
Fora que ouvir a rádio universitária me faz sentir num clima mais universitário, se é que podemos dizer. Saber dos eventos, dos cursos, do que rola no Campus, et cetera. Tudo isso tem um ar de... um ar de quê? De república? De pertencimento?
Enfim, esse post, na verdade era para falar dos projetos de 2017, no âmbito social. Eu sempre gosto de fazer as metas depois da virada, vocês sabem. Só que fui colocando as palavras na tela, e veio a necessidade, por assim dizer, de delinear como estão as coisas agora. Fazer um balanço da cena geral, como numa partida de xadrez, para observar atentamente quais serão meus próximos lances.

Só adiantei logo a mudança, por conta que tias estavam querendo fazer um arrumadinho para socar outras peças da família chimpa aqui dentro, o que não ia dar certo. Então, já vim me adaptar ─ e vi que não gostaram, mas fazer o quê?
Fazer essa mudança (como mencionei em outro post, que não tinha mais vergonha de morar num barraco e agora ter que voltar pra cá) deveria gerar em mim um sentimento de frustração deprimente, mas não. Não sei se por ter calejado o fracasso, sublimando-o em mim, ou por...

O empecilho à essa altura, talvez, seja os holerites e extratos de comprovação de renda do meu pai, que vou precisar pedir para comprovar baixa renda, tanto nas bolsas, quanto na cota L1 (escola pública e baixa renda, se precisar) pois algumas bolsas que vou pleitear requerem entrada no primeiro semestre. Como disse a relação aqui não é lá muito boa, e os cartões dele estão em posse de um agiota.
Assim que sair o edital, vou pleitear a residência universitária. Diz o edital que é concedido moradias na universidade "para estudantes de baixa renda, cujas famílias não residam nas cidades do curso". Beleza, minha família mora em Fortaleza e tenho como conseguir comprovar o endereço, mas no edital pede também "o recibo de aluguel reconhecido em cartório". Assim, não cola dizer que "mora de favor com o pai", ou com uma das tias (ainda que essa desculpa seja mais aceitável). Agora, pretendo sim explicar a situação insustentável na entrevista marcada com a assistente social ─ eles também fazem visitas nas casas, creio que será mais convincente ver do que ouvir ─ e depois ficará a mercê da boa vontade da coordenadoria.

Não vou desperdiçar meu potencial.
Sem querer dizer que medicina é o suprassumo da vitória e afirmação alfística, pois não supera empreendedorismo e (cite outros...), mas vai garantir sim uma qualidade de vida digna. E uma profissão em que se é respeitado (não tô falando do status para mulheres, dessa vez, e sim do respeito empregatício). Isso é o mais importante.
Até a próxima. Forte abraço!
Caralho, cara, tu tá fudido mesmo, hem?
ResponderExcluirÉ uma desgraça ser pobre e não ter casa decente pra morar. Lembro que há uns 10 anos eu morava num puta barraco SEM reboco, só as lajotas com massa no meio, na época tinha uns 10 anos, né?, e fui inventar de convidar uns amigos pra vir pra minha casa já sabendo que ela era uma merda e que passaria vergonha, mas nem tanto!
Minha casa não tinha nem portão, era tipo aquelas cavernas com uma rocha na entrada, e que pra entrar era necessário deslocá-la. O portão era um bolo de pau. Teve um dia que veio um amiguinho meu de escola aqui, e, na medida em que ele entrava na minha casa, olhando para o teto e para os cômodos, como quem entra em um castelo mal assombrado, disse: "Nossa, B. Z.! Achei que sua casa fosse mais bonita."
E um chimpa que conheço, que pra namorar a mina ele chegava de bike na casa dela, mas como ele pagava de gostosão na escola, ele deixava a bike escondida no mato 10 quarteirões antes e depois falava que tinha vindo de carro com os pais, só pra ocultar a betice financeira. A pobreza é triste, camarada.
E essa viadagem de ouvir locutor de rádio, hem? Hum... boiola. A voz dele é grave penetrante?!
Não desista da Medicina.