de estudos privada bem interessante aí. Mas se eu ver que fiquei do sexto pra lá, vou migrar para L1 e ver como fica a configuração. De qualquer forma, preciso ingressar no primeiro semestre (já sendo meta), e se rolar auxílio residência vai ser um sonho!, já que vou residir no próprio campus universitário ─ o que também realiza outra antiga aspiração minha, de ter todo esse clima de república de filme americano. Sendo assim, é pelo auxílio concedido pelas bolsas (ainda à pleitear) que pretendo juntar pelo menos 4k até o fim do ano, desconsiderando os gastos necessários para o curso, como livros, et cetera.

4. Acadêmico. Obter melhores notas, pro boletim, ficando entre os três primeiros da turma. A bem da verdade, se eu não pegar nenhuma bolsa (chances remotas, na verdade, estou mais otimista quanto à isso) não terei como comprar os livros, e esse projeto ficaria comprometido (porque não conto com apoio de mais nenhum familiar). Porém, creio que isso não vai acontecer, e em meados de maio já estará tudo acertado, com a primeira parcela caindo na conta. Como não tenho namorada, amigos, vida social, ou qualquer outra distração, vai ser bem de boa ficar 100% voltado para a formação. Um modo semi-zumbi com livros no lugar de games e séries. Não muito diferente do que vem sendo todos esses anos.

Bom, quanto à outras coisas, praticar o inglês, corpo/saúde, estética com naturais, acho que isso são desenvolvimentos de hábito, não necessariamente metas. Por isso não as coloquei aqui. Pensei, pensei, parece que é só essas quatro mesmo, por hora. Baixou muito a bola, desde os delírios do ano passado, que incluíam até cruzeiro marítimo e 100k de aporte, não é mesmo? Mas é assim mesmo, o ser humano tem a estranha característica de abdicar de todas as ambições mundanas e se contentar só com um quarto simples, uma net meia-boca pro Xvideos, e seus games escapistas. Mas logo a maré fica favorável, com expectativas de sucesso, para ele desejar algo cada vez mais alto (quem sabe, farei um post sobre isso). Portando, creio que devemos ser humildes e dar um passo de cada vez. Apreciando a jornada.

Forte abraço.    

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Expectativas para 2017

Pequena análise do quadro geral

Nas crises de ansiedade e vazio sufocante, costumo ouvir a programação da rádio universitária. Suas vinhetas, suas músicas valorizando o artista local e outras batidas de outros países ─ que por serem "novas" aos meus ouvidos, se tornam calmantes.

A rádio universitária me faz sentir num clima mais universitário, se é que podemos dizer. Tem um ar de pertencimento.

Projetos de 2017, no âmbito social.


Sei que eu não vou mais morar de aluguel, por conta que a mãe pediu as contas do emprego e vai morar com a avó na capital. "As contas estavam apertando", sic.

Voltei para a morar na antiga casa. Está uma bagunça, móveis quebrados, sem energia. São dois cômodos.

Adiantei logo a mudança, para me adaptar. Aos poucos vou arrumando o barraco.

Fazer essa mudança deveria gerar em mim um sentimento de frustração deprimente, mas não. Talvez eu tenha calejado. 


Nessa nova configuração, até mesmo as refeições serão incertas aqui. 

Por um período estou me segurando, almoçando no bandejão à um real e contando os dias para o SISU. Sábados e domingos são mais ralados: a pão e água.

Separei o grosso dos meus documentos e anotei toda a localização em cadernos do Evernote. Sempre foi minha mãe que cuidava da papelada, mas agora é diferente. Eu preciso saber onde cada papel está.

Assim que sair o edital, vou pleitear a residência universitária. 

Diz o edital que é concedido moradias na universidade "para estudantes de baixa renda, cujas famílias não residam nas cidades do curso". Até aí beleza. Mas no edital pede também "o recibo de aluguel reconhecido em cartório". Eu não posso pagar um mês de aluguel.


Nas residências, você divide um quarto com mais três pessoas. Pode ser chato no começo, mas você se acostuma, se manter a boa convivência.

Plano B ─ se eu não passar em medicina, ou não conseguir me manter em medicina vou sondar os concursos nível fundamental mais próximos em cidadezinhas. Concursos da marinha são também cotados. Questão da estabilidade.

Até a próxima. Forte abraço!

Pequena análise da cena geral, e expectativas para este início de 2017

Tristeza da porra, bixo. E não sei se tem relação com as duas punhas que bati num espaço de 12 horas (uma ontem à noite, e agora de manhã) ou é uma daquelas crises de ansiedade de novo. Eu sei que testosterona é o hormônio da felicidade. Sabe, testo é o que lhe confere vontade de guerrear, competitividade, virilidade, et cetera. É bem por isso que eu sou adepto do fap intermitente, num espaço quinzenal, que é para manter os picos de testo. Deve ser por essa escorregada que a ansiedade voltou, junto que uma sensação de vazio/sufoco, que não deixa a pessoa fazer nada. Mas, por sorte, encontrei um paliativo nessas horas, que é ouvir a programação da rádio universitária. Suas vinhetas, suas músicas valorizando o artista local e outras batidas culturais ─ que por serem "novas" aos meus ouvidos, se tornam calmantes ─ além da voz inconfundível do locutor que narra as notícias.

Fora que ouvir a rádio universitária me faz sentir num clima mais universitário, se é que podemos dizer. Saber dos eventos, dos cursos, do que rola no Campus, et cetera. Tudo isso tem um ar de... um ar de quê? De república? De pertencimento?

Enfim, esse post, na verdade era para falar dos projetos de 2017, no âmbito social. Eu sempre gosto de fazer as metas depois da virada, vocês sabem. Só que fui colocando as palavras na tela, e veio a necessidade, por assim dizer, de delinear como estão as coisas agora. Fazer um balanço da cena geral, como numa partida de xadrez, para observar atentamente quais serão meus próximos lances.
Sabemos que eu não vou mais morar de aluguel, por conta que a mãe pediu as contas do emprego e vai morar com a avó em Fortaleza. "As contas estavam apertando", disse ela, e lá tem o rolo da aposentadoria, que os irmãos estão gastando com pinga, pensões et cetera. Voltei para a morar com o pai, alcóolatra (a casa estava destruída, ainda da última histeria do bêbado ─ quebrou todos móveis aqui, como faz quando tá de pileque. Tive que jogar armários, pedaço de pia fora, o resto passei a vassoura, limpei e virou um teto para dormir, apenas; nem luz tem). 

Só adiantei logo a mudança, por conta que tias estavam querendo fazer um arrumadinho para socar outras peças da família chimpa aqui dentro, o que não ia dar certo. Então, já vim me adaptar ─ e vi que não gostaram, mas fazer o quê?

Fazer essa mudança (como mencionei em outro post, que não tinha mais vergonha de morar num barraco e agora ter que voltar pra cá) deveria gerar em mim um sentimento de frustração deprimente, mas não. Não sei se por ter calejado o fracasso, sublimando-o em mim, ou por...
Nessa nova configuração, até mesmo as refeições serão incertas aqui. Pelo menos durante um período, eu espero que breve. Estou me segurando, almoçando no bandejão à um real e contando os dias para o SISU. Sábados e domingos que são mais ralados: o funcionamento do restaurante popular é segunda à sexta. Já separei o grosso dos meus documentos e anotei toda a localização em cadernos do Evernote, porque eu sempre fui desorganizado nessas coisas. Sempre foi minha mãe que cuidava da papelada, mas agora é diferente. E eu mesmo preciso saber onde cada papel está.

O empecilho à essa altura, talvez, seja os holerites e extratos de comprovação de renda do meu pai, que vou precisar pedir para comprovar baixa renda, tanto nas bolsas, quanto na cota L1 (escola pública e baixa renda, se precisar) pois algumas bolsas que vou pleitear requerem entrada no primeiro semestre. Como disse a relação aqui não é lá muito boa, e os cartões dele estão em posse de um agiota.

Assim que sair o edital, vou pleitear a residência universitária. Diz o edital que é concedido moradias na universidade "para estudantes de baixa renda, cujas famílias não residam nas cidades do curso". Beleza, minha família mora em Fortaleza e tenho como conseguir comprovar o endereço, mas no edital pede também "o recibo de aluguel reconhecido em cartório". Assim, não cola dizer que "mora de favor com o pai", ou com uma das tias (ainda que essa desculpa seja mais aceitável). Agora, pretendo sim explicar a situação insustentável na entrevista marcada com a assistente social ─ eles também fazem visitas nas casas, creio que será mais convincente ver do que ouvir ─ e depois ficará a mercê da boa vontade da coordenadoria.
Aqui pode ser que se pergunte se eu tenho um plano B ─ não por não passar em medicina, mas por não conseguir se manter em medicina (galerinha adepta do "pobre não pode cursar medicina, hur dur, deve sonhar mais baixo, meter um técnico hur dhur"). E eu tenho. Melhor, tinha. Era até um post que seria sobre sondar os concursos nível fundamental mais próximos em cidadezinhas e meter o pé ─ depois de juntar um pé de meia num subemprego, respositor de supermercado, por exemplo. A verdade é que já fui longe demais para dar meia volta à essa altura do campeonato.

Não vou desperdiçar meu potencial. 

Sem querer dizer que medicina é o suprassumo da vitória e afirmação alfística, pois não supera empreendedorismo e (cite outros...), mas vai garantir sim uma qualidade de vida digna. E uma profissão em que se é respeitado (não tô falando do status para mulheres, dessa vez, e sim do respeito empregatício). Isso é o mais importante.

Até a próxima. Forte abraço!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Adulações de ego no maquinário urbano

Enquanto estudava para o ENEM, tive contatos com tópicos de Geografia e História 3, que me fizeram pensar um pouco mais sobre o funcionamento da sociedade. 

Refletir sobre como se deu a industrialização brasileira no governo JK, a agricultura, a globalização, o desemprego estrutural e neoliberalismo te dão uma noção superficial do porquê as coisas são como são. E sobretudo porquê são mantidas assim.

Fábrica de Diplomas, de Felipe Pena é um livro que toca na ideologia da classe média alta e vai delineando, a partir daí, uma história policial que se passa em faculdades do Rio de Janeiro, envolvendo mídia, tráfico e política, aproveitando para fazer uma crítica e uma reflexão sobre o ensino brasileiro.

O Pobreta, certa vez, disse: “a vida é uma arena, em que o objetivo sumário é mostrar que se está melhor do que os seus pares”. 

Sabendo que “não existe felicidade sem destaque social”, ainda citando. Ou, ao menos, no sentido adulação do ego, que libera doses de dopamina e empolgação. 

A classe média é viciada nisto. Ela não tem ideologia. Ela quer tão somente demonstrar o seu status. "O Brasil não tem nobreza, apenas burguesia" (Cit.).

É um jogo do Brasil, em que vestem amarelinha e se dirigem aos estádios, São as viagens para Europa, Japão, Miami, totalmente registradas nos canais de youtubers. São as lives no snapchat direto de pubs bem frequentados. 

“Muito menos os transeuntes apressados do calçadão do calçadão, com seus bonés da Nike, tênis Rebook comprados em Miami, relógios Bvlgari, calcinhas Victoria’s Secret, óculos Diesel e outros acessórios indispensáveis à sociedade emergente do bairro. (...) dividem a passarela com deslumbrantes e deslumbradas cocotas de corpos esculpidos em uma das 350 academias de ginástica da região. Algumas olham debochadamente para as mulheres mais velhas, que fogem ao arquétipo local, outras apenas cortejam maridos carentes ou já são, de fato, esposas de velhos babões que em breve perderão a casa, o carro de luxo, e a guarda dos filhos em um processo de divórcio.”

O que eu percebi, acima de tudo, logo ao começar a ler "Fábrica de diplomas" é uma certeza. O pensamento redpill nacional é reproduzido de perto pelas classes pensantes. Não é preciso ser muito inteligente para notar isso.

“A cadeia alimentar está bem definida. Não é difícil perceber quem come a carne ou vive dela. Nem observar os vegetarianos, ruminando celulose em frente às pantalhas de TV sintonizadas em programas de auditório liderados por modelos carreiristas, nos vários sentidos do termo.”

É por exemplo, as matérias do vídeo-show e do Faustão que mostram a rotina de um ator ou jornalista de dentro da emissora, ou mostram a casa milionária de algum deles (Estrelas). A TV hipnotiza as massas.

Essas novelas tem um papel importante em manobrar costumes e o pensamento do povo, e podem ser uma das causas do ego de quem as consume.
Até a próxima!

Fábrica de diplomas mostrando retalhos da sociedade. Adulações de ego no maquinário urbano

Enquanto estudava para o ENEM, tive contatos com tópicos de Geografia e História 3, que me fizeram pensar um pouco mais sobre o funcionamento da sociedade. Refletir sobre como se deu a industrialização brasileira no governo JK, a agricultura, a globalização, o desemprego estrutural e neoliberalismo etc. te dão uma noção, mesmo que superficial, do porquê as coisas são como são. E sobretudo porquê são mantidas da forma como está.

Dito isto, e a partir de então, imaginei como seria bacana ler um livro de ficção que abordasse com ironia e sarcasmo o pensamento das classes sociais ─ e, de fato, até pensei em eu mesmo escrever (pro Wattpad) algo do tipo. Mas não me acho ainda um escritor completo. No Nyah, o que de mais próximo encontrei foram fanfics ─ críticas e boas, mas obtusas ─ cuja história se passa no Brasil, e metendo o dedo na realidade social brasileira. Uma nas classes altas do Rio, e outra mais contundente, que se passa em Recife.

Mas aí achei Fábrica de Diplomas, de Felipe Pena. Que é um livro pela editora Record (ponto 1) e muito dentro dos requerimentos que eu procurava ler. Ele começa avassalador, tocando na ideologia da classe média alta ─ ao qual eu já citei em outros posts, e mais a frente voltaremos com esse devaneio ─ e vai delineando, a partir daí, uma história policial que se passa em faculdades do Rio de Janeiro, envolvendo mídia, tráfico e política, aproveitando para fazer uma crítica e uma reflexão sobre o ensino brasileiro.

Mas isso não importa no momento. O ponto alto desse post é voltar com essa “reflexão”, que vocês sabem que é uma das grandes máximas já ditas nos redutos da real pobretana. Disse o Pobreta, que “a vida é uma arena, em que o objetivo sumário é mostrar que se está melhor do que os seus pares”. E mais do que isso, sabemos que “não existe felicidade sem destaque social”, ao menos, no sentido adulação do ego, que libera doses de dopamina e empolgação. Eu vou mais além, eu afirmo, como já bostejei outra vez, do alto dos meus devaneios, que a classe média (op. cit.) não tem ideologia alguma. Ela está aí somente para o status, e as diversas formas em que pode demonstrar o seu status.

E digo mais: eles fazem consciente, porque sabem disso (no sentido realista da coisa).

É um jogo do Brasil, em que vestem amarelinha e se dirigem aos estádios, exibindo loiras para pagar de gatão. É as viagens para Europa, Japão, Miami, totalmente registradas nos canais de youtubers. E são as lives no snapchat direto de pubs frequentados por essa galera metida a cool, enfim. Seguindo as sazonais da moda.
“Muito menos os transeuntes apressados do calçadão do calçadão, com seus bonés da Nike, tênis Rebook comprados em Miami, relógios Bvlgari, calcinhas Victoria’s Secret, óculos Diesel e outros acessórios indispensáveis à sociedade emergente do bairro. (...) dividem a passarela com deslumbrantes e deslumbradas cocotas de corpos esculpidos em uma das 350 academias de ginástica da região. Algumas olham debochadamente para as mulheres mais velhas, que fogem ao arquétipo local, outras apenas cortejam maridos carentes ou já são, de fato, esposas de velhos babões que em breve perderão a casa, o carro de luxo, e a guarda dos filhos em um processo de divórcio.”

O que eu percebi, acima de tudo, logo ao começar a ler este livro, é uma certeza. O pensamento da real é reproduzido de perto pelas classes pensantes, até porque é bem evidente para quem liga os pontos, e tem uma capacidade crítica da coisa, aliada à busca/acúmulo de conhecimento.

“A cadeia alimentar está bem definida. Não é difícil perceber quem come a carne ou vive dela. Nem observar os vegetarianos, ruminando celulose em frente às pantalhas de TV sintonizadas em programas de auditório liderados por modelos carreiristas, nos vários sentidos do termo.”

É por exemplo, aquelas matérias do vídeo-show e do faustão que mostram a rotina de um ator ou jornalista de dentro da emissora, ou mostram a casa milionária de algum deles (Estrelas) ─ tenho percebido o gosto da globo de hipnotizar as massas ─ além dos estereótipos reforçados em novelas globais, cujo IDH em todas elas é o maior do mundo, só perde pra Suécia.

Essas novelas tem um papel importante em manobrar costumes e o pensamento das massas, e podem ser uma das causas do ego colossal de nossas mulheres brasileiras (principal consumidoras dessas merdas), especialmente sub-medianas/medianas, que, como vocês sabem, são ultra-exigentes, ainda que não tenham nada a oferecer.

Em síntese, nesse mar de variáveis que é a vida, uma coisa parece ser uma constante. E aí você pode buscá-la para si mesmo, ou premeditando outra coisa, não interessa, pois vai de cada um. Agora, o que não é míster, é dizer que tal não se conseguirá com trabalhos braçais, e empregos que ganham abaixo da média (o que é óbvio). A massa de assalariados representa, para todos os efeitos, mão de obra barata e não valorizada. 

Adendo: em medicina, também não vejo grandes expectativas de entrar na alta roda, a priori, mas te coloca numa classe confortável, bem acima da média. Uma vez um anon aqui me perguntou qual era minha meta de IF. Meta: o que vier é lucro. Tenho sim meus "sonhos altos", mas betas mentais devem ser realistas. 1M ou 2M, é o que dá para juntar tranquilo em cerca de 10 à 15 anos.

Vamos à corrida. Até a próxima!