Do trabalho
Houve uma época em que eu tinha um ideal de percorrer o Brasil afora e financiar ômegas, ou betas, em idade escolar, para escalarem seu próprio sucesso profissional, desde que eles fizessem o mesmo com outros, lá na frente - e, também, aproveitando para disseminar valores anti-esquerdismos mais convenientes, que poderiam até mesmo controlar os resultados políticos de uma eleição. Mas hoje eu já não penso assim, por dois motivos. Primeiro que, mesmo entre betas e ômegas, é raro encontrar a personalidade tipo a minha, que mais se encaixa para esse tipo de favor. Segundo, estudando tópicos da história político-econômica brasileira e globalização, pude refletir sobre um aspecto delicado: a dominação que grupos exercem sobre uma enorme massa de desfavorecidos miseráveis é propriamente baseada na economia, e no acúmulo de capital ao longo de gerações, no latifúndio. Não é interessante, para eles, resolverem as mazelas do povo brasileiro, porque é devido à essa desigualdade que se mantém o poder. Para existir um superior, é necessário que existam os inferiores.
Em palavras acessíveis: o quadro de exploração e miséria brasileira é mantido deliberadamente (intencionalmente) pelos grandes, e sabe-se lá mais quem, da política. Muito disso é herdado da época escravista e do controle da política pelas oligarquias. Desse passado colonial, podemos contar nos dedos heranças como:
- o autoritarismo político;
- o envilecimento do trabalho, visto como atividade inferior; e
- o preconceito racial.
O leitor poderá comprovar tudo isso observando fatos do cotidiano. O envilecimento do trabalho, por exemplo, eu mesmo pude sentir quando comecei a administrar uma biboca imunda, que eu mesmo criei (marca, adesivação, e tudo). Infelizmente, na época, eu tinha uma idealização de ser "empreendedor", porém, sem nenhum apoio ou suporte financeiro para tal, o negócio minguou. Observe que mesmo para ser um biboqueiro imundo é necessário ter capital acumulado. A família acomodada e miserável, mais colocava desagrado (quando não inveja, torcendo para dar errado) do que se prontificava para ajudar. E daí, eu fazia tudo praticamente sozinho, além do que, tendo que sair à rua, de bairro periférico, levando a biboca à pé para os grandes centros comerciais, já sentia os olhares dos vizinhos imundos (daquele tipo miserável de gente que se larga nas calçadas até horas da noite, como que para vigiar as vidas uns dos outros).

Quer dizer, enquanto que em países calvinistas, até mesmo a filha do presidente trabalha na barraquinha de coxinha beneficente, no Bostil, tanto a formalidade, quanto a informalidade, são vistas maliciosamente como subterfúgios para determinados elementos se sentirem superiores, ainda que momentaneamente, e ainda que sejam tão imundos quanto.
Não estou defendendo que o trabalho seja uma atividade nobre, todavia. Muito menos importante como "formadora de caráter" ou qualquer merda. Para Aristóteles, o trabalho braçal era atividade típica dos escravos, enquanto que "o cidadão, nasceu com o corpo ereto, próprio para se ocupar do pensamento e das atividades políticas" (leia-se ostracismo). Mesmo na antiguidade grega, o trabalho como elemento divisor de castas já era bem definido. Portanto, não caiam nessa conversa que tansos imundos acríticos repetem como sabedoria popular: "o trabalho enobrece" e demais merdas. Uma pica! Trabalho apenas deixa implícito que há aqueles que nasceram para servir, e há aqueles que nasceram para serem servidos. E de fato, tenho visto playbas que se orgulham de nunca terem trocado uma lâmpada, e patys que enchem a boca para dizer que sequer sabem fritar um ovo. Nós, JPBFs, porque não temos suporte de uma família decente, temos que conquistar a IF. E trabalhamos, pelo menos por hora, porque sem dinheiro não há desenvolvimento pessoal. Disso decorre o seguinte: o alfismo financeiro é fundamental.
Da sociedade
A sociedade brasileira, no geral, pode ser dividida em dois grupos. De um lado, há uma ampla massa de bostileiros imundos complexados na base da pirâmide social - e aí você conta todo tipo de gente que tem uma vida não-interessante e faz questão de falar "o que não tem para falar". São aquelas pessoas de conversas chatas e perguntas imundas do dia-a-dia que não interessam a ninguém, mas por algum motivo parecem ter uma infeliz ilusão de quem são realmente importantes para dar opinião (muitas vezes do que não sabe) e contar seus causos que ninguém quer saber. Essas pessoas, eu incluo, por default, no time de invejosos e sabotadores sociais, sendo que é importante manter seus planos em segredo e não compartilhar nada com estes, mesmo que sejam da família, como forma eficiente de evitar vazar informações particulares. Pensando bem, é melhor manter segredo, de todos.
A classe média brasileira, por sua vez, não tem nenhuma ideologia. Ela vive somente pelo e para seu status - para qualquer forma ou atividade em que possa se auto-validar. Ir ao estádio ver um jogo do Brasil, ou ao cinema com uma gatinha, shopping, com esses jovens hoje sempre falando de sexo, peguetes, cerveja e ufc, muitas vezes não é um atrativo pela atividade que se fará, mas sim pelo símbolo de status que tal atividade representa. Isso será mais comum depois dos vinte, e se alastra para todas as variantes possíveis, sempre partindo do pressuposto inicial de auto-validação, auto-afirmação, e sumariamente, dar carteirada de estar acima dos outros.

Exemplo célebre, até mesmo em questão de sexo - suprassumo dos desejos masculinos - tenho visto na universidade, rapazes mais gozando em mostrar na rodinha a foto da peguete que andam traçando, do que o simples ato entre quatro paredes. O que antes significava somente um libido reflexo da testosterona, não tem mais sentido nenhum se você não puder, enfim, se auto-afirmar, sócio-sexual, para a sociedade em geral. Vou adentrar em detalhes sobre esse tema especificamente, em outro post, tem algumas reflexões interessantes para desdobrar.
Eu não espero, com isso, de maneira nenhuma tentar mudar a sociedade ou incutir valores nela, que nunca existiram nem nunca existirão. A moralidade é um conceito utópico, muito diferente da real natureza humana. Sendo assim, vale a pena o JPBF saber a verdadeira cara da classe média em geral, por trás da máscara, saber como agem, e o porquê, para pelo menos ter uma noção de como lidar com "as gentes". Assim, você sempre mantém-se político diante deles, prezando pela reputação. Ter seus conceitos e os guardar para si, é uma maneira eficaz de se auto-validar sutilmente para com quem está abaixo, e manter uma neutralidade com quem está acima, uma forma de falso respeito/deferência. Quanto menos souberem de você, menos poderão lhe atingir por palavras e atitudes. Doutra sorte, temos que ter, por default, que a classe média também mostram uma "máscara", no entanto, já sabemos o que se encontra por baixo dela.
Por projeção ou não, nós sabemos.
Forte abraço!
IF é vida cara, sonho todos os dias com o que eu faria quando estiver "aposentado" vivendo só de renda. FA, você que pretende fazer medicina pretende largar o emprego até chegar em qual meta? Acho que seria interessante uns 3 milhões para largar de vez e só curtir a vida no modo-zumbi moderado com varias viagens, GP's/civis eletrônicos de ponta e conforto. Abraços.
ResponderExcluir