Muitos desejam o bem ao seu próximo, mas não que estejam tão bem quanto eles mesmos. A hipócrita caridade da classe média, na semana do Natal, é só um lugar comum nesse mar de pretensões dentro da selva de pedra, às vezes, as próprias criadoras de suas personagens marginalizadas ─ estas que são exploradas nas narrativas incisivas da geração 90 e outros escritores atuais, atentos à todas essas coisas que são de direito.
Nesse interím, piadas como "o cara chato que toca Legião Urbana no churrasco" mascaram um recalque percebido e comprado por todos os que não tem dotes musicais para atrair a atenção de bucetas nas rodinhas sociais. Chavão aos conhecedores da real e sex appeal para os puazeiros, tocar violão e cantar qualquer merda nessas confraternizações de trabalho, igreja ou escola, é sim um chamariz de xavascas, uma ferramenta para trabalhar o alfismo social (VS no vocabulário PUA) e o primeiro passo para criar um grupinho em sua volta. E quando esse grupinho é de mulheres então, é que cria fissuras e recalques da macharada em volta, ressentidos por não serem o centro social. É o cérebro primata, paleolítico, competindo à todo instante pelo domínio das melhores fêmeas.
É sabendo disso que eu já tive projeções de aprender a tocar algum instrumento. Dois anos atrás, aspirava até compor uma banda. Entretanto, devido à miséria, nunca nem pude comprar um violão de segunda, até hoje. Vinte anos nas costas e nem mesmo um hobby comum, como cifras de violão.. puta que o pariu! Ser pobre é uma merda. Ser pobre e manjar a real é mais ainda. É como ser habilitado e não ter um carro.
A vida tá passando e eu não estou curtindo nada nas fases corretas.
Por que minha voz é horrível?
Sim, tem essa também. Além de comprar um violão e começar a arranhar essa merda, tenho que treinar a voz de taquara. E será que isso tem jeito? Geralmente voz de pobre é repulsiva porque sua autoestima é muito defasada. Assim como exploraram esse ponto, escritores como Rubem Fonseca e outros destaques atentos ao maquinário urbano (o próprio Felipe Pena, recentemente citado no blog). Como é mesmo o nome? Ah, é: "olhar subserviente". O pobre ômega JPBF inapto social tem um olhar subserviente. É aquela coisa meio esbugalhada, insegura, como que esperando uma ordem iminente para obedecer. Você passa de encontro à outras pessoas, em aglomerações frequentadas pela classe média (shopping, biblioteca universitária) e o olhar não se fixa na fronte do outro que vem em sentido contrário. Uma certeza inconsciente de que se é inferior.
De que não se está fazendo sucesso em nada, essa é a verdade. Veja, por exemplo, eu estudei na mesma sala que uma menina aí que agora integra uma banda que se apresentou no SuperStar. Na época eu nem sabia, já tinha ouvido falar dessa tal banda e nem procurei saber. Mas logo no dia seguinte que fiquei sabendo do tal fato, ligado os pontos, espraguejado porra! e depois me conformado, já me sentia meio underground e independente. "Ah, aquela banda tal? Mano, estudei com ela, bixo". Eu me achava menos lixo por ter esse assunto para falar, mas não queria parecer presunçoso, então ficava de boca fechada até que tocassem no assunto. E foram duas oportunidades que pude dizer isso, e mesmo ninguém dando a menor foda para mim (achando que era caô de um ômega pobretão tanso imundo sequelado) eu me surpreendi com a minha própria voz. Como se tivesse sido outra pessoa que tivesse falado por mim. Uma puta voz alfa, não de playboy, mas ainda assim voz de boy de condomínio classe A, estes que não tem preocupação nenhuma na vida, do que vai comer ou o que vai vestir, e que metem vários hobbys desde a infância, tipo natação e curso de teatro.
É estranho agora eu ter desistido de todas essas pretensões que agregam VS. Voz e violão, fotos em lugares estratégicos, gravação de covers pro facebook, et cetera. Pensar que eu tive 10k em mãos e hoje me vejo sem um tostão no bolso, deixa uma angústia amarga, uma sensação de desamparo bixo, que faz você espremer cada centavo a partir de agora. De fato, (op. cit. Ivan, de Bufo & Spalanzanni) "o rico acumula cada vez mais dinheiro, não por querer ficar mais rico, mas pelo medo de se ver pobre de novo". Então, mesmo supondo que eu ganhe uma bolsa na universidade (supondo que eu ganhe), nesse momento estou mais interessado em aportar tudo e meter em TD do que patrocinar-me esses hobbys, pelo menos por hora. E, cara, eu tô muito a fim.
Forte abraço. Até a próxima.
Futuro Alfa,o caminho no bostil é torto torpe e falso,não é um caminho reto,é algo assustador ter noção disso no começo mas aprendemos que é melhor assim.
ResponderExcluirFuturo alfa,seu futuro é sombrio disso tenha certeza.
ResponderExcluir