Até mais ou menos janeiro de 2016, eu nem sequer imaginava que dedicaria os meus maiores esforços, este ano, em prol de um único objetivo universitário e que, ainda por cima, este tal objetivo se tornaria o de maior peso da minha lista de metas para 2016 (que eu venho, planejando, diga-se, desde meados de 2015). É inevitável que se pergunte o que motivou uma mudança de pensamento tal radical, resoluta e decidida, de uma hora para outra e mais ainda interessante pode ser a resposta para tal pergunta, porque concede experiência para o típico JPBF que busca sair da merda.
Como aluno adolescente beta, tanso imundo e pobretão, estudando em um colégio nobre de ricos, futuros playboys e patys classe alta, eu fui submetido desde cedo à um choque de realidade tremendo. Até aqui, minha história não é muito diferente de outros tantos JPBFs urbanos que sentiram na pele, infelizmente, a opressão implacável das diferenças sociais desse Brasil corrupto e parasita. Daí você já pode imaginar o tanto de humilhação e privação betística por qual passei nesse período de quatro anos de minha fase colegial.
Eu não tive amigos do tipo que saiam depois do término das aulas, para ir ao shopping, de moletons e rostos lisinhos, nem ao menos pra fazer um lanche carbo-lixo na praça, ou ver o preço dos eletrônicos. Se tive um chegado mais próximo e de confiança foi apenas por identificação pessoal entre dois pobretões introvertidos.
Eu sempre sobrava na formação de grupos para trabalhos e seminários. Minha auto-confiança era zero e eu gelava só de os professores pedirem para arrumar as cadeiras e formarem as equipes, pois era o único que não se encaixava em nenhuma panelinha. Notadamente, no intervalo ou aulas vagas eu também me isolava, procurando refugio de olhares e contato com pessoas, nas arquibancadas do campo de futebol.
Não conseguia sequer passar pelo pátio, entre aquelas mesas rosquinhas de árvores. Obviamente também não conseguia socializar com os alfas atléticos ou betas classe media, de peles e cabelos hidratados e bonitos além de roupas de marca boa, a disputar ou recebe atenção de cocotinhas bonitinhas em rodas de violão. Sapato furado, jeans de camelô, peleo oleosa e cabelo horrível, completavam a minha sina e me colocavam ainda mais pra baixo. Onde quer que passava entre grupinhos, tinha a sensação incômoda de que estavam falando de mim.
Entre muitos outros dilemas que minavam a minha personalidade e que não importa agir expressar. O engraçado é que, no meu micro-universo vileiro perifento imundo, eu era tido pelas pessoas com elogios e recomendações por "fazer escola federal de ponta". Eu nunca contei o quanto estava era tomando no cu naquele ambiente de alto nível social, de alfas vida-boa e patys sádicas, até ter de explicar o motivo das faltas e passar a ter consulta com psicólogos do colégio, duas vezes por semana.
(É óbvio que conversa nenhuma iria adiantar para limpar a merda que já havia sido feita. Mas isso é lógico. No entanto, por convenção eu teria de cumprir um papel teatral ali dentro e aceitar todas as sandices politicamente corretas que na prática não tinha nenhum valor efetivo, mas que eram socialmente elegantes e que, de alguma forma, salvavam as aparências, essa é a verdade.)
![]() |
| Todas as pessoas são diferentes, mas cada um tem seu valor especial |
Talvez o único benefício, se assim se pode chamar, que toda essa sina me deu foi um poder de análise introspectiva absurdo. De fato não precisei passar por nenhum relacionamento amoroso para descobrir a Real (nunca tive, por assim dizer, uma BM - na verdade, eu mesmo encontrei os âmbitos da redpill procurando por grupos na web semelhantes à minha linha de pensamento. Queria saber se era ou não o único com ideias de vanguarda muito a frente do brasileiro comum). Hoje eu sou um pouco mais social e maturo do que era antes, e talvez por isso, menos perspicaz do que fui naqueles tempos, observo isso apenas de reler as conversas que deixei na blogosfera. Acredito que não teceria comentários altamente analíticos das relações sociais, hoje em dia, como naqueles tempos. O aprendizado, no entanto, permaneceu e foi assim, forjado em humilhações e rejeições homéricas, que deixaram verdadeiros traumas de personalidade devido aos anos de condicionamento betístico, prejuízos não só psicológicos como também físicos, uma vez que, por consequência da timidez e a não-prática de esporte, não atingi todo o meu potencial de altura e caixa torácica, que sai do ensino médio entrando na juventude com objetivos muito bem traçados e definidos do futuro que quero para mim e do que eu considero como pré-requisitos essenciais para, de fato, jogar o jogo social. Primeiramente como coadjuvante, um tipo de pré-alfa, e em seguida alfa completo, indiscutível e destacado, a fim de colher os louros do desenvolvimento pessoal.
Como eu trilharia esse caminho foi objeto de frequente análise e reflexão ao longo do ano de 2015, reciclando ideias desenvolvidas desde 2012 e mantidas em um caderno de registros de rotina. De maneira geral, a base de onde me viriam altas somas financeiras, eu pensava, seriam bibocas imundas, carrinhos de lanches com alta rotatividade e aceitação do momento, só que operadas por outras pessoas que eu colocaria para venderem para mim. Esse era o segredo, eu imaginava: não trabalhar, mas alugar o tempo de fudidos pobretões sem qualificação profissional, necessitados de algum trocado qualquer que seja mas dotados de alguma barreira moral que evitasse a típica malandragem bostileira, por assim dizer. Eu contava tanto com esse lema geração de valor que até mesmo me achava especial por ter tido essa sacada genial enquanto a aspiração máxima do bostileiro perifento comum era, e ainda é, trampar de repositor de supermercado.
Conseguinte, passei todo o ano de 2015 juntando o salário, não me permitindo gastos estúpidos, tipo sair com a galera, pagar MCDonalds pra vadias inúteis ou comprar roupas de marca para impressionar, a fim de acumular o capitam necessário para a operação de bibocas imundas. E sempre fazendo projeções de metas sonhadoras no tal caderno. Sim Senhor, esse ano ia ser o bicho, eu achava. Os lucros das bibocas reinvestidos em outras me dariam lucros de 5, 10, 15k reais e se converteriam em alimentação regrada à proteínas de alta qualidade biodisponível, vitaminas e suplementos (minerais, colágeno hidrolisado), tratamentos estéticos top de pele e cabelos, clareamento e correção dental, a porra toda... E tudo isso me daria altissima autoestima para começar a treinar duro calistênicos, e depois academia. Eu faria aulas de violão e dicção, assim como também pagaria a mensalidade de clubes para natação e artes marciais (tae kwon do ou muay thay? É só escolher). Eu me via fazendo algo que projetei premeditadamente fazer: Sair da piscina, colocar uma camiseta branca e ainda com a toalha no ombro, cabelos molhados, me gravaria cantando Wonderwall no violão, para depois enviar nas redes e gerar valor social indiscutível. Eu me via fechando o ano com um acumulado entre 100k e 200k, começando do zero. Lembro que todas as noites mentalizava isso com o caderno na mão, antes de dormir. Um sorriso de canto, uma euforia misturado com outras emoções tomava conta.
![]() |
| "Eu daqui à um ano.. Uhuhu! Vai gerar!" |
Mas é claro, veio 2016 e eu cai na real.
Não estou dando a entender que seja impossível enriquecer comandando uma rede de bibocas no Brasil, é importante deixar isso claro, especialmente para os JPBFs e para qualquer um que esteja pensando em largar do emprego e começar uma biboquinha, coisa totalmente encorajada e disseminada pelos meios de comunicação. Também não dou a entender que tudo depende do SEU ESFORÇO INDIVIDUAL e que se você fracassar a culpa é sua. Nessas horas vem sempre um rambos dos teclados imbecil dando carteirada alá Doutrinador do fórum da Real, "hur dur, pare de pôr a culpa nos outros, a culpa é totalmente sua dur". Não porra! A culpa não é totalmente de um JPBF fudido pobretão que começa uma biboca imunda e não consegue levar pra frente passando a tirar mais do que assalariados em pouco tempo. E eu nem estou falando de não ter moral e habilidade social pra recrutar e comandar uma trupe de afegão médio acebolado, sendo um beta, ou ex-tímido, ou não liderante, sem ter as tais conexões cerebrais alfísticas. Estou falando simplesmente de não ter o suporte necessário para tal tipo de empreendimento.
Comecei sim uma biboca, criei uma marca que eu próprio desenhei, e criei o nome. Fiz uma coisa totalmente organizada e com diferencial, e sei que isso é pouca bosta sim, quando não se tem uma caminhonete pra levar sua biboca pros melhores centros urbanos, bem como trazer. Fora ter um capital humano de apoio, um armazém para guardar os materiais, um esquema com os fornecedores para diminuir os custos de produção, capital de imprevistos, etc. Observe que até mesmo para empreender no ramo simples e barato de bibocas imundas é necessário já ter dinheiro, e eu sei disso porque já vi aqui na cidade não só um, mas dois barões de bibocas, desses que colocam vileiros, Msols, pra operar carrinhos de lanche, e ambos já são relativamente ricos, e nem precisariam da renda do esquema de bibocas. Enquanto eles tem todo esse aparato que citei, o "suporte" que eu tenho é uma casa apertada de paredes sem reboco, uma família chimpa acomodada e a coragem da motivação pessoal de dar inveja aos vegetas da Real, pra levar a pé um carrinho de ida e volta pras ruas comerciais (sim, claro, passando por favelas, vizinhos invejosos nas calçadas, e sem apoio-auxílio na hora do almoço). Não levou mais que um segundo pra eu perceber que mesmo eu sozinho contra tudo e contra todos, levaria um bom tempo para acumular os lucros de pingo em pingo até investir no suporte necessário para o negócio engatar de vez. Era a hora de rever o caderno e fazer concessões.
Mais ou menos nessa época de devaneios empreendedores, eu lia nos comentários do pobreta muito anons pagando um pau fudido pra medicina. Até então eu não dava bola, pois na minha mente eu iria ser o empreendedor fodão dos 100k em um ano, se brincar chegando ao milhão antes do pobreta. Eu posso dizer sem ressalvas que esse sim foi "um post do pobreta que me tirou da matrix", no caso a matrix financeira. Um pilar do pobretão Way of life muito mais valioso do que esses zés metedores da real dos Fóruns que dão carteirada nos "juvenas", e arrotam desenvolvimento pessoal sendo que A MAIORIA já ficou provado que ganha menos de 3k. Sendo assim, você deve estar esperando que eu diga que foi os comments do pobreta que me levaram a tomar essa decisão, como é de se esperar, e eu poderia terminar esse post, já deveras alongado, confirmado tal previsão pro forma. Mas a verdade não é bem assim, e no entanto, como este post já ficou muito alongado, vou deixar para explicar melhor as molas motores de estudar medicina na próxima postagem.
Forte abraço





Nenhum comentário:
Postar um comentário