sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Quando a família chimpa quer atrapalhar os planos de um beta esforçado

Senhores, é incrível como às vezes certas coisas parecem conspirar contra um beta, ou um ômega esforçado, que conhece a real, e que sabe como usar a natureza humana à seu favor. Pense: você é pobre, feio, de genética imunda e sem nenhum tostão no bolso. Enfim, um típico "JPBF" ─ a sigla que está penetrando por todos os cús do Bostil, regiões afora, e se consolidando indiscutível no vocabulário da revolução pobretana. Você foi humilhado e rejeitado por patys e também por pardas medianas de ego estratosférico, durantes anos de sua adolescência. Sentiu-se ridicularizado, comparou sua vida com a de playboys e alfinhas vida boa de condomínio, e viu que era mesmo um merda. Um lixo total. Jamais poderia competir com "boys" da burguesia média/alta (eles, com seus rostos baby-face e completamente estilosos, pautados no fino dos cosméticos e todo o acompanhamento profissional pró-autoestima que o dinheiro pode pagar). Então você se isola, e decide planejar-se para ter uma formação profissional decente, que lhe proporcione uma condição "razoável, pra bom" lá pelos trinta anos; E mesmo quando tudo dá certo, quando tudo está ocorrendo pra encaminhar a vitória, parece que vem umas setas do Universo; como que conspirando para que o pobre fique mais pobre, enquanto o rico mantenha o seu, ou até multiplique ainda mais a distância da desigualdade socio-econômica (pelo qual ele pode se gabar).

É isso, senhores, que veio acontecendo nesses dias. Quer dizer, eu já sabia que seria improvável eu conseguir galgar a pirâmide socio-econômica dessa latrina de país sem ter algum apoio no começo da jornada. Aliás, nenhum dos que estão no topo agora conseguiram o feito sem ter subido nas costas de algum outro, usado de mula: via de regra. Porém eu não imaginava que os próprios da casa estariam dispostos a largar mão de tudo pra se acomodar numa condição "nem pra lá, nem pra cá", e barrando, em primeira instância, meu projeto de subir de condição e esfregar o meu sucesso na cara de algumas peças raras do círculo social antigo e aceito.

A situação é a seguinte: minha mãe quer voltar para Fortaleza, de novo, onde os meus tios, chimpas típicos, estão desperdiçando a aposentadoria da minha vó, com cachaça, parcelas do populixo 99, e engravidando vileiras Msol. Só que, se for por isso, eu ficaria sem suporte aqui para pagar o aluguel e cuidar dos afazeres básicos de casa, enquanto eu me aplico no curso de medicina (preparando o terreno para uma residência, caso eu resolva optar por uma). Já houve até uma briga, dia desses, por conta disso, onde aproveitei para meter umas reais aqui, e depois o clima azedou com o irmão chimpa. A falta de fé deles é perturbadora: sendo que outras vezes eu mostrei a possibilidade de ganho na informalidade. 

Mas o quê que vai ser daqui pra frente? Então, um beta ─ ou JPBF ─ muitas vezes parece não ser favorecido pelo universo, mas eu tenho algumas cartas pra por na mesa. A primeira delas é lançar candidatura para uma bolsa privada, ao qual eu me encaixo nos requisitos, e que parece ser R$1200,00 mensais. Em tempos de crise e cortes no assistencialismo, é meu melhor cenário. A segunda é pedir a bolsa de 400 a que tenho direito pela premiação na OBM, caso eu não consiga outra, tipo a bolsa-permanência ou outra qualquer de 400. É sabido que a concorrência pelo auxílio estudantil é grande, mas eu não quero contar com a da iniciação científica em matemática, porque exigiria de mim uma atenção especial em matérias (cálculo) nada a ver com meu curso. Além disso, independente de qualquer bolsa, eu ando juntando uma reserva vendendo geladinho na porta de banco, e espero acumular uns 1k reais até fevereiro, pelo menos (3k seria o ideal). Ainda com esse dinheiro que eu consiga por minhas próprias mãos, o cenário sem o auxílio de uma bolsa é desanimador: 10 meses de aluguel + água e luz dão cerca de 3,2k, fora a alimentação.  Eu preciso da bolsa estudantil, de todo jeito, ou seja, não estou com 100% do controle dessa situação.
Bolsa Permanência. Até agora, nunca ouvi falar se tem na universidade aqui do Estado, mas será caio dentro se tiver
Mas, tudo isso dando certo, e se for de acontecer a viagem para fortaleza, eu pretendo continuar por aqui. Ocorreu-me de convencer uma tia, que também já mora no mesmo condomínio-vila, a dividir o aluguel, mas não. Eu gostaria de testar minha adaptabilidade à morar sozinho, pois em uma primeira instância, não me parece complicado conciliar as duas coisas. Mas, é isso aí, vamos aguardar o decurso das coisas.

Bem, ok, está aí mais um causo JPBF compartilhado aqui neste blog. Isso serve até como terapia para clarear a mente e pensar com um julgamento acertado, sem se levar pelas emoções (hm, como se um ômega padrão fosse mesmo partir pro tudo ou nada... até parece).


Obs: achei alguns sites interessantes estilo diário do aluno de medicina, que gostaria de compartilhar com vocês. Por quê? Bem, como falei, não sei ainda se vou optar por uma residência médica, mas se for, preciso se o primeiro da sala (até mesmo para pegar uma monitoria no quarto ano). Sei que o pensamento objetivo nosso é "pegar o salário, e usar o status, foda-se o curso, sendo mediano dá pra levar", mas é com ressalva. Com ressalva, eu disse. Agora, lendo o ABCdaMedicina e diários parecidos eu passo a ter uma noção do nível de estudo que terei dentro do curso, técnicas, como se dar bem nas provas (o que é importante, o que não é importante estudar), entre outras ideias que forem me surgindo. Eis o site, não vou colocar link para não direcionar para cá: abcdamedicina (.com.br); o mesmo do vlog Mediários (quem diria, eu já seguia no youtube): alunos de medicina da USP, aplicados, e humildes.

Até a próxima, forte abraço.

5 comentários:

  1. Mais um ótimo texto, estou torcendo muito pela sua aprovação, irei linkar seu blog.

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    1. Muito obrigado, JM. Eu já tenho seu blog listado desde que comentou por aqui (se tivesse comentado antes teria te achado ainda pelos idos de setembro).

      É com muito prazer que informo que a universidade daqui do estado tem sim a bolsa permanência, concedida a todos, e exclusivamente, aos alunos de medicina de baixa renda (<1,5 salario mínimo).

      Dessa forma, eu passando no sisu2017, estarei praticamente garantido dentro do programa, precisando apenas levar a documentação quando abrir o edital.

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    2. Fico muito feliz, já acompanho seu blog há algum tempo e vejo a sua luta para a conquista da IF que é tão almejada pelos JPBFs, abraços.

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    3. O programa PBP existe, porém devido à cortes no orçamento, não estão recebendo novos inscritos, infelizmente. Tente achar outro meio, FA, ou até mesmo fazer uma vaquinha com os parentes, tias, tios. Quando o cara estuda medicina, é até mais fácil de dar o braço a ajudarem.

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  2. Gosto de ler seu blog, porque eu também tive muitas dificuldades no inicio da minha vida, não que eu ache minha vida boa, mas poderia ser pior !!! por isso torço para quem está começando, e tenho certeza que você vai conseguir, eu tenho um filho, vou tentar e ajudar ele no que for possível para que ele também faça medicina !!!

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