segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O estilo de vida que eu queria ter em 2016

Ocorreu-me de achar um tempo, depois da mudança, para pegar os cadernos das R.I e refletir sobre o estilo de vida que eu havia “planejado” ter, lá nos idos de 2014 (ou 2013, não sei). Felizmente, de lá para cá, aconteceu muita “mudança”, no sentido de amadurecimento do pensamento. Antigas obsessões, que antes pareciam importantes, agora me são apenas como um desejo que pode ser legal, sob ressalva, mas também um desejo não-necessário. Talvez depois eu faça um post explicando como o epicurismo vem me ajudando com algumas neuroses minhas. Mas, no momento, o resumo é que eu pude ler aquelas divagações, nos cadernos, contemplando com uma certa nostalgia os devaneios de um ômega introvertido. 

Devo dizer que em momento nenhum me senti em falta por ter fracassado miseravelmente em implantar, este ano, aquilo que passei a chamar “rotinas interessantes 1 e 2”. A nostalgia, neste caso, veio do fato d’eu me lembrar que alimentei esse plano noites e noites, muitas vezes, madrugada adentro, lá no serviço, com exercícios de mentalização ─ que é quando você pensa repetidamente em um desejo para o poder materializar na realidade. (Eu passei por uma fase de estudar esoterismo/magicismo em 2015, quem sabe depois eu conte mais detalhes sobre isso noutro post). Como já falei antes, trabalhei durante um ano a fim de juntar 10k para as bibocas. 

Essas mentalizações também incluíam sentir as emoções como se as estivesse vivenciando de verdade. Tais como o senso de importância, por exemplo; a emoção de ser notado e desejado pelas mulheres; de liderar a turminha “cool”; da autoconfiança e autoestima elevadas pelo brilho do novo, etc. Podemos falar que isso era a ”visualização”. Mas, mesmo em pensamento, a visualização é uma sensação quase viciante ─ a fronteira entre imaginação e realidade é uma linha tênue. Cheguei a mentalizar que obteria o alfismo financeiro em 10 meses, a partir da estréia da bibocagem, seguindo sempre a lógica de reaplicar o faturamento no investimento inicial, até completar uma renda de 15k a.m. Se você me perguntar se não é muito longe da realidade, conseguir um faturamente de 15k mensais, com bibocas, e ainda mais no Bostil, a minha resposta ─ falando pela minha experiência, de ter metido a cara ─ é de que sim, é longe da MINHA REALIDADE. Mas para quem já tem capital acumulado, para quem tem uma estrutura foda por trás, eu creio que não é tão fantasioso.

Do dinheiro obtido, a parte que não fosse para o aporte, seria aplicada em upgrades pessoais interessantes. Alguns deles, hoje, eu vejo como soberba supérflua. É o caso das roupas importadas, de dois em dois meses, direto do catálogo da Arbercrombie, Holister, Aeropostale, num esquema de… shipping (...acho que o nome é esse. Eu vi nesses sites aí que oferecem cursos de importação). Outros projetos, no entanto, de um certo ângulo, me parecem saudáveis porque oferecem o engajamento.

Considero de boa utilidade o JPBF padrão ficar engajando em alguma atividade como forma de adquirir ou desenvolver habilidades. Isso gera satisfação, que é um prazer diferente do prazer gratuito propiciado por extremos sensoriais que o beta se dá como escapismo para esquecer sua vida de merda. 

Ainda no exemplo das roupas, uma necessidade de socialização pautada em uso de long-sleeves, hodies, boné, relógio e outros itens “de marca”, só demonstra um baixo senso de valor (baixo SDV, como diz no PDF do Rafael BC ─ depois conto como foi que adquiri essa merda e o quanto não vale a pena). Mas na minha mente, a tal rotina interessante, integraria uma expansão social nessas “mocidade” de igreja adventista, a fim de amigar (das meninas, principalmente, a fim de obter aprovação social), e de engatar um almoço fora na sequência. Pela tarde, algum lazer: no bosque, na orla da praia (ocasionalmente tirando fotos estratégicas em pontos nobres, frequentados pela alta burquesia). Bem, acho que isso resume como eu pensava que seria meu alto estilo de vida em 2016. Havia também a ideia de ter aulas de violão e guitarra, curso de natação e alguma arte marcial (na época, judô) como forma de condicionar um comportamento dominante alfa. Não vou citar ainda quais eram os projetos, porque falarei mais sobre eles no balanço do ano.
Muito dessa busca por aprovação social ─ aprovação social baseada numa puta estrutura de playboy de vida feita, diga-se ─ veio depois do “tapa”. Parece que é uma sina todo JPBF seguir um roteiro em que ele passa por alguma humilhação épica destruidora de autoestima em algum ponto de sua adolescência/juventude. Depois daquele ridículo episódio, já relatado aqui no blog, começaria uma espécie de “guerra fria” entre eu e a pseudo-patricinha do subúrbio ─ cada um tentando mostrar ter uma vida mais cool e agitada do que o outro.

Agora, ao som de Black Baloon (The Kills), arquivo novamente o caderno de RI na prateleira da estante. Não por acaso, The Kills era uma das bandas que eu ouvia na volta do trabalho, à noite, quando tocava no canal Indie do saudoso MixRadio. Embora, como eu falei, haja esse amadurecimento de ideias, tem  algumas coisas que se salvam nessas anotações. A saber, o condicionamento dominante por meio de esportes e lutas de contato, e as aulas de violão/guitarra, tanto como alavancagem social, quanto aprendizado de novas habilidades. O que muda é a forma de uso.

De maneira geral, o ômega, aquele está numa escala ainda mais abaixo do que o beta, deve buscar se desenvolver física, financeira e socialmente. No âmbito social, no entanto, é melhor o “ômega em ascenção” atuar como coadjuvante do que tentar botar a banca de alfa-mor à força. As melhores demonstrações de superioridade no jogo social são aquelas sutis. Doutra sorte, evita-se de expor uma fraqueza do ego, e deixar que a usem de volta contra você. Entender isso é o primeiro passo para criar uma máscara política que lhe permite ser bem relacionado com playbas, patys e betas.

Forte abraço

2 comentários:

  1. Passo longe de querer uma vida agitada, isso vai contra meus princípios. Tudo que eu preciso é de tranquilidade.

    ResponderExcluir