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| Cinza com vermelho, camisa bonita |
Dia do cadastro
Ocorreu logo no início dos agendados, para as áreas da saúde. Vejo no whatsapp da turma, os colegas se aprontando para o grande dia. Menina posta status de que chegou agora na cidade, e ficou "presa no trânsito", pff. Só pra pagar de burguesinha. Sei que não tem engarrafamento nenhum na cidade, nas primeiras horas da manhã, muito menos em frente à rodoviária que divisa periferia e centro.
Como foi um dia especial, resolvi gastar três temers golpistas num café da manhã no podrão da esquina, mesmo sabendo que, pras minhas atuais condições, pode muito bem fazer falta. Dois salgados, daqueles de um real, e um suco, no mesmo valor promocional. Vai dar 8hs da manhã.
Chego no campus e ainda dou uns perdidos, subindo as escadas sem saber como era o esquema. Uma putinha alternativa 8/10 deu-me algumas informações. Não sei que diabos ela estava fazendo ali, nem que tipo de reação causei nela, com minha aparência JPBF ômega desleixado, mas também não fiquei em parafuso com isso.
Na recepção estava uma espécie de congregação católica universitária, dando as boas-vindas aos novos calouros. Os "veteranos" de medicina e fisioterapia estavam fazendo auê nas escadas.
O auê
Não deu pra mim não. Logo depois do cadastramento, vi que ainda dava tempo de filar o bandejão, e não peguei a foto com aquelas frescuras de retrato de calouro e mais outros chiliques que dariam uma moral nas redes sociais.
No whats, eles marcaram uma integração em algum condomínio, às 16hs.
Muitos vieram do interior, mas são playboys ou patys emergentes que estudaram em escolas particulares como o CEI, o Salesiano, e ainda por cima, meteram cursinhos, por fora (Ciências Aplicadas, Over, Lógico). A maioria já tirou ou está em vias de tirar a CNH. E claro, vídeos e textões de "superação" no facebook. Com direito a fotos nos cursinhos, churrascos em família, congratulações, etc.
É impactante para um JPBF observar tais coisas, porque ele nunca as teve.
Particularmente eu quero evitar de repetir uns traumas do ensino médio, mas como já falei será quase impossível.
Bolsas que pleiteio
A de residência já está fora de cogitação. É triste passar seis anos num curso integral morando num barraco onde nem luz tem. O auxílio alimentação é imprescindível, espero ter almoço e jantar fornecidos de graça, à custo zero, e também o auxílio transporte.
A bolsa permanência, ainda não obtive uma resposta concreta. Até agora só foram definidas datas para quilombolas e indígenas, e não para estudantes em situação de baixa renda. Fico no aguardo.
Por hora não dá para pensar, planejar, o que fazer com o dinheiro. Comer bem, ganhar massa? Por padrão é aportar, até onde der.
Por hora, é só.
Abraços do Futuro Alfa

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