
Então, vocês sabem como está até aqui: estou esperando o resultado do SISU de janeiro. Estou esperando passar nas cotas; esperando obter alguma bolsa-auxílio (mas com o governo apertando tudo no país ─ exceto as regalias dos políticos ─ ainda é incerto); esperando para lançar a candidatura para a bolsa de um instituto privado aí; e, em último caso, exigir a bolsa de pesquisa CNPQ-IC, que envolve cálculo e matérias nada a ver com a área de saúde. Com todo esse quadro cínico, eu nem tenho certeza de que terei como permanecer de boa no curso (se passar), e, com isso, ter (no futuro, claro) minha vingança beta para cima dessa sociedade exótica. Mas o impressionante é que isso não me afeta nem um pouco. Terei sublimado de vez o desejo de aprovação social, aceitando o fracasso inevitável destinado aos ômegas? Preocupante (depois explico).

Nesse ínterim, achei na biblioteca um livro (As sete leis espirituais do sucesso) e baixei no LeLivros para ler. Infelizmente o epub que baixei é uma versão resumida, mas dá para o gasto.

Nesse ínterim, achei na biblioteca um livro (As sete leis espirituais do sucesso) e baixei no LeLivros para ler. Infelizmente o epub que baixei é uma versão resumida, mas dá para o gasto.
As sete leis bla bla… trata-se de um livro de auto-ajuda que assim pode ser resumido: se deu ruim hoje, não lute contra, mas aceite o fracasso, o universo tem um motivo e sentido para tudo. É claro que na linguagem de Deepak Chopra é diferente (e mais confortável, também) e é exatamente por isso que tenho lido. Ao menos, tem servido para acalmar uma nebulosa de sentimentos negativos acumulados dentro de mim. É quase como um mecanismo de esperança anti-suicídio, bem dizer (a propósito, ideia que venho romantizando recentemente, por ver que tudo nessa vida é vazio como correr atrás do vento).
(Em tempo: exceto, talvez, o ato de criar).
Enfim, para saberem um resumo das leis, recomendo uma pesquisa rápida no Google. Aqui eu vou só dar exemplos de como as tenho aplicado na minha rotina. Vamos lá.
A primeira lei é a lei da unidade, e assim tenho aplicado-a: cada dia, reservo alguns minutos do dia para aquietar os pensamentos e anseios sobre minha jornada para galgar classes nesse país de macacos. Agora por exemplo, a noite, ao me envolver no ato de escrever fanfic ─ que é um um mundo escapista ─ posso também meditar e me transportar para um mundo à parte. Com isso, esqueço as cenas sobre envilecimento do trabalho, e os olhares julgadores que, mulheres principalmente, nos reservam a nós ômegas por sermos pobres, sem dinheiro e sem alfismo facial e físico das novelas da Globo.

Enfim, esses minutos praticando a meditação para se esvair de preocupações também servem para esvair de julgamentos e comparações (comparação com alfa, com fulanos) que muitas vezes fazemos. Quando nos desprendemos dos julgamentos, nos desprendemos do mundo manifesto material e ficamos conectados à nossa potencialidade pura (no que entendi, é a consciência sem forma, sem mundo exterior, que ficou encoberta por nossas experiências, condicionamentos, ego, etc.).
Então, a primeira lei: lei da unidade, se conectar à potencialidade pura do eu interior.
Para aplicar a segunda lei, a lei da dádiva, é necessário desenvolver vibrações positivas. Eu tenho feito assim: presenteando por instantânea vontade um geladinho à quem não tem nem trocado para comprar, ou liberando um pensamento positivo de prosperidade com boa intenção para alguém.
Exemplo interessante: recentemente, meu primo quase teve o carro apreendido pelos fiscais urbanos por vender açai e sorvete numa rua comercial movimentada do centro. Fiquei sabendo que ele desembolsou 150 na hora para não guincharem o carro, e mesmo assim levaram todos os produtos dele, assim como os de outros(as) ambulantes. E olha que são todos trabalhadores que precisam se virar para pagar as contas e comer precariamente enquanto pagam seus impostos para serem desviados por políticos corruptos. É revoltante como a política se tornou um mal enraizado no Brasil. Altos impostos são perdoados para grandes empresas, altas verbas são desviadas para financiar a “putaria monstro” dos homens de terno, e todo aumento de taxas para os ricos são repassados para os pobres, que sofrem com a inflação. Não é de se admirar que mulheres no auge da beleza e juventude se comportem como putas para homens que demonstram ter alguma condição. Falta quanto para o Brasil se tornar uma Índia ou um Vietnã?
Observe que em situações como essa relatada, no mínimo nós podemos direcionar solidariedade, ou pensamentos de força para o sofredor ambulante superar tal situação, correto? Mas onde que você já viu isso? Eu nem duvido que naquela situação, as pessoas só se reuniram para apreciar o espetáculo como urubus espreitando carniça. Lembra daquele filme de um nerd que enfrenta um valentão de soco inglês e até o diretor apanha? E no final a classe se reúne para comprar papéis no final, para reembolsar o dinheiro roubado na papelaria? Onde que veremos uma cena assim no Brasil? Nem em comercial de Natal da coca-cola. É comum aqui comemorarmos a desgraça alheia.
Segunda lei: lei da dádiva. Dai e dar-se-vos-á, é dando que se recebe.
Cada escolha tem uma consequência na mesma proporção, assim como a terceira lei de Newton (ação e reação). Essa é a terceira lei espiritual do sucesso. Com ela, aprendi a não fazer escolhas baseadas em meus próprios preconceitos e a não ter reações baseadas em minhas próprias memórias condicionadas.
Ou seja, muitas vezes quando vou lá com o isopor e dou de cara com mulheres no ponto de ônibus, antes eu nem perguntava porque sabemos que merdalheres muito provavelmente recusariam fazendo cara de nojinho para o pobre trabalhador JPBF, por puro sadismo, não é verdade? Eu pensava assim, e deixava de abordar possíveis clientes. Sinto dizer que meu “preconceito” algumas vezes está certo, e outras vezes, acontece das pessoas acordarem de bom humor e dar certo. Vai saber, são possibilidades infinitas, o segredo é policiar suas próprias escolhas para decidir sem se deixar influenciar por seus medos e anseios pré-concebidos. Se por um lado levarmos um não com olhar de desprezo, a gente fica calejado, e emocionalmente mais forte para abordar todo mundo mesmo. Por outro lado, se for um sim, eu fico mais perto de juntar pelo menos o dinheiro para comprar o jaleco, o estetoscópio, a camisa do curso e o primeiro livro que será usado no curso.

A quarta lei é a mais interessante. A lei do menor esforço é composta pela aceitação e distanciamento. Eu entendi que é a aceitação dos fatos como eles são e não como você gostaria que fosse. Podemos sim desejar um futuro específico, mas não podemos nos frustrar com o momento presente porque ele não pode ser mudado. Então, ao invés de gastar energias se remoendo à toa, tente não se culpar, não culpar ninguém pelo, por ventura, fracasso de hoje.
Esse tipo de distanciamento com as situações cria paz, e você passa a ver as coisas pelo lado otimista. Cada problema, pelo menos, veio para ensinar alguma coisa. Sei que posso estar errado, eu sei que tem playboys que nasceram sem ter nenhuma preocupação com o que vão comer ou o que vão vestir, e isso é muito injusto com nós JPBFs, mas não podemos fazer nada, a não ser aplicar a primeira lei: silenciar os julgamentos e comparações desnecessárias, para viver em paz consigo mesmo. Afinal, não tenho nada que provar para ninguém.
E é aplicando a primeira lei que abro espaço para criar vibrações positivas da minha pura intenção e desejo, a fim de influenciar as vibrações de energia ao meu redor. A quinta lei é a lei da intenção e do desejo. Ela diz que podemos criar nossa realidade com nossos pensamentos, desejos, crenças… e se você pensa de forma negativa, ressentida e amarga, só acaba atraindo mais quadros de preocupação e vibrações baixas. Por outro lado, semear pensamentos de sucesso e prosperidade, é o começo do uso do nosso próprio poder co-criador. Depois é confiar que essa mesma semente germinará no tempo certo.
A quinta lei é parecida com o que se usa em sigilos ou amuletos em magia, até mesmo um hábito simples de anotar num papel como você deseja que seja o dia, desprendido de qualquer expectativa, abre espaço para o plano cósmico agir de forma harmoniosa com as infinitas possibilidades.
Agora vamos entrar no campo do budismo. A sexta lei é a lei do desprendimento. Deepak ensina que devemos confiar na incerteza do futuro. A gente se prende tanto em planos certos que fazemos na mente, que ficamos restritos. Restritos porque o universo tem um conjunto de infinitas possibilidades criativas de se resolver um mesmo problema. Aí, por exemplo, agora eu vi que minha ideia é fixa em medicina, e em vender geladinhos para arrumar dinheiro para se manter no curso. Mas aí os amigos do blog deram ideias de dar aula de reforço, correto? É uma possibilidade que merece uma chance. Ao menos desprendidas de expectativas, ao invés de ter uma mente fechada para aquilo que você acha que é o mais pé no chão.
Sinto que se eu conseguir aplicar com sucesso a sexta lei, da incerteza, posso dar oportunidade de viver livre de anseios, mas aproveitando cada segundo do presente como parte de uma incerteza criadora e perfeita.
Viajando demais? O ego diz que sim, mas o ego é muito apegado na segurança de algo que não existe Agora. E aceitar a incerteza significa a libertação do ego.
Finalmente a sétima lei é quase uma utopia. Para Deepak a finalidade da vida, o darma, é descobrir o nosso eu superior e o talento que cada um tem para usar na sua própria satisfação e no bem da humanidade. Como seria diferente esse Brasil se cada um tivesse essa intenção de ajudar o próximo. Mas, infelizmente, em nosso país temos o preconceito, os olhares julgadores e tudo mais, como uma coisa natural. Lembrando mais uma vez os políticos: a concentração de renda e exploração ao máximo da classe trabalhadora é um projeto colocado em prática, não é por acaso não. A classe média, como já falei noutro post, é unicamente voltada para exibir seu status e se sentir superior com isso. Outra vez, voltando pra casa à noite, eu pensei comigo mesmo “poxa, tem gente tão classe alta, que não custaria nada para eles comprar uma casa popular e dar um teto à um mendigo, não é mesmo? Mas e aí?”. Por outro lado, eu tenho ciência que muitos sem tetos já estão quase tão complexados por causa do sofrimento e marginalização da sociedade, que daí você já tem uma noção do que sucederia. Mas eu estou falando basicamente de não negar um conforto, uma melhoria à quem não tem nada e não de mudá-los no interior, ou transformá-los em santos.Certa vez fiz o meu mapa astral, e ele dizia que eu (aquário) estava mesmo voltado para ajudar o próximo. Acredito que eu já tenho citado num post antes (não lembro qual), mas agora meu eu é meio dividido entre ajudar outros que tenham um projeto, ou algum objetivo, eventualmente, e contemplar essa distorção histórica brasileira de desigualdade. A novidade é que não tenho a ilusão de ser um agente especial da mudança, até porque não vamos mudar as coisas como elas são no Brasil. Mas isso não significa ignorar pequenas ações “contundentes”, como ignora a burguesia cínica tupiniquim.
Leiam o livro, betas. É muito recomendado como uma filosofia entry-level. Noutro post contarei as mudanças de pensamentos que estou tendo com ele. Forte abraço. Até a próxima.
Excelente post!
ResponderExcluirParabéns pela postagem, acho que o caminho é este ai você disse, você terá um grande futuro pela frente.
ResponderExcluirA classe média, como já falei noutro post, é unicamente voltada para exibir seu status e se sentir superior com isso. Outra vez, voltando pra casa à noite, eu pensei comigo mesmo “poxa, tem gente tão classe alta, que não custaria nada para eles comprar uma casa popular e dar um teto à um mendigo, não é mesmo?
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Tu é comunista porra?
Não diga asneiras. Pra existir um superior, devem haver uma massa de inferiores.
ExcluirIsso não significa ignorar qualquer ajuda ao próximo necessitado, uma vez perdida.
Qualquer coisa que falamos contra essa classe média brasileira que é mais suja que pau de galinheiro, já somos taxados de comunistas.
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