Na cartilha recebida na junta de serviço militar eu havia marcado "não quero servir". Mas depois de três entrevistas de emprego fracassadas, eu passei a reconsiderar.
Pesava o fato d'eu querer o dinheiro para investir nas bibocas imundas já fazia dois anos. Meus pais não iriam me financiar nesse projeto. Por outro lado, se eu ficasse em casa moscando, era logo aporrinhado para fazer tarefas domésticas.
Uma pressão velada.
Uma pressão velada.
Apenas filhos de classe média, média alta, podem ficar NEETando em casa, fazendo coisas que realmente gosta, da mesma forma que podem entrar numa rotina playba universitário ou paty universitária, ganhando mais de 2 mil reais de mesada, só para aloprar em barzinhos, festas, lazer e viverem "ok" até terminarem a faculdade, com a carteira de trabalho virgem e zero de aporrinhações.
A questão é que os filhos/filhas das classes A e B não são passa-fome e não precisam trabalhar. Eu estava começando a entender como são as coisas no Brasil.
A entrevista no Giraffas, o gerente tetinha deu uma conversa mole mas é claro que contratou a loirinha alta.A dinâmica escrota na Americanas, o aluno de direito, com maior volume/presença corporal, deve ter ganhado a simpatia da RH.
A seleção na Ambev tinha muito peão com experiência de pegar no batente. Descobri que o trampo exigia muito esforço de descarregar engradados. Um magro tímido, braços finos, não passava a confiança de que daria conta da rotina pesada.
Depois desses fracassos, ficou claro para mim que um ômega que perdeu a infância e a adolescência, com déficits nutricionais ridículos e sem habilidades sociais desenvolvidas sempre terá mais dificuldades para arrumar emprego, ou renda e, com isso, poder se desenvolver.
Peguei papel e caneta e comecei a ponderar no soldo do soldado EV. Comparar os prós e os contras. Ver se era a melhor alternativa, apesar dos esporros e humilhações que haveria de passar no batalhão, durante o período básico.
Peguei papel e caneta e comecei a ponderar no soldo do soldado EV. Comparar os prós e os contras. Ver se era a melhor alternativa, apesar dos esporros e humilhações que haveria de passar no batalhão, durante o período básico.
A confirmação de que eu havia sido selecionado para EV (efetivo variável), veio durante instruções da semana zero - de uma forma peculiar. Mas essa história eu conto no próximo post da série.
Abraço do Futuro Alfa,
Até a próxima
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