E não é só o vídeo motivacional de fim de ano e o cruzeiro marítimo no início de 2017. Havia também, em meus projetos para 2016, uma expectativa muito grande em implantar a esperada rotina interessante 1. Ela envolvia entre outros, o aprendizado de habilidades média no violão e o treinamento de dicção e projeção vocal, que seriam usadas para ser o centro de rodinhas sociais aborrescentes. E tinha também o projeto de imagem ordeira, ao qual vou explicar agora.
Acredito que uma das maiores dores betísticas compartilhadas por todos os JPBFs seja a da baixa autoestima, resultado derradeiro de humilhações psicológicas sádicas, exclusões no mercado sócio-sexual de todo tipo, perpetradas por merdalheres e pela sociedade eugenista de maneira geral. Muitas vezes crescemos com déficits de nutrientes essenciais na infância, além de já nascermos com uma genética lixo, que fazem muita diferença na fase adulta. Basta uma rápida caminhada por centros urbanos, como shoppings e ruas de lojas comerciais, que reúnem todos os naipes de classes sociais, para poder ver a posição que você ocupa na pirâmide social da cidade em que você mora. Aqui eu sou um ômega, mesmo nos bairros de classe emergente, embora seja um beta mediano nas periferias imundas. Se tivesse praticado mais esportes na fase de crescimento, hoje seria um beta comum. Triste.
É por causa disso que me vem umas ideias de compensação de danos, típica de betas mentais lixos. Lembro que, quando ia para a escola no ensino médio, eu preferia sentar lá no fundão no ônibus, mesmo quando estava vago. Isso por ter uma auto-estima baixíssima. Ainda pior: na volta para casa, a fobia social me levava a fazer baldeação, para não pegar o ônibus lotado, nem esperar em pontos de aglomerações. E o que isso tem a ver com compensar danos? Sim, pois revendo os cadernos de rotina, reli uma passagem em que esperava, em algum momento, apenas pegar o busão num sábado à tarde (isso depois de feitos as checagens de uma imagem ordeira, claro) só pela sensação de pegar o ônibus sendo o mais bonito. Livre de bloqueios sociais, livre de timidez, travas sociais, e com o sex appeal lá em cima. Passaria a roleta e sentaria na frente, sem ser a janela, para ficar visível para os passageiros que forem entrando, e ir desfilando gostosinho quando na hora de pedir parada.
- Imagem ordeira (limpeza, hidratação, etc)
- Habilidade média no violão e canto
Como dizia o pobretão, “não existe gente feia, existem pessoas sem dinheiro”. É incrível tudo o que vi nos anos de ensino médio, e vira e mexe, na universidade - nos dias que passava por lá. Loirinhas com pele de seda, alfas playboys que parecem que não suava, enquanto eu, por qualquer coisinha, como sair de uma sala com ar-condicionada ou andar nas ruas, já fico com o rosto ensebado, imundo. Isso já foi motivo de neura para mim, ainda mais para um pobretão que não conhece o mundo de cosméticos usados pela classe média. Mas hoje eu sei que são cuidados estéticos: uns porras desses abrem o espelho do banheiro e deve ter dezenas de cremes, esfoliantes, hidratantes, tônicos, tudo receitado por dermatologistas de primeira, e de mês em mês fazem limpeza de pele. Não dá para dizer que já nasceram assim. Nem tudo é pura genética.

Enfim, de qualquer jeito eu pretendia fazer cuidados estéticos com produtos naturais: esfoliação com açúcar, hidratação com mamão, e começar a tomar colágeno hidrolisado. É importante a gente ter hábitos saudáveis desde cedo, suplementar com multivitamínicos, et cetera, para estender mais um pouco os anos de alfismo que tem os homens após os trinta anos (a idade mágica dos realistas, não é? Pois bem, se o cara não cometer tanta cagada, pode não ser alfa financeiro, mas também não passará fome). Pena que não tenho um tostão agora para isso.
É bem legal o que eu esperava ter de rotina interessante 1, ainda este ano. Coisas aqui escritas que dão picos de dopamina só de ler ─ sei porque eu ficava imaginando quase todo dia, esse cotidiano não digo de “alfa”, mas um cotidiano satisfatório. Domingo, por exemplo. Levantaria bem cedo para preparar as bibocas, colocando um ou dois no máximo, para levantar um troco só pela manhã ─ afinal, é um domingo ─ enquanto depois eu iria para o círculo antigo e aceito, de bicicleta, passando por uma pracinha arborizada aqui do bairro, e com uma das muitas peças de roupa Arbercrombie, Hollister, Aeropostale, que eu haveria de ter importado no esquema shipping. Long sleeve, hodies, docksiders, sabe, playbozando mesmo (para a realidade de uma periferia, digo).
Na saída faria um lanche no supermercado em frente. Quem sabe um suco e unma tapioca? Nem faria diferença no bolso, recuperei as bibocas e vi que meus “sócios” levantaram um troco que cobriram os gastos e ainda sobrou para almoçar fora. Restaurante chinês, frequentado por putinhas da classe média que se acha elite, e casados com ranhentos mimados de smartphone da moda. Pego a agenda, já marco com duas medianas apresentáveis e mais um colega para balancear o grupo. Nos encontramos no local, e eu vou acompanhando da mais gata, de busão mesmo. Deixo que eles tirem as fotos para pagar de descolados no face (ora, se não querem) e não preciso nem dar a ideia.

Na sequência, passo no shopping, levo o notebook para a livraria e fico pesquisando assuntos de interesse no wi-fi. Videos tutoriais com foco em importação, métricas de violão; ou gravações e edição de vídeo, já pensando em guardar um trocado para bancar os materiais de audio-visual. Olho no relógio, deu 15hs. Peço um croissant na cafeteria da livraria cultura, antes de ir para a praia. Vou pedalando, sentindo o ar fresco, sem nenhuma preocupação betística travando meu comportamento ou conversa. Tomo um delicioso banho de mar, meto uns sprints de natação, e barras no calçadão da via costeira, tudo em uma hora ou menos, voltando a tempo de aterrisar de volta no círculo antigo e aceito, no por do sol, para mais uma com os jovens. Violão, conversa fora, vou aumentando mais meu sex apeal e VS nesse micro-universo social, já preparando terreno para levar uma de cada vez, toda vez que surgir um show de graça, desses culturais na cidade.
Como já falei em outro post, esse estilo de vida de ficar curtindo shows culturais grátis ou baratinhos quando acontecem na cidade, é o que um amigo meu do fundamental colocou em prática. E deu certo, mesmo sem gastar muito você consegue frequentar diversos programas sociais e aparentar ter mais valor do que realmente tem, nas redes sociais ─ o que também pode ser usado para catapultar outras saidinhas (se pegar o contato delas). Esse meu amigo do fundamental estudou com umas integrantes de uma banda daqui que ficou nacionalmente conhecida no Superstar ─ assim como eu também estudei na mesma sala que uma delas ─ e é deveras antenado nos eventos de âmbito regional que rolam na cidade, o qual eu pretendia começar a frequentar durante esse ano ainda, primeiramente sozinho, sabendo os esquemas, e depois levando umas pervas em 2017.
Fracasso miserável. Mais um.
O interessante é que, agora, recolhendo os cacos, vejo que isso não me interessa mais. Tô fechadão com o modo rica, e acho que não tem muitas expectativas para um JPBF ômega querer se tornar um alfa social falastrão/gostosão, porque isso é bastante improvável de acontecer. O máximo que podemos esperar é frequentar uns nichos mais podres do que a nossa condição, e se sentir menos lixo com umas experiências simulacros. Disse certa vez o pobreta: “a vida é só uma arena em que o que realmente importa é estar melhor que os outros”. O resto é pura hipocrisia.
E quem sou eu pra discordar?
Até a pŕoxima, chimpas.