Cerca de noventa dias é o que falta para a prova onde decidirei o começo da minha jornada rumo à IF, status social, e cidadezinhas. E como estou me preparando para isso? Estou confiante? Quais são as minhas chances reais? E acima de tudo, estou preparado?
Confesso que já fiz o Enem outras vezes sem sentir a menor pressão de como seria minha nota depois da prova, e sem preocupação de passar ou não em uma universidade, como relatam a maioria das pessoas normais. Eu não sou um estudante normal e comum do ensino público brasileiro. Embora tenha estudado sempre em escolas públicas (e ter cursado o ensino médio em um instituto federal) o sentimento de insegurança que já se manifestava em mim, inconscientemente, devido à imagem pessoal (e que veio à tona no ensino médio) me fez ser um dos alunos mais reservados e introspectivos do colégio. Por causa disso, evidentemente, desenvolvi uma habilidade analítica de raciocínio, planejamento e aprendizado acima da média.
Nas duas vezes que fiz a prova do Enem, mesmo sem ter estudado nada além do conteúdo programado das aulas no Salesiano, alcancei médias acima de 700.0, juntando todas as áreas, com destaque para o ano de 2012, onde consegui as maiores notas até agora: 880.0 em redação e 810.1 matemática. Notas que tenho pretendo superar esse ano.
Entretanto, como era de se esperar, a prova do Enem, ano após ano, vem tendendo a aumentar a dificuldade e a exigir mais dos alunos candidatos em habilidades de análise, interpretação de texto e competências interdisciplinares. Se em 2011 e 2012, tínhamos a predominância de questões diretas nos assuntos de filosofia e geografia, em anos recentes, principalmente 2015, percebemos a tendência de questões associadas à textos, exigindo conhecimentos detalhados de costumes, cultura e impactos dos processos sócio-históricos na formação da sociedade brasileira. Podemos dizer que há uma necessidade maior de o aluno resgatar a identidade cultural dos povos, em especial negros, desde a era colonial até hoje.
Sendo assim, devemos esperar, este ano, uma prova comparável à segunda aplicação de 2015, em termos de dificuldade, senão maior. Portanto, devo reconhecer, faltando pouco mais de 90 dias, não me sinto totalmente confiante em obter uma nota muito alta para entrar com folga em medicina. Mesmo para o meu nível. Veja bem, eu disse uma nota MUITO ALTA, não apenas uma nota alta que dê para passar em medicina. Não quero ser afobado e ir no clima de "já ganhou" usando o sistema de cotas, que muito provavelmente já me garante uma vaga dentro, faltando basicamente comprovar baixa renda. Não porra! Eu estou brigando é pelos primeiros lugares com a garra de time grande na reta final de campeonato. Estou focando, no mínimo, no top cinco primeiros lugares da universidade federal aqui do meu estado.
E como meu intento são as vagas de ampla concorrência, a priori, vejo que tenho de ampliar minha rotina de estudos úteis ao estilo ENEM. Eu comecei a estudar, de fato, desde 01 de maio desse ano, mais ou menos na época em que me veio a ideia de cursar medicina (talvez depois eu conte o porquê). De lá para cá já revisei toda a teoria de química e física do primeiro ano. Minha base em matemática conta com quatro medalhas da OBM e quatro anos de curso em iniciação científica do módulo matemática, então só me falta revisar os assuntos mais difíceis desta matéria. História, sociologia, geografia e língua portuguesa ainda nem toquei nos livros, e está aí a maior desconfiança da minha preparação se a prova fosse aplicada hoje. As questões de Ciências Humanas não são complicados de se resolverem, mas elas exigem um macete de interpretação que estou começando a entender. Se antes, duas ou três alternativas me pareciam corretas para uma mesma questão, é a mais "aceitável socialmente" que tende a ser a certa.
Quanto à redação, eu mantinha um blog pessoal de opiniões nos idos de 2012, o que me levou a praticar o texto dissertativo naturalmente. E é por causa disso que estou novamente abrindo um blog. Antes que os haters venham falar de "hur dur extremos sensoriais" eu digo que escrevo os posts no celular, na cama, antes de dormir, e não atrapalha nenhum minuto minha rotina de estudos. No entanto, não me aterei nos comentários durante esta fase, direcionando os posts num estilo de conversa de mim para eu mesmo. Isso me ajuda à noite, a refletir sobre meus objetivos, meu esforço aplicado e ajuda a dissolver a minha ansiedade. Porque, de fato, a pressão que eu não sentia nem um pouco antes, começa a ganhar peso agora na minha mente. Eu me vejo agora como muitos vestibulandos de cursinho carregando a auto-cobrança em si. O pensamento é este, o de conseguir a qualquer custo, e o de saber que a concorrência também está se preparando insana. Com a diferença de que eles fazem cursinho, vem de boa família, tem palavras de apoio e tapinha nas costas dos amigos, das amigas bonitas também, alimentação regrada à proteínas e vitaminas de alta qualidade, e tudo isso se reflete em capacidade, auto-estima e auto-confiança para fazer a prova em maior vantagem. Enquanto que o JPBF padrão vindo de família chimpa está sozinho contra o mundo. E pau no cu dos psicólogo de teclado, porra! Se você nasceu homem, pobre e feio, é a odisséia na Terra. Não existe família, nem pena dos fracos, só a labuta solitária de cada dia. Até que você obtenha o alto padrão de condição financeira, momento em que todos querem se rodear de você.
Pois bem, embora a minha maior pendência aqui seja a matéria de história não é motivo para desanimar. Pelo contrário, faltam 90 dias para o ENEM e se eu estava negligenciando a área de CH, vou agora adicionar um programa paralelo de treinamento com a correção das provas anteriores, paralelo aos exercícios de química e física, até completar os dois volumes restantes. Essa maneira de estudar é estratégica porque ao mesmo tempo em que você vai se familiarizando com os assuntos que mais caem na prova, também vai aperfeiçoando sua interpretação das questões estilo Enem. Diferente de apenas ver a teoria e as questões do livro, que são mais diretas, e relacionados com o conteúdo limitado ao capítulo (enquanto o Enem é interdisciplinar). Tenho certeza de que no próximo relatório mensal de preparação, minha evolução nos conteúdos estudados será satisfatória, e a confiança de garantir a vaga no curso mais concorrido, nobre e de formação mais bem paga dessa latrina (enquanto não saturar, e eu espero que não sature antes de eu tirar minha fatia desse bolo), que me garantirá respeito, admiração e status, de forma atemporal, universal e eterna, além de muitas calcinhas molhadas só de me verem chegando com a camisa de medicina, será total. Força, betas, a nossa virada pra cima dessa sociedade-merda está agora mais perto do que quando no princípio cremos.
É isso aí.


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