
Para nós que conhecemos a Real e ficamos sempre atentos ao nojento jogo de interesses que se passa veladamente sob as relações sócio-sexuais, é até engraçado como na teoria a conversa é bonita, ética e tão bem racionalizada que se você bobear e der ouvidos, acaba saindo otimista com uma nova visão de mundo e até acreditando que a real é radical e extremista, mesmo que na verdade ela seja exatamente o que ela é: a real.
Na época em que comecei nos redutos realistas, depois de ter lido NA, além de ter confirmado minhas suspeitas, passei por uma fase de achar que bastaria ser "indiferente e misterioso" para ser valorizado pelas mulheres do meu círculo social. Passei à anotar grande parte das informações dos e-books de Nessahan e sites tipo TypeCafajeste, para fazer um check-list e me enquadrar num modelo de macho alpha durante as interações sociais. "Confiante", "seguro", "indiferente", check. "Demonstrar pré-seleção", "não-reativo", "inner game sempre", "não polarizar num único grupo de mulheres". A babaquice era grande, e eu até anotava as experiências em um diário social. Mas tudo que conseguia na hora que os irmãos se reuniam para aquele social estúpido em frente à igreja depois do culto, era ficar chupando dedo no canto. E quando tentava penetrar nos grupos, a linguagem corporal deles era claramente me excluindo, e não puxavam conversa, o que demonstrava que o centro social ali não era eu. Daí eu sempre voltava mais cedo pra casa, racionalizando o fracasso e imaginando situações na esperança de que na próxima vez iria ser diferente.
Minha visão deveras analítica me permitia destrinchar toda a peça que ocorria naquele micro-universo social, e eu sabia exatamente o que estava acontecendo, e o porquê. Não muito diferente do modelo de praxe de tudo que há por aí, havia um projeto de cafinha que se destacava pela beleza e físico do tipo bem alimentado, cabelo liso, rosto limpo, enfim, fazia um sucesso com todas as meninas e se portava sempre de maneira confiante e boçal. Não raro querendo mandar, tirar sarro com os betas imediatamente inferiores na escala da hierarquia; Podemos falar, portanto, de uma personalidade moldada nas retroalimentações positivas, elogios e tapinha nas costas recebidos desde pequeno. Havia também um grupo de meninas qualquer, sendo mais ou menos extrovertidas de acordo com o nível de narcisismo e egocentrismo doentios. Que as fazia dobrar o máximo de medianos à sua vontade, óbvio. E, claro, no limbo, estavam todos os medianos e ômegas que alimentavam e financiavam essa putaria. Particularmente eu não chegava nem a me integrar nas panelinhas, mas sendo visto sempre sozinho e excluído, era tido como um leproso social de baixo valor ao qual ninguém queria ficar associado.

Como será que os JPBFs esclarecidos espalhados pelas mais diversas regiões do Bostil lidam com as suas frustrações, humilhações passadas e tentativas de interação social fracassadas por razões obviamente relacionadas à um descontentamento com a imagem pessoal e traços de "feiura" que geram inseguranças e minam nossas autoestimas cada vez mais quando saíamos em público despreparados para encarar essa sociedade elitista imunda, embora eu não à culpe, mas de qualquer forma, sendo filhos de pais chimpas, não havíamos sido alertados, nem minimamente preparados, e então tivemos de passar por crises, sofrer bullyng, complexos, e outras humilhações e rejeições insanas destruidoras de autoestima ao longo da nossa fase principal de formação psicológica, entrando, assim, na vida adulta, calejados emocionalmente, porém com traumas e marcas psicológicas no subconsciente talvez incuráveis. Será que tudo isso ficará marcado para sempre como o primeiro cafa que tirou a virgindade de uma merdalher? Sairemos com o ego esburacado, tentando preencher os déficits de uma fase não vivida com fetiches por garotas adolescentes, tipo colegial e que lembram o tipo de namoradinha que queríamos ter na adolescência, será isso?
Como eu disse anteriormente, eu havia previsto o jogo de puxa empurra dessa garota, mas novamente, minhas análises corretas, embora me deixassem um passo à frente, à insegurança e baixa autoestima nunca me deixavam aproveitar essa vantagem. E eu também sabia disso.
Ocorrido a fase de bancar a simpática, e achando que tinha me fisgado, essa garota, no momento seguinte passou a ser antipática sem razão aparente. Fazendo de tudo para me ver "abalado" com sua "rejeição repentina". Mas, diante da minha não reação, ela foi aumentando cada vez mais as richas, ao ponto de colocar as amigas e aquele cafa boçal contra mim. Episódios que se alastraram para o Facebook. Lá, eu meti a real em todos eles de forma acertada e no linguajar estilo Nessahan ainda por cima. Um extremo sensorial de se mostrar o fodão, eu sei. Mas não importa. Não importa o quanto você esteja certo e coberto de razão, só pelo fato de ser beta continuará sendo ridicularizado e zuado, e foi isso que percebi no dia seguinte. Numa simples olhada para as "obreiras" jovens - termo que se refere as vadias mirins que compõe o ministério lá dentro - deduzi que essas conversas tinham sido vazadas e foram motivo de risos entre elas. Passado-se momentos seguintes, foi naquele momento que termina o culto, os membros saem, e ficam aqueles irmãos para reuniões só do "ministério" que aconteceu. A vadia veio tirar satisfação, mas eu não queria ouvir a conversa e então coloquei a mão. Ela não gostou e lascou um tapa ali mesmo, dentro da igreja, sob o olhar de deboche e vitorioso do cafa e de suas amigas lá. Porém, convenhamos, nem foi isso o que me surpreendeu, e sim o fato da obreira - e também responsável dos jovens - não ter feito nada. Fingiu que nem viu (estávamos na frente dela) e não demorou mais que um segundo para eu ter deduzido toda a hipocrisia daquele meio. Aquele micro-universo social não tinha nada de diferente de todos os outros. No discurso, é irmandade e amor ao próximo, amor fraternal, mas na prática, impera a lei do mais destacado. E, aos betas e ômegas - aqueles no extremo oposto da hierarquia social - sobra a opressão, humilhação e a exclusão cruel, impiedosa e inevitável.

Me afastei dessa igreja, obviamente, pensando apenas em voltar lá para esfregar meu sucesso na cara deles. Outro extremo sensorial, eu sei, totalmente desnecessário, e portanto, com o passar do tempo, vetado.
O cafa boçal atualmente estuda numa escola estadual à noite, namora uma baranga, típico bostileiro, não dá nem pra levar à serio, uma total piada, e nenhuma surpresa.
A pseudo-patricinha segue em jornalismo agora, depois de ter concluído o ensino médio técnico na mesma escola que eu. Imagine o que se sucedia quando acontecia de toparmos de vista nas dependências da escola! Acontecia uma fobia. Uma porra de fobia. Acontecia alguma reação de adrenalina, sei lá, a voz tornava fanha, nervosismo, batimentos disparados, não raciocinava bem. Patético. Teve uma situação d'eu passar pela arquibancada da piscina à noite, certa vez, e a vadia estava lá com as amigas. Caralho! Peguei o telefone fingindo uma ligação; Sim, o tanso imundo aqui tava dando uma de vida agitada, homem ocupado, sociável afinal de contas. PQP.
Fiquei puto, na verdade, foi pelo fato dela ter curtido tudo naquela escola que eu não curti por ser JPBF, complexado. Amizades, passeio no shopping depois da aula pra comer carbo-lixo com a turma, fotinhas na orla da praia, aniversários, programa de férias, aprofundamento de laços inapelável na mostra de teatro do segundo ano (textos, ensaios, blog, apresentação, abraço grupal depois de ter dado tudo certo, a porra toda). E acho que no fim das contas, tudo isso pra mim tem mais valor do que o sucesso financeiro. É um vazio de uma época que não poderei preencher. Mas que espero na, medida do possível, valorizar e aproveitar ao máximo minha futura turma de medicina.
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| Aqui nessa foto, vejo todo o companheirismo e união de uma turma no último ano do Ensino Médio. Daqui pra frente, seguirão caminhos diferentes, e ficará a saudade nas boas lembranças dos momentos que passaram juntos. Já eu, em seis anos de Salesiano nunca nem nadei na piscina. |
Ah, e porque eu escolhi medicina, agora respondendo a questão? Como amigo do meu inimigo é meu inimigo, também passei a observar os amigos mais próximos dela, para ver o nível de status a que pretendem chegar. Como essa garota está fazendo jornalismo não incomoda nem um pouco. Mas um amigo dela, do Salésia, e da mesma sala, entrou em medicina. Quando vi isso no instagram, na época, meu plano era empreender. Mas mesmo com um negócio bem estabilizado, não poderia me equiparar ao status do cara, então se não poderia desbancá-lo, que fosse igual, e daí, de um segundo pro outro mudei e redefini toda a estratégia.
Se eu tivesse feito o ENEM ano passado, esse ano já ingressaria no curso, talvez antes ou na mesma turma do dito cujo. Mas não posso me remoer por isso, pois na época não tinha essa aspiração.

Mas como aqui a real é metida na lata e sem rodeios, eu reforço mais uma vez para os JPBFs que o negócio é fazer medicina logo enquanto essa farra de altos salários e emprego garantido dura. Lembrem-se que estamos no Bostil, e aqui a grande politicagem quer manter o povo na merda, quanto mais na merda, afundados e sem esperança de ascender de classe, é melhor para eles, porque significa manter o controle e o poder político. Mas, veja bem, não vão sair por aí metendo a real de "medicina é o que há" no brasileiro médio, não sejam idiotas. Se você chegou até aqui, está lendo esse post, é jovem, tem oportunidade de cursar med, já se considere um privilegiado; agora, dar uma de José de Anchieta da medicina não hein! Não vamos cagar e saturar aquela que está sendo a saída de ouro para os pobretões espertos e esclarecidos dessa Bananolândia.
Um salve do Futuro Alfa Senhor Feudal das cidadezinhas.
Esse foi mais um post de causos JPBFs do beta da medicina no divã; Isso ajuda a exteriorizar esses traumas, e olhar para eles de maneira imparcial e de fora. Acho que isso ajuda a refletir sobre a vida, as desventuras e o amadurecimento que me fizeram chegar até aqui.
Próximo post: 11/08 (quinta-feira, anota aí)
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Essa música é muito boa, tem um ótimo ritmo e me faz lembrar de minha passada pelo Salesiano. O ambiente, os alunos/alunas, o clima de colegial. O significado da música fala de um relacionamento rompido, e do arrependimento. Mas as frases deixam para interpretar: "Go on, Go on, Your choice is made / Come back, come back, Don't walk away"

Velho, nem esquente em fazer parte da turminha!! Preocupe-se apenas com o "seu".
ResponderExcluirNem formatura de colegial eu fui. Maior bobagem...
Faculdade eu só me enturmava pq tinha q fazer trabalho em grupo. No final das contas mta buceta me atrapalhou a focar no meu objetivo.
Depois q os anos se passam, só quem estuda é que consegue um futuro melhor. Se fizer isso, vai ver aquelas patricinhas q nem te enxergavam se molhar pra vc depois.
Abraco.
O Mineiro falou bem. Na minha facul (fiz uma federal) me atrapalhou muito os esquemas, pois era totalmente inexperiente e não tinha preparo emocional para lidar. Se eu fosse um beta resignado talvez tivesse aproveitado melhor os estudos.
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