domingo, 19 de fevereiro de 2017

Reflexões de rua no começo da noite

E a esperança de dias melhores ♫

A criatividade está nas ruas. 

Percebo isso quando fico em casa, pela noite, vazio de ideias. Mas basta uma saída noturna para borbulhar de vastas emoções e de pensamentos imperfeitos. "A vida está nas ruas" (Go, Nick Farewell), e "já reparou que os prazeres físicos são os que mais dão satisfação de espírito? Caminhar, comer..." (citação de algum livro de Rubem Fonseca). É por isso que, certas vezes, saio de casa à noite para comprar pão, ainda que eu saiba que precise, no momento, economizar ao máximo. E também um bolo de macaxeira e um sonho. É uma tentação de burguesar, mas tem sido também uma terapia, pois estou às margens de perder a mínima dignidade.

A bolsa CNPQ que pretendia pegar em 2018, está correndo risco de não dar certo como eu imaginei. Fiz a inscrição antecipada agora, e no site está dando erro. 

Enviei um email para a coordenação perguntando o que pode estar acontecendo. Sei que eu fui indicado para essa bolsa em 2015, mas por não comparecer aos encontros presenciais, ela me foi cancelada. Ainda assim eu peguei uma das parcelas, de 400 reais.

É bem chato ter que recorrer à esse tipo de condição imposta, quando o correto é que a Bolsa Permanência continuasse em vigor. Verba sei que não falta. 

É provável que, por já ter participado uma vez da CNPQ não poderei mais pleitear minha inscrição. Se acontecer essa possibilidade, não sei...

Este é o principal motivo d'eu estar desanimando com o curso de medicina. Passar esse primeiro período, como já falei, noutro post, indo e voltando para um barraco de moradia, sem estar ao menos recebendo para isso, será deveras revoltante.

É aí que entra contexto para meu pequeno hábito. Saio fim de tarde para comprar pão, um pequeno ato burguês, o último que resta para não perder a dignidade. E isto me faz pensar. 

Primeiro, espírito livre, imagino o futuro, quando eu, pós-formado, empregado e ganhando dinheiro, poderei me dedicar à burguesar de forma plena e sem limites. Sem preocupações de se o dinheiro pode faltar pra isso ou aquilo outro. E eu já falei isso aqui, outra vez. 


"É muito fácil perder a vergonha de se expor quando se é privado de tudo" A confraria dos espadas

Segundo, me deixo espiar outros moradores desta rua, e eles me parecem mais compenetrados em suas próprias realidades (embora essa necessidade imunda de ficar socado nas calçadas em frente às suas casa, eles parecem não estar saboreando flagrar minha situação específica, até aí beleza). Clã ali do Cipriano estão conversando entre eles, o Cipriano mesmo está olhando a rua de cima, deitado numa rede, na varanda do alto de um segundo andar. Cobrinha se balançando numa cadeira, olha a própria pança cheia de merda. Respectivamente estes são os dois mais boçais. Outro zé ali que eu não lembro, vejam quem diria?, dono de uma pequena budeguinha mal feita na entrada de sua casa, sentando num banco de madeira pequeno (quem sabe vem um cliente) enquanto assiste o Datena, (a T|V lá dentro de casa, noutro cômodo). Perfeito.

Também me ponho a observar as pessoas, os trausentes. Figuras da sociedade. E é aí que vejo: eu não preciso de muito. Pelo menos, não tanto status e dinheiro, como médico.

Vejo o zé ali que é vigia noturno de um colégio municipal. Eu ficaria feliz com um cargo público desses: de baixo escalão, de milão, estável e com uma tamanha simplicidade: só pernoitar na guarita, numa escala de 72. 

Se fosse numa cidadezinha, então, melhor ainda. Longe das cobranças da cidade grande, preços superfaturados, trânsito complicado.  Teria tudo que eu preciso para um modo rica mestre: albuns nacional e internacional anos 80, explorar livros usados em sebos, internet (óbvio) à espera de que lancem um anime mais da hora, tipo HxH, e um quarto ou kitnet alugada numa pensão, com segundo andar, para escrever minhas fanfics ou praticar xadrez na varanda, ou mesmo acordar de 4 da matina para olhar as estrelas. Tudo isso com pouco mais de milão ─ foda-se mulheres, foda-se os alfas, foda-se a sociedade.

Sim, sei que, com milão, não dá para aportar para uma previdência, foi só um exemplo que dei.

Mas, se eu tivesse a passagem e um pé de meia agora, largaria medicina e me inscreveria no concurso de admissão à Marinha, que saiu agora, até dia 06 de março. Pena que não tenho dinheiro pra isso. 

Vida beta que segue.

Terceira parada no passeio. Vejo a trupe dos antigos e aceitos e planejo voltar entre eles, para pregar uma peça, isso lá pelo quarto ano, quando tiver mais poder social é claro. Inclusive eu quero relatar essa experiência aqui no blog, fazendo um paralelo de como eu era tratado, ômega rejeitado, quase um leproso social, e como passará a ser o tratamento quando eu revelar que já estou quase me formando em medicina. Vocês vão ver a prova real mais uma vez do pensamento da real pobretana. Por hora, todas os perfis em redes sociais, mantenho em "only me" e não deixo vazar pistas, caso algumas "moças de família" queiram stalkear o meu instarrola e derivados.

Enfim, concluo, por meio dessa reflexão, que saio à noite fim de tarde, para sair por um instante dessa realidade triste, medíocre, de pobreza, miséria e zero dignidade  que não desejo para ninguém. Nas ruas, espaireço das dificuldades. Me alimento dia após dia, noite após noite, da esperança de que um dia tudo isso irá melhorar, quem sabe. E sei que a sociedade não se importa, não está nem aí. Na verdade, ela saboreia, sei que ela gosta, como que motivada por comparação social que a faz se sentir superior, quando, por exemplo, um mendigo vem a pedir uma moedinha e eles fazem cara de nojo, dizem para arrumar um emprego, arrumar uns bicos, querendo que o marginalizado pela sociedade saia logo dali. Me refiro ao pequeno comerciante, à classe média emergente que está mais perto dos pobres do que da elite e pensa que é patrão. Eles sim, tem como ajudar mas não fazem. Como se fosse fácil "arrumar um emprego", "arrumar uns bicos", essa solução mágica. Infelizmente, a desigualdade existe pela dureza de coração dos homens, não pelo capitalismo. E essa roda deve continuar a girar.

Abraço do Futuro Alfa

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A angústia de vacas magras


Sonhos de burguesia.

Verifico no calendário que ainda tem uns três, ou quatro meses até o início das aulas.

Estou com somente cerca de 50 reais. É dureza dizer que mesmo fazendo uma refeição por dia, à um real, não sei o que vai ser depois de esgotar minhas economias. E nem o dinheiro para o jaleco eu tenho, por hora. 

O que devo fazer? Mendigar de casa em casa? A sociedade sempre foi difícil de lidar. Negos que tem condições são os primeiros a ignorar quem pede uma ajuda.

Quando começar as aulas vai aparecer um edital para a bolsa alimentação no início do semestre. E eles vão demorar de dois a três meses para regularizar a situação dos selecionados. Para ser selecionado, tem que cumprir os requisitos: aulas em turnos conseguintes (confere) e renda per capita menor ou igual à um salário mínimo (confere).

Não sei se vou ter o jantar também. 

Seria bacana, essa experiência de RU universitário — sempre achei legal, quando via de fora. O problema é que talvez o jantar seja apenas para quem vai ter atividades no turno noturno, e isso é só para bolsistas, residentes e monitoria (e para quem pode comprar créditos).

Se não tivessem cancelado a bolsa permanência, que praticamente só seleciona alunos de medicina (com maior carga horária) eu já estaria "ok" para participar de churras, de calouradas, do EREM, do OREM e ficaria tranquilo quanto ao problema da alimentação. Maldito Mendonça Filho, lixo, gastão de dinheiro público e mamador de milhões de benésses. Enfim, esse país precisa mesmo é de uma revolução armada, mas o sistema mantém a população entretida, estrogenizada e submissa, para que não se revoltem. 

Uma das soluções é: sair da universidade e ir almoçar no bandejão, no período que estão fazendo a análise da solicitação do auxílio alimentação. Obviamente isso implica manter o cabelo curto (corte mensal) para não chegar descabelado e suado na aula.

Enfim, é muito desanimador e detona a auto-estima o cara não ter nem o que comer quando chega em casa, sendo que não pode gastar o dinheiro pra não faltar na semana seguinte. Sinto que se forma em meu psicológico uma certa apatia. 


Eu vejo emergentes em lanchonetes, shopping, posto de gasolina, e imagino o dia em que for burguês. Quero poder entra em qualquer loja, comprar e comer o que quiser sem nem se preocupar com preços, com a conta... De fato, todas as revoluções se deram por um pouco mais de comida (op. cit O cobrador, Rubem Fonseca). No momento, é fácil entrar em parafuso vendo tanto emergente (emergente mesmo, nem playboy precisa ser) nessa modinha de fitness, suplementando e se alimentando de macro e micro nutrientes com força. Enquanto que esse déficit alimentício meu pode perdurar pelos próximos seis anos. Ossos finos, braços finos, talvez não consigam um bom desenvolvimento depois dos trinta, ainda que tenha recursos.

Mas acredito que o jogo social não se aplica a mim, de qualquer jeito, visto que conheço minhas características betísticas e a pouca barganha que tenho. Sendo assim, sublimei esse desejo, e o que me importa mesmo agora é tão somente burguesar. Só isso.

Enfim, essas foram as considerações que tinha para fazer hoje. 


Abraço do Futuro Alfa

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A tristeza de ser um pobretão cursando medicina

Todo gasto desnecessário deve ser evitado. É o que diz o manual de sobrevivência do JPBF pobretão aluno de medicina

Quando você entra em medicina, é normal a turma de playboys e putas attwhore organizarem bebedeiras em bares de zona sul conhecidos.

Já aconteceram dois eventos em que, pelas condições miseráveis, eu deixei de participar: um foi a primeira integração "informal" que rolou num barzinho/pub ao lado de um shopping classe alta da cidade; e a outra foi uma integração "oficial" marcada às pressas num prédio de uns dos "veteranos" do ano anterior. 

Cada um dos aprovados, organizaram churras e confraternizações por parte dos próprios pais e familiares. Os cursinhos fizeram algumas fotos e lotaram as redes sociais de textões.


Camarada mora num interior, passa em medicina e os familiares/conhecidos preparam um churras pra um calouro só.
Residência (aka especialização)

Não vai ser minha prioridade depois dos seis anos de medicina. Assim que sair formado vou procurar clinicar como médico generalista e dar plantões de doze horas. A meta é obter um rendimento mensal de 7 à 15k, aportar metade em TD e meter uma residência depois de juntado pelo menos 0,5M. 

A outra metade do faturamento, óbvio, é para fazer o desenvolvimento pessoal. Fazer um resgate de autoestima.

Fazer a residência será para ter uma experiência universitária (novamente) só que, dessa vez, com condições financeiras de playbozar (festinhas, churras e programas burgueses). Esta é a intenção.

A semana de recepção dos calouros

A primeira semana é só de gincanas e apresentações. Um porre.


Apadrinhamento

É uma tradição em que um veterano "adota" um calouro para repassar dicas, materiais e outras coisas sobre o primeiro período.

Cerimônia do Jaleco

Uma cerimônia no auditório, com traje a rigor, para um familiar convidado entregar o jaleco, falar sobre o calouro aprovado, e mostrar algumas fotos no retroprojetor.

Rola fotos nisso.

Churras de cadastramento

Acontece depois da primeira semana de aula. Rola muita cerveja, como eu vi, músicas que estão na moda e um salão. É um evento menor do que a calourada, e fechado para estudantes do curso, do p1 ao p12.


Calourada de medicina

Uma festa maior que ocorre depois do churras de cadastramento. É promovida pelos veteranos do p2 para os calouros do p1. Mas os calouros são obrigados a venderem rifas. Quem vender todas as rifas, tem passe livre em todas as demais calouradas. Quem vender mais rifas, ganha um brinde (tradicionalmente um estetoscópio).

Quem é playba, não tem problema de vender essas rifas. Vi um colega do meu lado vender 300 delas, em três ligações. Eu não quis pegar nenhuma, porque sabia que não ia bater a meta, então que se foda, e espero que em 2018 eu esteja financeiramente melhor.


Abraços do Futuro Alfa

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Dia do cadastro

Cinza com vermelho, camisa bonita
Fim de tarde, chego na minha casa barraco. Aqueles tiozões chimpas, como de costume, socados na calçada a ver o movimento. Coloco a chave na fechadura da porta de uma parede sem reboco e imagino a cara de satisfação e júbilo que esses bostileiros estavam fazendo logo ali, do outro lado da rua, atrás de mim. É incrível a mania que o brasileiro tem de se regozijar ao ver seu próximo na merda. Por isso gosto de ler livros de autores que tratam desse quadro social cosmopolita infame. 

Dia do cadastro

Ocorreu logo no início dos agendados, para as áreas da saúde. Vejo no whatsapp da turma, os colegas se aprontando para o grande dia. Menina posta status de que chegou agora na cidade, e ficou "presa no trânsito", pff. Só pra pagar de burguesinha. Sei que não tem engarrafamento nenhum na cidade, nas primeiras horas da manhã, muito menos em frente à rodoviária que divisa periferia e centro.

Como foi um dia especial, resolvi gastar três temers golpistas num café da manhã no podrão da esquina, mesmo sabendo que, pras minhas atuais condições, pode muito bem fazer falta. Dois salgados, daqueles de um real, e um suco, no mesmo valor promocional. Vai dar 8hs da manhã. 

Chego no campus e ainda dou uns perdidos, subindo as escadas sem saber como era o esquema. Uma putinha alternativa 8/10 deu-me algumas informações. Não sei que diabos ela estava fazendo ali, nem que tipo de reação causei nela, com minha aparência JPBF ômega desleixado, mas também não fiquei em parafuso com isso. 

Na recepção estava uma espécie de congregação católica universitária, dando as boas-vindas aos novos calouros. Os "veteranos" de medicina e fisioterapia estavam fazendo auê nas escadas.

O auê

Não deu pra mim não. Logo depois do cadastramento, vi que ainda dava tempo de filar o bandejão, e não peguei a foto com aquelas frescuras de retrato de calouro e mais outros chiliques que dariam uma moral nas redes sociais. 

No whats, eles marcaram uma integração em algum condomínio, às 16hs.

A turma

Muitos vieram do interior, mas são playboys ou patys emergentes que estudaram em escolas particulares como o CEI, o Salesiano, e ainda por cima, meteram cursinhos, por fora (Ciências Aplicadas, Over, Lógico). A maioria já tirou ou está em vias de tirar a CNH. E claro, vídeos e textões de "superação" no facebook. Com direito a fotos nos cursinhos, churrascos em família, congratulações, etc. 

É impactante para um JPBF observar tais coisas, porque ele nunca as teve. 

Particularmente eu quero evitar de repetir uns traumas do ensino médio, mas como já falei será quase impossível. 

Bolsas que pleiteio

A de residência já está fora de cogitação. É triste passar seis anos num curso integral morando num barraco onde nem luz tem. O auxílio alimentação é imprescindível, espero ter almoço e jantar fornecidos de graça, à custo zero, e também o auxílio transporte. 

A bolsa permanência, ainda não obtive uma resposta concreta. Até agora só foram definidas datas para quilombolas e indígenas, e não para estudantes em situação de baixa renda. Fico no aguardo.

Por hora não dá para pensar, planejar, o que fazer com o dinheiro. Comer bem, ganhar massa? Por padrão é aportar, até onde der.

Por hora, é só.


Abraços do Futuro Alfa

Dia do cadastro e conhecimento da turma

Cinza com vermelho, camisa bonita essa também
Fim de tarde, chego na rua de minha casa barraco. Aqueles tiozões chimpas, como de costume, socados na calçada a ver o movimento. Coloco a chave na fechadura da porta de uma parede sem reboco e imagino a cara de satisfação e júbilo que esses bostileiros estavam fazendo logo ali, do outro lado da rua, atrás de mim. É incrível a mania que o brasileiro tem de se regozijar ao ver seu próximo na merda. Por isso gosto de ler livros de autores que tratam desse quadro social cosmopolita infame. Especialmente aqueles que também viram a cara real da sociedade.

Dia do cadastro

Ocorreu logo no início dos agendados, para as áreas da saúde. Vejo no whatsapp da turma, os colegas se aprontando para a chegada, documentação, etc. Menina posta status de que chegaram agora, de que ficaram "presos no trânsito", pff. Apenas para dar moral de burguesinha socialite — quem mora aqui, sabe que não tem engarrafamento nenhum na cidade, nas primeiras horas da manhã, muito menos em frente à rodoviária que divisa periferia e centro.

Como foi um dia especial, resolvi gastar três temers golpistas num café da manhã no podrão da esquina, mesmo sabendo que, pras minhas atuais condições, pode muito bem fazer falta. Dois salgados, daqueles de um real, e um suco, no mesmo valor promocional, antes de se dirigir, enfim, à universidade. Depois, no caminho, percebo que aquela massa de trigo vencida não caiu bem ao estômago (mas não aliada à algum tipo de ansiedade, porque eu estava bem relax, por estranho que pareça).

Chegando lá, ainda dei uns perdidos, subindo as escadas sem saber como era o esquema. Foi só depois de que me toquei vagamente de como funcionou o cadastramento em 2015 (eu fazia outro curso, na época) e voltando ao térreo, uma dondoquinha 8/10 deu-me algumas informações. Não sei que diabos ela estava fazendo ali, nem que tipo de reação causei nela, com minha aparência JPBF ômega desleixado, mas também não fiquei em parafuso com isso. Lá também estava uma espécie de congregação católica da universidade, dando as boas-vindas aos novos calouros, bem como "veteranos" com suas camisas de curso fazendo o auê pros novatos, em especial fisioterapia, e, bem, medicina.

O auê

Não deu pra mim não. Logo depois do cadastramento, vi que ainda dava tempo de filar o bandejão, e não peguei a foto com aquelas frescuras de retrato de calouro e mais outros chiliques que dariam um começo nas redes sociais. Nenhum deles (dos veteranos) pareceu me reconhecer ou perguntar de que curso eu era, assim como perguntou pra saber uma menina lá de fisioterapia. Mas o principal foi que, no whats da turma, logo mais, fiquei sabendo que marcaram uma integração de turmas num prédio de um deles lá, pra logo mais às 16hs. E, embora quatro vezes eu tenha pedido para colocar meu nome na lista de "talvez", toda vez que atualizavam a lista, eu não aparecia na lista. Percebi também que no grupo da minha própria turma, a conversa fluía de boa até que rolava um silêncio estranho quando eu mandava uma mensagem. Depois de um tempo, eles retomavam a conversa sem fazer feedback comigo, como se dando um gelo.

No entanto, vou encarar como simples casualidade, momentaneamente.
A turma

Bem certo que só tem playboy, paty, mesmo que muitos ali tenham vindo do interior do estado. São garotas e rapazes que estudam em escolas particulares caríssimas, como o CEI, o Salesiano, e ainda por cima, meteram cursinhos, por fora, também com mensalidades caríssimas (Ciências Aplicadas, Over) — com um ou dois gato pingado no Lógico (mediano). Outros tantos já tirando CNH, postando seus vídeos de prática no instagram e no facebook, e é claro, textões e mais textões de "superação" por conta da aprovação em medicina, com direito a festinhas nesses tais cursinhos, fotos de campanha, congratulações da família, dos amigos, namorado(as), etc. É deveras impactante para um JPBF como eu, observar tais coisas, porque nunca as tive. A prova eu fiz basicamente com um pouco de estudo por conta própria, uns três meses na verdade (passei nas cotas, mas passaria na ampla sem problemas, se tivesse sido mais ligeiro na marcação de respostas). E a família é extremamente chimpa, além de miserável, chegando mais a invejar do que dar apoio como aconteceu aqui — a dizer, sem entrar nos detalhes. 

Particularmente eu quero evitar de repetir uns traumas do ensino médio, mas como já falei no post anterior, será quase impossível esse ano (eu espero que somente esse ano). Teve essa festa de integração marcada às pressas no prédio de um playboy lá, mas haveria uma taxa de dois reais para custódia das despesas do "condomínio" (??) e imaginei que depois eles encaixariam barzinho classe média na sequência. É aí que começaria a divisa, onde começariam a marcar quem é da burguesia zona sul, ou quem é um duro. Por volta das 15hs recebi um áudio da balbúrdia protagonizada no local (#vemcalouro!) com tristeza, porque, apesar de me interessar sair na foto, os custos complicariam meu orçamento para esse semestre. A própria compra do jaleco necessária para a primeira semana de aula está ameaçada. E você sabe dos livros.
Evidente que haverá outras oportunidades. Inclusive de repetir a foto retrato calouro em 2018, para quem não pegou. 

Bolsas que pleiteio

A de residência já está fora de cogitação, por causa dos meus documentos que são da cidade. Mas, vou entrar em conversa na entrevista com a assistente social, tentar obter algum parecer. É triste passar seis anos num curso integral morando num barraco onde nem luz tem. O auxílio alimentação é imprescindível, espero ter almoço e jantar fornecidos de graça, à custo zero, e também o auxílio transporte. Presumo que este seja de 58 reais por causa da meia passagem para estudante. Servirá para juntar e bancar algum livro, ou outro gasto durante o curso. Mesmo assim preciso da bolsa permanência e quem sabe a do PIC em 2018.

A bolsa permanência, ainda não obtive uma resposta concreta. Até agora só foram definidas datas para quilombolas e indígenas, e não para estudantes em situação de baixa renda. Ficamos no aguardo e na torcida. 

Quanto a do PIC, ela começaria para mim apenas em 2018, disponíveis por 24 meses de limite. É uma boa de qualquer forma, já que é meu direito como multipremiado na OBM, mas eu teria que cursar cálculo nas disciplinas eletivas de medicina, além de desenvolver um projeto junto à um PO. É um porre, como se já não bastasse todos os livros para comer no ciclo básico. Livros grossos, caros e super-requisitados na biblioteca. De qualquer forma é o jeito.

Por hora não dá para pensar, planejar, o que fazer com o dinheiro. Comer bem, ganhar massa, volume corporal? Por padrão é aportar, até onde der.

Dados das redes sociais

Para finalizar, devo dizer que, embora não fosse meu projeto ingressar no segundo semestre, parece que está sendo uma mão na roda. Andei vendo o quadro de aulas que terei, é uma boa começar com um pré-temporada, porque tem muita coisa nesse ciclo básico. Levantei a ficha de mais de dois terços da minha turma, mantenho uma tabela de dados para isso. Tem um ou dois playboys mas não tanto quanto a de 2016. Fora isso tentarei contatar turmas anteriores mais próximas para sanar dúvidas frequentes, exemplares de provas e levantamento de dados úteis para otimizar as notas.

Por hora, é só.


Abraços do Futuro Alfa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A chamada regular

Sisu prorrogado. Vai ter parcial, não vai ter, vai ter só sábado, mó fuleiragem
O Enem desse ano foi o mais cheio de fuleiragem que teve. Não bastando o vazamento das provas e a segunda aplicação muito mais fácil em dezembro, tivemos o adiantamento do resultado, com mais dois dias de nota de corte, para desespero de quem estava caindo de posição dia após dia ─ meu caso, por exemplo. Na sexta de manhã, já fui para a biblioteca chorando por dentro, aquela sensação de nervoso, embora aparentemente calmo. A biblioteca estava com cheiro de hospital (álcool). Será que era um sinal de sorte? Eu estava em 12° de 15 vagas para a cota PPP, quando soube da notícia do adiantamento.

Prognóstico

Bem, minha nota de 751, por meio de cotas, dava para passar em qualquer curso de medicina nas universidades com folga até, como fiquei testando na segunda opção de curso. Só aqui no estado que deu uma decaída. Além disso, estranhamente ficou mais concorrida em todas as modalidades. Eu fiquei puto cada vez que minha posição caía, será que só minha nota que ficou prejudicada e a de todos os outros ganharam um boost? 

O resultado

No sábado, minha posição caiu um pouco mais, e no domingo se manteve. 

Na segunda, depois do meio dia (eu fiquei sabendo depois do almoço) deu aprovação, entre 10° e 15°. Na moral, eu estava torcendo pra não ser aprovado, a essa altura do campeonato, e cursar matemática, a fim de pegar minhas bolsas ao qual tenho direito. 400 do PIC, podendo chegar a 1600, com boas chances de pegar a TIM OBMEP por causa da minha alta pontuação no ENEM e questionário socio-econômico. 

Mas, não saiu do jeito que eu esperava e tomei no cu grandão. Eu esperava era ficar no top sete, para ingresso no primeiro semestre. Já perdi a chance de concorrer a bolsa TIM OBMEP, de 1200 reais, porque ela requer ingresso em 2017.1. E a PIC só posso demonstrar interesse, mas não tenho preferência.

Se não rolar bolsa permanência em agosto, não sei...

Realocação?

Eu acho difícil, mas igualmente não acho boa ideia. Realocação demoraria uma, duas semanas, pelo menos, aí eu perderia alguns dias de aula.

A turma

A maioria vindo do interior do estado, pelo que pude ver. 

Social

Esse ano parece que vai ser fraco no âmbito social, muito pela falta de recursos. Metas para 2017 só poderei levar adiante se não comprometer o gasto necessário com o indispensável; No entanto, não deixarei de comparecer aos convites.

Residência

Dificilmente poderei pleitear. Como baixa renda é provável que terei direito ao RU de graça, almoço e jantar, e nos finais de semana sobrevive-se à pão com ovo e suco de goiaba. Não há gastos com transporte.

Para concluir, quero dizer que esse ano parece (parece não, certeza) vai ser bem arrochado. Até a folga, a rotina mantém-se como está, com uma refeição por dia e finais de semana de tédio sufocante. 
Abraço do Futuro Alfa.