segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Fábrica de diplomas mostrando retalhos da sociedade. Adulações de ego no maquinário urbano

Enquanto estudava para o ENEM, tive contatos com tópicos de Geografia e História 3, que me fizeram pensar um pouco mais sobre o funcionamento da sociedade. Refletir sobre como se deu a industrialização brasileira no governo JK, a agricultura, a globalização, o desemprego estrutural e neoliberalismo etc. te dão uma noção, mesmo que superficial, do porquê as coisas são como são. E sobretudo porquê são mantidas da forma como está.

Dito isto, e a partir de então, imaginei como seria bacana ler um livro de ficção que abordasse com ironia e sarcasmo o pensamento das classes sociais ─ e, de fato, até pensei em eu mesmo escrever (pro Wattpad) algo do tipo. Mas não me acho ainda um escritor completo. No Nyah, o que de mais próximo encontrei foram fanfics ─ críticas e boas, mas obtusas ─ cuja história se passa no Brasil, e metendo o dedo na realidade social brasileira. Uma nas classes altas do Rio, e outra mais contundente, que se passa em Recife.

Mas aí achei Fábrica de Diplomas, de Felipe Pena. Que é um livro pela editora Record (ponto 1) e muito dentro dos requerimentos que eu procurava ler. Ele começa avassalador, tocando na ideologia da classe média alta ─ ao qual eu já citei em outros posts, e mais a frente voltaremos com esse devaneio ─ e vai delineando, a partir daí, uma história policial que se passa em faculdades do Rio de Janeiro, envolvendo mídia, tráfico e política, aproveitando para fazer uma crítica e uma reflexão sobre o ensino brasileiro.

Mas isso não importa no momento. O ponto alto desse post é voltar com essa “reflexão”, que vocês sabem que é uma das grandes máximas já ditas nos redutos da real pobretana. Disse o Pobreta, que “a vida é uma arena, em que o objetivo sumário é mostrar que se está melhor do que os seus pares”. E mais do que isso, sabemos que “não existe felicidade sem destaque social”, ao menos, no sentido adulação do ego, que libera doses de dopamina e empolgação. Eu vou mais além, eu afirmo, como já bostejei outra vez, do alto dos meus devaneios, que a classe média (op. cit.) não tem ideologia alguma. Ela está aí somente para o status, e as diversas formas em que pode demonstrar o seu status.

E digo mais: eles fazem consciente, porque sabem disso (no sentido realista da coisa).

É um jogo do Brasil, em que vestem amarelinha e se dirigem aos estádios, exibindo loiras para pagar de gatão. É as viagens para Europa, Japão, Miami, totalmente registradas nos canais de youtubers. E são as lives no snapchat direto de pubs frequentados por essa galera metida a cool, enfim. Seguindo as sazonais da moda.
“Muito menos os transeuntes apressados do calçadão do calçadão, com seus bonés da Nike, tênis Rebook comprados em Miami, relógios Bvlgari, calcinhas Victoria’s Secret, óculos Diesel e outros acessórios indispensáveis à sociedade emergente do bairro. (...) dividem a passarela com deslumbrantes e deslumbradas cocotas de corpos esculpidos em uma das 350 academias de ginástica da região. Algumas olham debochadamente para as mulheres mais velhas, que fogem ao arquétipo local, outras apenas cortejam maridos carentes ou já são, de fato, esposas de velhos babões que em breve perderão a casa, o carro de luxo, e a guarda dos filhos em um processo de divórcio.”

O que eu percebi, acima de tudo, logo ao começar a ler este livro, é uma certeza. O pensamento da real é reproduzido de perto pelas classes pensantes, até porque é bem evidente para quem liga os pontos, e tem uma capacidade crítica da coisa, aliada à busca/acúmulo de conhecimento.

“A cadeia alimentar está bem definida. Não é difícil perceber quem come a carne ou vive dela. Nem observar os vegetarianos, ruminando celulose em frente às pantalhas de TV sintonizadas em programas de auditório liderados por modelos carreiristas, nos vários sentidos do termo.”

É por exemplo, aquelas matérias do vídeo-show e do faustão que mostram a rotina de um ator ou jornalista de dentro da emissora, ou mostram a casa milionária de algum deles (Estrelas) ─ tenho percebido o gosto da globo de hipnotizar as massas ─ além dos estereótipos reforçados em novelas globais, cujo IDH em todas elas é o maior do mundo, só perde pra Suécia.

Essas novelas tem um papel importante em manobrar costumes e o pensamento das massas, e podem ser uma das causas do ego colossal de nossas mulheres brasileiras (principal consumidoras dessas merdas), especialmente sub-medianas/medianas, que, como vocês sabem, são ultra-exigentes, ainda que não tenham nada a oferecer.

Em síntese, nesse mar de variáveis que é a vida, uma coisa parece ser uma constante. E aí você pode buscá-la para si mesmo, ou premeditando outra coisa, não interessa, pois vai de cada um. Agora, o que não é míster, é dizer que tal não se conseguirá com trabalhos braçais, e empregos que ganham abaixo da média (o que é óbvio). A massa de assalariados representa, para todos os efeitos, mão de obra barata e não valorizada. 

Adendo: em medicina, também não vejo grandes expectativas de entrar na alta roda, a priori, mas te coloca numa classe confortável, bem acima da média. Uma vez um anon aqui me perguntou qual era minha meta de IF. Meta: o que vier é lucro. Tenho sim meus "sonhos altos", mas betas mentais devem ser realistas. 1M ou 2M, é o que dá para juntar tranquilo em cerca de 10 à 15 anos.

Vamos à corrida. Até a próxima!

3 comentários:

  1. Olá, também tenho vontade de escrever uma espécie de livro mas como você sinto que minha bagagem intelectual ainda é deficiente em alguns pontos, recomendo 2 livros, um chamado de "olho aberto" e outro "o choro de um pais hipócrita" ambos de mario schwartzmann que tem um ponto de vista que você poderá tirar bons ensinamentos deles.Mais a frente irei escrever um texto justamento sobre o "mostrar-se para os outros" que está tão presente em nosso meio. Se cuida na Medicina e não vá se entregar ao ostracismo das festinhas. Abraços amigo.

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    1. Muito bem. Fico esperando, as suas pontuações são uma das que mais levo em conta para analisar.

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  2. Esse ano conseguiremos, companheiros, atingir nossas ambiciosas metas! Vamo fechá o bonde da Medicina e passá nessa porra é agora! É a hora! Medicina ou suicídio!

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