domingo, 5 de fevereiro de 2017

Dia do cadastro e conhecimento da turma

Cinza com vermelho, camisa bonita essa também
Fim de tarde, chego na rua de minha casa barraco. Aqueles tiozões chimpas, como de costume, socados na calçada a ver o movimento. Coloco a chave na fechadura da porta de uma parede sem reboco e imagino a cara de satisfação e júbilo que esses bostileiros estavam fazendo logo ali, do outro lado da rua, atrás de mim. É incrível a mania que o brasileiro tem de se regozijar ao ver seu próximo na merda. Por isso gosto de ler livros de autores que tratam desse quadro social cosmopolita infame. Especialmente aqueles que também viram a cara real da sociedade.

Dia do cadastro

Ocorreu logo no início dos agendados, para as áreas da saúde. Vejo no whatsapp da turma, os colegas se aprontando para a chegada, documentação, etc. Menina posta status de que chegaram agora, de que ficaram "presos no trânsito", pff. Apenas para dar moral de burguesinha socialite — quem mora aqui, sabe que não tem engarrafamento nenhum na cidade, nas primeiras horas da manhã, muito menos em frente à rodoviária que divisa periferia e centro.

Como foi um dia especial, resolvi gastar três temers golpistas num café da manhã no podrão da esquina, mesmo sabendo que, pras minhas atuais condições, pode muito bem fazer falta. Dois salgados, daqueles de um real, e um suco, no mesmo valor promocional, antes de se dirigir, enfim, à universidade. Depois, no caminho, percebo que aquela massa de trigo vencida não caiu bem ao estômago (mas não aliada à algum tipo de ansiedade, porque eu estava bem relax, por estranho que pareça).

Chegando lá, ainda dei uns perdidos, subindo as escadas sem saber como era o esquema. Foi só depois de que me toquei vagamente de como funcionou o cadastramento em 2015 (eu fazia outro curso, na época) e voltando ao térreo, uma dondoquinha 8/10 deu-me algumas informações. Não sei que diabos ela estava fazendo ali, nem que tipo de reação causei nela, com minha aparência JPBF ômega desleixado, mas também não fiquei em parafuso com isso. Lá também estava uma espécie de congregação católica da universidade, dando as boas-vindas aos novos calouros, bem como "veteranos" com suas camisas de curso fazendo o auê pros novatos, em especial fisioterapia, e, bem, medicina.

O auê

Não deu pra mim não. Logo depois do cadastramento, vi que ainda dava tempo de filar o bandejão, e não peguei a foto com aquelas frescuras de retrato de calouro e mais outros chiliques que dariam um começo nas redes sociais. Nenhum deles (dos veteranos) pareceu me reconhecer ou perguntar de que curso eu era, assim como perguntou pra saber uma menina lá de fisioterapia. Mas o principal foi que, no whats da turma, logo mais, fiquei sabendo que marcaram uma integração de turmas num prédio de um deles lá, pra logo mais às 16hs. E, embora quatro vezes eu tenha pedido para colocar meu nome na lista de "talvez", toda vez que atualizavam a lista, eu não aparecia na lista. Percebi também que no grupo da minha própria turma, a conversa fluía de boa até que rolava um silêncio estranho quando eu mandava uma mensagem. Depois de um tempo, eles retomavam a conversa sem fazer feedback comigo, como se dando um gelo.

No entanto, vou encarar como simples casualidade, momentaneamente.
A turma

Bem certo que só tem playboy, paty, mesmo que muitos ali tenham vindo do interior do estado. São garotas e rapazes que estudam em escolas particulares caríssimas, como o CEI, o Salesiano, e ainda por cima, meteram cursinhos, por fora, também com mensalidades caríssimas (Ciências Aplicadas, Over) — com um ou dois gato pingado no Lógico (mediano). Outros tantos já tirando CNH, postando seus vídeos de prática no instagram e no facebook, e é claro, textões e mais textões de "superação" por conta da aprovação em medicina, com direito a festinhas nesses tais cursinhos, fotos de campanha, congratulações da família, dos amigos, namorado(as), etc. É deveras impactante para um JPBF como eu, observar tais coisas, porque nunca as tive. A prova eu fiz basicamente com um pouco de estudo por conta própria, uns três meses na verdade (passei nas cotas, mas passaria na ampla sem problemas, se tivesse sido mais ligeiro na marcação de respostas). E a família é extremamente chimpa, além de miserável, chegando mais a invejar do que dar apoio como aconteceu aqui — a dizer, sem entrar nos detalhes. 

Particularmente eu quero evitar de repetir uns traumas do ensino médio, mas como já falei no post anterior, será quase impossível esse ano (eu espero que somente esse ano). Teve essa festa de integração marcada às pressas no prédio de um playboy lá, mas haveria uma taxa de dois reais para custódia das despesas do "condomínio" (??) e imaginei que depois eles encaixariam barzinho classe média na sequência. É aí que começaria a divisa, onde começariam a marcar quem é da burguesia zona sul, ou quem é um duro. Por volta das 15hs recebi um áudio da balbúrdia protagonizada no local (#vemcalouro!) com tristeza, porque, apesar de me interessar sair na foto, os custos complicariam meu orçamento para esse semestre. A própria compra do jaleco necessária para a primeira semana de aula está ameaçada. E você sabe dos livros.
Evidente que haverá outras oportunidades. Inclusive de repetir a foto retrato calouro em 2018, para quem não pegou. 

Bolsas que pleiteio

A de residência já está fora de cogitação, por causa dos meus documentos que são da cidade. Mas, vou entrar em conversa na entrevista com a assistente social, tentar obter algum parecer. É triste passar seis anos num curso integral morando num barraco onde nem luz tem. O auxílio alimentação é imprescindível, espero ter almoço e jantar fornecidos de graça, à custo zero, e também o auxílio transporte. Presumo que este seja de 58 reais por causa da meia passagem para estudante. Servirá para juntar e bancar algum livro, ou outro gasto durante o curso. Mesmo assim preciso da bolsa permanência e quem sabe a do PIC em 2018.

A bolsa permanência, ainda não obtive uma resposta concreta. Até agora só foram definidas datas para quilombolas e indígenas, e não para estudantes em situação de baixa renda. Ficamos no aguardo e na torcida. 

Quanto a do PIC, ela começaria para mim apenas em 2018, disponíveis por 24 meses de limite. É uma boa de qualquer forma, já que é meu direito como multipremiado na OBM, mas eu teria que cursar cálculo nas disciplinas eletivas de medicina, além de desenvolver um projeto junto à um PO. É um porre, como se já não bastasse todos os livros para comer no ciclo básico. Livros grossos, caros e super-requisitados na biblioteca. De qualquer forma é o jeito.

Por hora não dá para pensar, planejar, o que fazer com o dinheiro. Comer bem, ganhar massa, volume corporal? Por padrão é aportar, até onde der.

Dados das redes sociais

Para finalizar, devo dizer que, embora não fosse meu projeto ingressar no segundo semestre, parece que está sendo uma mão na roda. Andei vendo o quadro de aulas que terei, é uma boa começar com um pré-temporada, porque tem muita coisa nesse ciclo básico. Levantei a ficha de mais de dois terços da minha turma, mantenho uma tabela de dados para isso. Tem um ou dois playboys mas não tanto quanto a de 2016. Fora isso tentarei contatar turmas anteriores mais próximas para sanar dúvidas frequentes, exemplares de provas e levantamento de dados úteis para otimizar as notas.

Por hora, é só.


Abraços do Futuro Alfa

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